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sábado, 11 de julho de 2020

Maison Auvigue Pouilly-fuissé Solutré 2018

    A Rocha de Solutré  é uma escarpa de calcário a 8 km a oeste de Mâcon, na França, com vista para a comuna de Solutré-Pouilly.  É um lugar icônico no departamento de Saône-et-Loire, em Bourgogne-Franche-Comté.  Protegido pela lei francesa e atualmente no centro de uma operação nacional de conservaçāo, ele se destaca por ser um raro fenômeno geológico da região, por ser um local pré-histórico da cultura paleolítica solutrea de mesmo nome, e pela beleza natural.  O ambiente que a sua cúpula oferece, tem flora e fauna distintas.  Ocupado pelo homem há pelo menos 55.000 anos, é também o berço da denominação de vinho Pouilly-Fuissé. 


    Existem várias denominações village na região do Mâconnais, sendo que as mais famosas são Pouilly-Fuissé e Saint-Verán. Os melhores vinhos desses villages exibem notas maduras de frutas tropicais e de caroço, sendo a maioria deles envelhecidos em barril durante um período de tempo para aumentar a textura e adicionar sabores. As videiras estão implanta das nas encostas calcárias da Roche de Solutré. Estás encostas em forma de anfiteatro, onde o sol dá em cheio, ajudam a produzir alguns dos Chardonnay mais ricos e mais maduros da Borgonha, os quais muitas vezes são complementados por sabores tostados da madeira.


Chez France (R$ 197,00 maio 2020). Dourado pálido, aromas de abacaxi, melão, cítricos, notas lácteas evidentes, baunilha. Seco, médio corpo, bom volume de boca, textura cremosa, final médio. Mais ao estilo ‘gordo’ de Chardonnay, privilegiando a malolática. Um bom vinho.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Vidal-Fleury Ventoux 2016


Se você já comprou vinho em supermercado, sabe que é sempre uma oportunidade de descobrir boas garrafas, desde que bem armazenadas, ao abrigo da luz e vibrações. A atenção que o estabelecimento dá aos seus vinhos, fazendo uma seleção abrangente, e com liquidações dos produtos (não só quando o vinho está velho demais, ou oxidado), fideliza os clientes. Se há uma pessoa com conhecimento e paixão pelo vinho, encarregada  de orientar as pessoas e cuidar do estoque, é um diferencial importante também. Muitas vezes o cliente só quer uma dica de um vinho de bom custo-beneficio pra acompanhar o jantar. Porque não ?
E dessa forma conheci muitos vinhos interessantes. O de hoje foi uma dica de um amigo e pude conhecer esse produtor, do qual virei fã.


O Vidal- Fleury Ventoux é um blend com as castas do Rhône: Syrah, Grenache e Mourvèdre. Vinho de cor rubi denso, lágrimas abundantes e grossas. Aromas a cereja preta, chocolate, couro e alcaçuz  . Em boca é seco, com acidez e taninos médios, caloroso, álcool a 14%. Potente e saboroso. Pronto para beber, mas com potencial para evoluir ainda com a guarda. 
Excelente pelo custo- benefício. 
Comprado no supermercado Hippo de Florianópolis , em julho de 2020, custou 69,90 reais.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Domaine de Colette Morgon 2017

A uva Gamay produz os melhores vinhos em Beaujolais, França, na combinação de solos graníticos, que tem níveis baixos de nutrientes, e rendimentos limitados. Dez villages têm direito à sua própria Denominação de Origem: são os Crus de Beujolais, entre estes, o Morgon, vinho de hoje.



Vinho de cor rubi pálido, aromas de fruta vermelha, como framboesa. Em boca é seco, acidez média e taninos finos, corpo médio, boa intensidade de sabor, confirmando as frutas vermelhas, cereja principalmente. Harmônico. Álcool à 13% v.v. Um bom vinho. Me lembrou muito um Borgonha. Se fosse elaborar uma carta de vinhos para algum restaurante, iria incluir um Beaujolais, porque penso que harmoniza com uma diversidade de pratos, como frango, peixe, saladas e comida asiática. E é uma "arma" contra a padronização dos vinhos atuais.

Parece que o Beaulolais é um vinho fora do padrão estabelecido mesmo, sem a cor e a robustez pronunciada dos tintos, mas com uma elegância que o distingue. Gostei de provar.

Quem importa para o Brasil é a Chez France - https://loja.chezfrance.com.br/

Adquirido pelo site, em Maio 2020, valor de R$ 143,00.

domingo, 14 de junho de 2020

Domaine Jaffelin Rully 2017

A Cote Chalonnaise fica ao sul da Cote D'Or (o coração da Borgonha) e possui cinco village: Bouzeron, Rully, Mercurey, Givry e Montagny. Cada um desses villages tem vinhas premier cru, mas não vinhas grand cru. 


As vinhas da Cote Chalonnaise possuem uma maior altitude, e,  por causa disso, a vindima é um pouco mais tarde, e o amadurecimento é menos certo. Embora as vinhas continuem a estar em encostas (como na Cote D'Or), nem sempre tem orientação Este. Como resultado os vinhos são mais ligeiros, e tendem a estar pronos a beber mais cedo.
WSET 3 - Livro Compreendendo o Vinho: explicando o estilo e a qualidade.


Vinho de cor dourado pálido. Aromas de intensidade média predominantes de abacaxi e baunilha, juntamente com  melão, flores brancas, cedro. Em boca tem muito bom corpo, preenche o palato, com muito boa acidez, o que dá força ao conjunto. O estágio em carvalho lhe deu elegância, sem excessos. Álcool a 13,5%. Um grande Chardonnay.

Quem importa para o Brasil é a Chez France - https://loja.chezfrance.com.br/

Adquirido pelo site, em Maio 2020, valor de R$ 128,00.



sábado, 6 de junho de 2020

Champagne Moutard Brut Cuvée 6 Cépages

Em tempos de pandemia do coronavírus, sobra-me um pouco de tempo. Ao ler minhas anotações, lembrei de uma postagem que fiquei devendo para mim mesmo. Foi em 23/09/2017, uma noite muito animada na companhia de amigos próximos aqui em casa, e o motivo foi só reunir as pessoas. 
Abrimos alguns vinhos:
Foi inesquecível por todas as razões que vocês possam imaginar. Os vinhos? Excelentes. Obrigado Jean, Sissi, Élvio, Felipe, Kaciane, Rossela, Katya e, claro, Márlen. Ficam aqui as memórias e a descrição do Moutard 6 cépages.

Produzido com Chardonnay, Pinot Noir e Pinot meunier (as castas tradicionais), bem como com as outras castas permitidas : Arbanne, Petit Meslier e Pinot Blanc. Um produto único por utilizar as 6 cepas permitidas na região. Vou me valer das anotações que fiz à época.

De cor dourada. Perlage fina e persistente. No olfato apresenta notas de damasco, avelã, frutas secas, e panificação. Em boca tem efervescência delicada, cremosa, é seco e com ótima acidez, confirmando os aromas, com sabores intensos e longo final. Álcool 12%.

Comprado no Angeloni em Florianópolis, no dia 23/07/2016, custou 189,00 reais.


quarta-feira, 20 de maio de 2020

Você já provou Prunelle?

Quando estivemos na Borgonha provamos pela primeira vez um Crémant (espumante), cujos exemplares não me chamaram muito a atenção, e quando pedi um aperitivo, me foi servido a Prunelle.


Para quem não sabe, Prunelle é um destilado feito com a fruta de mesmo nome, com um aroma e sabores intensos de avelã. Quando tive oportunidade de comprar uma garrafa, assim o fiz.

Este exemplar foi adquirido no famoso Clos Vougeot, tem 25% de graduação alcoólica e é muito saboroso. Recomendo a compra a quem encontrar uma garrafa destas, seja na própria França ou para prova em algum bar, ou restaurante, vale a pena.

É uma bebida para ser apreciada como a ginginha em Portugal (os portugueses não gostam que seja chamada assim, para eles é ginga), ou um vinho do Porto, ou mesmo o Malamado da Zuccardi (um fortificado de Malbec). 
Um brinde!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sobre Asiáticos, a Borgonha e o Montrachet.

Esta é outra sobre ficar procurando até achar. 
Uma viagem atrás de uma garrafa de vinho, literalmente.

Foi em 2013, estávamos no interior da Borgonha tentando achar algum vinhedo Montrachet para visitar, tirar foto, enfim, conhecer. Após perguntar para vários camponeses da região (a maioria não fazia idéia do que estávamos à procura), e entrar em vilarejos onde não se avistava uma alma viva, fomos parar à frente da pedra fundamental do famoso vinhedo Chevaliers - Montrachet. Minha esposa é uma heroína de me acompanhar, ainda bem, hehe. Tiramos foto, ficamos ali por uns cinco minutos. Quando íamos embora avistamos ao longe dois automóveis vindo em linha reta, em nossa direção, em alta velocidade, uma nuvem de poeira atrás dos carros, uma cena de filme.

Ficamos olhando atentamente os carros se aproximarem e eles pararam onde estávamos. Começou a descer gente que não acabava mais, no início fiquei surpreso, depois achei engraçado. Um rapaz conduzia a todos, muito simpáticos, e foram abrindo garrafas de Montrachet e nos servindo a todos. Eu estava muito surpreso. How much should I pay? For free! For free! respondeu o rapaz. Era um grupo de turistas que estavam a visitar a Maison Latour e foram brindar com Montrachet em frente aos vinhedos.

Minha esposa tirou a foto


Mais uma dessas histórias que ficarão para sempre na memória. Um brinde!!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Bebendo Champagne : Moutard Brut Reserve

'Bebo Champagne quando estou alegre e quando estou triste. Algumas vezes o bebo quando estou sozinha, e, quando estou acompanhada o considero obrigatório. Me divirto com ele se estou sem apetite e o tomo quando estou com fome. Fora isso jamais o toco, a não ser que esteja com sede.'
Elisabeth Bollinger


Iniciando esse post com a célebre frase de Madame Lily Bollinger, uma das citações mais famosas do mundo do vinho, e para o Zucca Gastrô, com um tema bacana demais, muito extenso e prazeroso.

Um dos símbolos da França, o Champagne tem enorme prestígio mundial, estando associado ao glamour, à amizade e às grandes celebrações. É sinônimo de excelência, sofisticação e bom gosto. E, apesar disso, por trás de uma taça de cristal com um excelente vinho borbulhante, há uma história de determinação e coragem de homens e mulheres na luta contra pragas, clima adverso, guerras e invasões.
Parece bastante não é? Pois um professor falou 3 minutos sobre Champagne com seus alunos e encerrou dizendo: - Sobre Champagne ou falamos 3 minutos ou 3 dias!
Tentaremos ser breves, mas nem tanto.

Sobre a Localidade:




Champagne está situada no Nordeste da França, a 150 Kilômetros de Paris, em uma região bastante fria, com um solo calcário muito particular, o que a torna um lugar único no mundo para a produção de vinhos.

A região empresta o nome à bebida, podendo existir somente um Champagne, aquele mesmo produzido ali, naquela pequena região demarcada e que possui um controle rígido sobre a produção do espumante.

 Por ser um importante centro comercial, unindo importantes rotas, teve por causa desta condição sua riqueza e sua desgraça, sendo palco de guerras terríveis, e é considerada a região mais conflagrada da França.






Podemos dizer que o Champagne, esse estranho vinho que fermentava por duas vezes, inventou-se por si só, graças a uma série de circunstâncias peculiares, as quais envolvem inclusive o transporte deste à Inglaterra.

O monge beneditino dom Pierre Pérignon restaurou a adega da Abadia de Hautvillers, e,  grande estudioso das vinhas e dos vinhos, escolhia a composição com a qual eram elaborados os espumantes. Ele desenvolveu a enologia de forma meticulosa e elevou o Champagne a um patamar de qualidade que antes não havia. Palmas para ele!





A Champagne (desta vez é só a bebida gente!) é produzida com 3 castas tradicionais: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier.

A Chardonnay (uva branca) contribui com os aromas delicados, de notas florais, frutas cítricas, às vezes minerais.

A Pinot Noir (uva tinta) contibui com aromas de frutas vermelhas e imprime sua personalidade ao assemblage, com corpo e potência.

A Pinot Meunier (uva tinta), dá vinhos suaves e frutados, e trazem maciez ao conjunto.

Produção do Champagne:

Colheita → Prensagem nos Vinhedos e Transporte → Recepção na Maison → Elaboração do Vinho-Base → Assemblage → Licor de Tiragem - Engarrafamento → Segunda Fermentação nas Garrafas → Maturação nas Borras → Manuseio das Garrafas → Degola- dégorgement (Adição do licor de Expedição)  → Dosagem e Arrolhamento → Rotulagem → Expedição.

Os vinhos non-vintage (sem indicação de safra) devem ser envelhecidos durante um mínimo de 15 meses, 12 dos quais, como mínimo, devem ser em contato com as borras. Os vinhos vintage (com indicação de safra) devem ser envelhecidos por um mínimo de 36 meses (não existem requisitos extra para o envelhecimento em contato com as borras). Contudo, na prática, os produtores envelhecem os seus vinhos por mais tempo.

Segundo Christian Pol Roger, proprietário da Maison Pol Roger: "É bem simples: - Para um Brut não safrado: Fermentaçāo em cuba (1ª fermentação - alcoólica), depois vem a assemblage (mistura dos diferentes vinhos) , envelhecimento na cave, pupitre (cavalete onde se realiza a remuáge (rotação das garrafas) e repouso após a retirada do depósito.
Durante a segunda fermentação na garrafa, o contato de partículas de leveduras mortas entram em contato com o vinho, (processo chamado autólise). São trocas entre o resíduo e o próprio vinho. Isso confere à bebida força, complexidade, intensidade e até densidade. Assim o vinho adquire personalidade, amadurece. A etapa seguinte consiste em retirar este depósito de leveduras mortas. Assim, as garrafas são postas em estantes a 45°, o depósito de leveduras deslizando em direção à base com a mexida. As garrafas serão abertas para a extração do depósito e adiciona-se licor de expedição em função de sua natureza: Nature, Brut, Demi-sec, Sec, Suave."

A quantidade de açúcar da mistura (licor de Expedição) determina o tipo de Champagne:

Nature: (sem adição de licor)
Extra Brut: Bem seco (até 6 gr/l)
Brut: seco (até 15 gr/l)
Extra-dry: (12 a 20 gr/l)
Sec: Levemente seco (17 a 35 gr/l)
Demi-sec: meio doce (33 a 50 gr/l)
Doux: relativamente doce (acima de 50 gr/l)

Cada Maison imprime um caráter, um padrão no seu estilo de Champagne, visando conquistar um público fiel e personalizando a sua bebida. (Mas, como é de se esperar, muitos desses padrões são comuns a todos, determinados rigidamente pelo CIVC - Associação que representa todas as Maisons, e que zela pela alta qualidade dos vinhos produzidos).

Pierre Taittinger: "Cada fabricante tem seu estilo. Ninguém é melhor do que ninguém. Nós cultivamos as diferenças, mas a mesma exigência de excelência nos aproxima."

As diversas categorias de Champagne:

Blanc de Blancs: Champanhes produzidos com a uva Chardonnay
Blanc de Noirs: Produzidos exclusivamente de uvas com casca escura, vinificadas em branco
Cuvée: uma assemblage, uma mistura, o que todo champanhe é.
Non- Vintage: contém vinhos de mais de um ano
Vintage: vinhos de um único ano



Champagne Moutard Brut Reserve



Champagne produzido com 100% Chardonnay, portanto um Blanc de blancs, vinhas de 10 a 20 anos de idade, 36 meses de envelhecimento na cave com as borras (sur lie).

O Moutard Brut Reserve tem os aromas típicos e que definem o Champagne: Tostado, brioche , frutas secas e amanteigado. Um bouquet elegante e fino.

Gustativamente é seco, delicado, com muito boa acidez e um colchão de espuma macio em boca.
Muito bom como entrada ou com frutos do mar. Álcool a 12% vol.
Atenção à temperatura de Serviço: 8°C.

No Supermercado Angeloni em Florianópolis, custa 189,00 reais (05/08/2016).

http://www.angeloni.com.br/adega/produto.action?grupo=1011&idProduto=2790622




Para encerrar, algumas outras frases sobre Champagne, de cidadãos ilustres e inspirados:

Napoleão Bonaparte: "Na vitória você merece tomar Champagne, na derrota, você precisa dele."

Noël Coward: "Porquê eu bebo Champagne no café da manhã?! Não é o que todo mundo faz?"

Winston Churchill: "Lembrem-se, cavalheiros, não é só pela França que estamos lutando, é pela Champagne também."

Anthelme Brillat-Savarin: "Borgonha faz com que você pense em bobagens; Bordeaux faz com que você fale sobre elas e Champagne faz com que você as cometa."

Remy Krug: "Não se deve reservar o Champagne somente para uma ocasião especial, pois só o fato de abri-lo já torna qualquer ocasião especial."

Paul Claudel: "Senhores, no pequeno momento que nos resta, entre a crise e a catástrofe, nós podemos beber uma taça de champagne."


Para saber mais:
Livros: A Viúva Clicquot - Tilar J. Mazzeo
            Borbulhas Tudo sobre Champanhe e Espumantes - Aguinaldo Záckia Albert
            Vinho e Guerra -  Os Franceses, os Nazistas e a Batalha pelo maior tesouro da França                           (excelente livro, leitura obrigatória)

Deu vontade de provar um Champagne? Desculpem, a intenção era essa mesmo...

Um Brinde! Saúde!
               



terça-feira, 1 de março de 2016

Marius by Michel Chapoutier, France 2013


Michel Chapoutier é um nome muito conhecido na França e no mundo do vinho. Ele herdou as vinhas do pai e aplicou em boa parte da propriedade os princípios da biodinâmica. Mas ficou conhecido mesmo por sua obsessão em exprimir o terroir em seus produtos, o que é louvável. Seu nome está em todos os grandes livros sobre os vinhos do mundo e os grandes críticos dão-lhe altas notas ano a ano. 

Decidi provar o Marius, por causa da curiosidade mesmo. Será que somente os vinhos mais caros valem a pena ou mesmo um vinho considerado barato pode exprimir o que pensa o seu autor?


Produzido com as castas Grenache e Syrah. Álcool a 13%. 

Vinho de cor rubi, lágrimas finas e rápidas. Aroma frutado, de framboesa e floral, de violetas. Taninos finos, boa acidez e leve amargor no final-de-boca. Um vinho tinto mais ligeiro, um conjunto mais leve, bom para o dia-a-dia, ou para brindar com os amigos. Eu gostei muito, e é uma experiência diferente, tanto pelo estilo do vinho quanto pelas castas que o compõem.
Nota: 88 pomtos

Adquirido No Emporium Bocaiúva em Florianópolis em 21/10/2015, custou 88,80 reais. Hoje está ao preço de 97,98 reais no site da Mistral, que é quem importa para o Brasil.

http://www.mariusbymichelchapoutier.com/


Um Brinde!

domingo, 8 de junho de 2014

J.P. Chenet Merlot 2012


Como o objetivo deste blog também é se despir de preconceitos, e trazer vinhos simples e bons para apreciação, vou reverenciar um vinho produzido em larga escala, de uma vinícola que exporta para 160 países ao redor do mundo. É um vinho fácil de ser achado no mercado brasileiro, e é um "Vin de Pays".

Os vins de pays são vinhos com regras menos rigorosas do que as apellations contrôllés, e alguns vinicultores introduziram os modernos métodos de vinicultura e as técnicas de marketing do Novo Mundo nessas regiões, fazendo vinhos frutados, modernos e embalados com requinte. O nome da variedade aparece no rótulo, como nos vinhos da Califórnia, Austrália ou Chile.
O fato é que este Merlot é mais do que um vinho "honesto", como muitos definem, e é de boa relação custo-benefício.




Vinho produzido na região de Languedoc-Roussillon, França.

Na taça uma coloração rubi com halo violáceo, pernas lentas e grossas. Bouquet  amplo, intenso e persistente. Aromas intensos de frutos negros, ameixa, pimentão verde e pimenta. Muito frutado em boca, corpo médio, taninos finos e suaves, elegante. Harmonioso, bem vinificado. Álcool a 13%.

Uma excelente opção para quem aprecia a Merlot, e, melhor, não é caro. Sugiro muito que se prove este vinho, você irá se surpreender. Está longe de ser um clássico francês, ou um grande representante nacional, não espere isso. A questão aqui é gastar pouco e ter prazer na degustação do vinho.

Nota= 88 pontos
Valor= Presente de amigos,  mas no comércio está por volta de 50,00 reais.

Não provei o Cabernet-Syrah, e é pouco provável que o faça, mas este Merlot......


Um Brinde!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Fixin "Les Fondemens" 2009

Vinho trazido da última viagem que fizemos à Europa, comprado em uma loja de Nuits Saint Georges (Borgonha), onde podíamos escolher entre diversos produtores, os melhores Pinot Noir do planeta. Claro que eu iria pedir uma opinião do vendedor, porque a oferta de vinhos locais era enorme.
Resolvi apostar neste Fixin 2009, um vinho sobre o qual posso escrever mesmo após alguns dias da prova, porque o aroma e o sabor deste vinho não vou esquecer tão cedo. Claro que é uma crítica favorável.

O que sempre me impressiona é o frescor de certos vinhos do Velho Mundo como por exemplo este, com 5 anos de garrafa. Claro que é um outro estilo de vinho e, como os franceses são "turrões", acredito que daqui a 200 anos o vinho Borgonha não mudará, independente dos modismos aos quais somos submetidos. E nem precisa mudar porque a fama faz com que vendam o seu vinho para o mundo inteiro, mesmo os ruins.

Mas, não é o caso desse. Elegância, delicadeza, sutileza, seja qual adjetivo for, não pode-se ficar indiferente a um vinho destes. Têm-se a impressão de estar provando a fruta líquida, como um presente da Terra para você, e é isto o que sempre procuro na minha bebida favorita.



O "Les Fondemens"  é produzido pelo Domaine Mongeard-Mugneret com 100% da variedade Pinot Noir. 

De coloração pouco intensa, com tonalidade rubi e discreto halo laranja, límpido. Lágrimas finas e lentas.
Aroma muito intenso de cereja, típico da Pinot. Confirma no palato, de intensa persistência, leve e fresco, com pouco tanino e untuosidade. Álcool a 13%.
Um vinho vertical, linear, mas equilibra força nos aromas e palato, sem abdicar da delicadeza e elegância da Pinot. Vinhaço.

Preço: como foi dito, comprado na Borgonha custou por volta de 30,00 euros. Quem importa para o Brasil é a Ravin (o 2008 está no site ao preço de 438,00 reais).

Nota= 96 pontos





Um Brinde!!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Confraria 26.02.2014

Reunião mensal da confraria na casa do Helton onde foram degustados vinhos brancos e a pedidos, um tinto (porque nem todos apreciam os brancos).
Uma especialidade aqui de Florianópolis é o risoto de camarão, e como temos o produto de alta qualidade, nem precisa dizer que por mãos habilidosas o papo é em um nível superior. Méritos desta vez para o Ivanir, que não poupou esforços na cozinha.


Os vinhos brancos foram:


Brumont Gros Manseng - Sauvignon VdP 2012
Vinho francês da Região de Madiran, do produtor Alain Brumont.

Um blend com 50% de Gros manseng e 50% de Sauvignon blanc.

Aromas cítricos intensos, limão e maçã verde, confirma no palato,
com uma acidez marcante, seco, um vinho diferente e com vocação
gastronômica. Belo vinho, harmonizou muito bem com o prato,
vou repetir, com certeza. Álcool a 12%

Importado para o Brasil pela Decanter
Preço: 61,80 reais









Dádivas Chardonnay 2012

Produzido pela Vinícola Lídio Carraro em Encruzilhada do Sul - RS

Um Chardonnay típico, com aromas de mel e abacaxi, com boa untuosidade
no palato e boa persistência.

Eu gostei, mas confesso que fui seduzido pelo inusitado do vinho acima.

Outro que harmonizou muito bem com o prato. Mais uma vez parabéns ao cozinheiro
e a quem escolheu os vinhos. 




E o vinho tinto:


Dádivas Pinot Noir 2012

Outro da Vinícola Lídio Carraro, com vinhedos próprios em  Encruzilhada do Sul.

Um vinho que impressiona após o decanter, com aromas de frutos do bosque, cereja e especiarias.

Macio, elegante, saboroso e frutado.

Um belo vinho, que espero postar em breve com mais detalhes.

Preço: por volta de 50,00 reais





Na próxima reunião ficou de eu falar algo sobre os próximos vinhos. Responsa!!
Saúde e um abraço fraterno a todos!!!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Vinho Rosé do Velho Mundo

Minha primeira contribuição para a Confraria Brasileira de Enoblogs, da qual tenho orgulho de fazer parte. O tema do mês de Outubro era: Vinho rosé do Velho Mundo sem limite de preço. Como a minha experiência com rosés do Velho Mundo não é das melhores, porque já provei vinhos caros e decepcionantes nesses quesitos,  resolvi escolher em lojas especializadas e também por sugestão dos sommeliers.

         ClaudeVal Rosé 2012
Um rosé francês da Região de Languedoc-Roussillon, produzido por Domaine Paul Mas com as uvas Grenache (50%),  Cinsault (30%) e Syrah (20%).
Chama a atenção logo de início a bonita cor cereja deste vinho, límpido. Aroma floral e de frutas vermelhas como cereja em compota, não muito intenso. Boa acidez, teor alcoólico de 13%, harmônico. Para um dia de verão à beira da piscina, é o que lembra esse vinho, para ser bebido despreocupadamente.
Simples, bem vinificado, nada muito empolgante, mas valeu a experiência.
Nota=84 pontos
Importado para o Brasil pela Decanter, comprado na Loja da Decanter em Florianópolis. Custo= 39,10 reais  




Há melhores exemplares de bons vinhos nacionais e do Novo Mundo nesta faixa de preço, então resolvi apostar em outro, e constatei algo que parece ser uma regra no Brasil: não temos tantos exemplares desses vinhos à nossa disposição no mercado, a não ser franceses. Será? Gostaria de ter encontrado um espanhol ou um italiano, mas...


 Secret de Comptoir Côtes
 de Provence 2012
Vinho rosé da Provence, também composto de Syrah, Grenache e Cinsault. 
De tonalidade laranja, esmaecido. Passa no paladar como vinho branco, mas as notas de frutas vermelhas, não muito intensas, delatam a origem tinta das uvas. Delicado, com uma acidez correta. Não chega a empolgar. Quem deseja um vinho leve, delicado, deverá preferir este.
Álcool a 13% 
Nota=82 pontos
Custo= Importado para o Brasil pela Grand Cru, comprado na loja da Grand Cru em Florianópolis, custou 66,00 reais.






Um pouco decepcionado, mas não completamente derrotado, li no jornal uma matéria que falava dos rosés e recomendava o Prado Rey. Tive que provar.

Prado Rey Rosado 2011

Vinho rosé de Ribera del Duero, uma DOC das mais confiáveis da Espanha. Produzido por Real Sítio de Ventosilla - Pradorey, com 50% de Tempranillo e 50% de Merlot. Passa por 3 meses em barricas de carvalho europeu.
Na taça uma bonita cor cereja, aromas intensos de goiaba e especiarias. Em boca é pleno, denso, confirma os aromas, com boa acidez, um vinho gastronômico, sem dúvida. Álcool a 14%, sente-se bem a presença, potente.
Diferente dos demais, que primam pela leveza, este é um vinho potente e gastronômico. Eu virei fã. Uma excelente opção para recepcionar os amigos e impressionar com um rosé diferente, mas, mais ao estilo do Novo Mundo.
Nota= 93 pontos
Importado para o Brasil pela Decanter, comprado na Loja da Decanter em Florianópolis. Custo= 67,32 reais





Os vinhos não empolgaram tanto, a não ser o último, menção especial ao que provamos no mês passado na confraria para lembrar, do mesmo estilo dos franceses, mas mais aromático e elegante. Valeu muito a experiência, principalmente porque descobri o espanhol, que me impressionou bastante. 
Um Abraço a Todos.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Les Coucherias 2011

 Os franceses da Borgonha elevaram a Chardonnay ao nível de estrela e protagonista ao elegê-la como praticamente a única uva branca para a produção de seus vinhos. Eles fazem vinho há tanto tempo que descobriram exatamente que é esta variedade que cresce melhor e que melhor expressa o terroir da região. O solo calcáreo predomina em todas as áreas, o clima é de verões quentes, invernos frios e há constante ameaça de tempestades de granizo. O clima relativamente severo resulta em um número reduzido de safras realmente boas para o Borgonha branco, além da produção ser pequena, daí seu alto preço.
Resolvi abrir esta garrafa hoje pela mesma razão que o Anonymus gourmet assiste ao filme Casablanca várias vezes por ano, todos os anos: "Para não deixar de acreditar..." 
O Les Coucherias é produzido a partir de um vinhedo premier cru, pelo método biodinâmico, pelo produtor Jean Claude Rateau, em Beaune, com 100% da casta Chardonnay. Outros vinhos do mesmo produtor foram postados veja aqui
O 2003 estagiou por 14 meses em barricas de carvalho usado. Não consegui detalhes sobre o 2011 no site, mas o carvalho está discreto, sutil e harmônico, o que me faz pensar que o estágio em carvalho é apenas para evolução do vinho, à maneira do Velho Mundo, sendo que há pouca contribuição da madeira emprestando compostos como estamos acostumados com os californianos, o que para meu gosto é um ponto a favor.
De bonita cor dourada, com lágrimas finas e rápidas, límpido. Uma explosão de aromas, em camadas, pêra, maçã, flores brancas, abacaxi, amêndoas, de média intensidade, elegante, de muito boa evolução na taça. Em boca apresenta um dulçor, mas que não é enjoativo, e é persistente, delicioso, convida a outro gole. Leve acidez, muito harmonioso. No final é amplo, longo e caloroso. Enfim, um vinhaço. Acredito que possa ser guardado tranquilamente por mais 4 ou 5 anos.
Comprado diretamente com o produtor, custou 26 euros, muito barato para um vinho desta qualidade.
Nota= 95 pontos
Harmonizou muito bem com um risoto de pêra e gorgonzola.
Um brinde!



domingo, 27 de outubro de 2013

Jean Claude Rateau - Vinhos da Borgonha


A Borgonha esta à parte para o mundo do vinho. Não há como negar. Os apaixonados concordam que seus segredos são reservados para poucos, e os reles mortais querem aos menos resvalar nos seus mistérios... E foi assim conosco. Mesmo os produtores admitem que, às vezes, e somente às vezes, quando o clima ajudou muito, e as uvas foram espetaculares, é que são feitos grandes vinhos. O problema é que esse grandes vinhos são tão caros que tornam-se inacessíveis.
Quando uma produção já está vendida para o mercado japonês antes da vinificação, espera-se o quê?
O famoso crítico e escritor de vinhos Patrício Tapia já havia dito: "Os mistérios da Borgonha não são para estudantes sem dinheiro. A prova disso é que os demais vinhos que pudemos comprar (após ter ido a apenas um jantar com vinhos magníficos) com o que restou em nossos bolsos fazem parte hoje desta batelada de garrafas que prefiro imaginar nunca haver provado. "
Nossa base em apenas 3 dias foi Beaune e visitamos grandes proprietários e propriedades na Borgonha: Puligny-Montrachet (propriedade de Olivier Leflaive), Clos de Vougeot, Chateau de Pommard, Joseph Drouhin em Beaune, e comprei uns poucos vinhos de Volnay (Michel Lafarge) e de Fixin em Nuits-St Georges, que assim que provar, posto aqui.
Como eu imaginei que nossa vida seria mais fácil tendo algumas dicas, e eu não conheço ninguém que já tivesse ido lá, resolvi consultar o meu conterrâneo Marco Danielle, que inclusive já escreveu para a Revista diVino sobre a Borgonha veja aqui. Conhecemos Jean Claude Rateau por seu intermédio através de algumas mensagens que enviei de Lisboa, antes de irmos para o Alentejo, naquela mesma viagem.
Há algum que você recomendaria? Então, o Marco nos recomendou o Jean Claude, perto de Beaune, onde iríamos, e pudemos conhecer este produtor biodinâmico numa segunda-feira. Foi muito legal da sua parte ter me dado algumas dicas valiosas. Valeu Marco, agradeço novamente.
Na visita, minha esposa preferiu tirar fotos da propriedade, enquanto fomos degustar na cave. Quando voltei me perguntou: - Mas você encontrou o Bettú na Borgonha? Fazendo uma alusão ao Vilmar Bettú, de Garibaldi (risos, sim, há semelhanças).
Vinhos que são belos representantes da região, se assemelham bastante, com destaque para o Les Reversées, um premier cru, ambos com aromas herbáceos e de cereja. Muito equilibrados, com taninos suaves e com boa vocação gastronômica, impressionam pela delicadeza. Vinhos prontos, evoluirão com a guarda? Ambos são da safra 2010. Harmonizou muito bem com salmão. 
Não estão disponíveis no Brasil, o Les Reversées custou 22 euros e o Les Beaux et Bons custou 16,70 euros, uma pechincha.
http://www.jc-rateau.com

domingo, 4 de agosto de 2013

Espumante Brut Veuve du Vernay



Vinho espumante francês, não classificado como Champagne, que é uma pequena e restrita área de produção situada a noroeste de Paris. Para constar, tecnicamente o termo champagne somente pode ser usado para o vinho espumante produzido na área geográfica da Champagne e somente quando todas as severas regras da região são seguidas, incluindo o emprego do método champenoise para a segunda fermentação.
Este vinho espumante é feito pelo método Charmat (fermentação em cubas) e é um "blanc de blancs", vinho branco feito somente com uvas brancas, mais comumente Chardonnay, ao invés da adição de Pinot Noir e Pinot Meunier, como no caso do champagne.
De cor amarelo pálido e com perlage fina e abundante, nota-se claramente um aroma de flores brancas e melão, com boa cremosidade e  final curto com gosto de pão torrado. Graduação alcoólica de 11%.  Vinho espumante simples. Ideal para beber com os amigos, como entrada acompanhando pães, frios e saladas ou pratos de peixe.
Vale pelo preço, que está por volta de 40 reais. Temos bons espumantes brasileiros nessa faixa, mas esse vale a pena provar.
Detalhe para a apresentação, que é muito bonita.
Nota: 87 pontos