Mostrando postagens com marcador Zucca Gastrô. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Zucca Gastrô. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de agosto de 2017

Os melhores Amarones do Planeta à sua Frente (Parte 2) - Dal Forno Romano.

Esta é a segunda parte de nossas visitas ao redor de Verona, dessa vez fomos visitar a Dal Forno Romano. Situada fora da área de Valpolicella clássico, em Cellore d'Illasi.
Fomos recebidos pelo Luca Dal Forno, filho do proprietário, que gentilmente nos recebeu e apresentou a Vinícola.



Neste vídeo sobre a produção do vinhos da Dal Forno, vemos o método de secagem das uvas e também a poda, preservando as uvas da parte de cima do cacho, mais concentradas, e mais doces.
https://player.vimeo.com/video/10112011?title=0&byline=0&portrait=0&color=ffffff


A Dal Forno produz apenas 3 vinhos: Amarone, Valpolicella (nos anos não tão bons, em que não há qualidade suficiente para o Amarone), com as uvas Corvina, Corvinone, Croatina, Oseleta e Rondinella, em percentagens que variam conforme a safra, e um Passito, o Vigna Seré, o melhor passito que já provei, disparado. São vinhos que combinam grande concentração e elegância.

Os melhores Amarones do Planeta à sua Frente (Parte 2).

Para quem quiser saber mais sobre os vinhos: http://www.dalfornoromano.it/
Infelizmente não tenho os valores que paguei pelos vinhos, nem os preços que a Vinícola os comercializa. Estávamos de saída para o Lago de Garda, mas essa é outra história.
Quem importa para o Brasil é a Mistral.
Saúde!



Os melhores Amarones do Planeta à sua Frente (Parte 1) - Giuseppe Quintarelli.

Hoje vamos falar de um dos alicerces do vinho italiano: o Amarone, grande representante do Vêneto. Juntamente com o Barolo, no Piemonte e Brunello na Toscana formam grande tríade do vinho daquele país. O Amarone é um vinho muito particular e faz parte do imaginário dos amantes do vinho mundo afora. Já havia falado sobre esse vinho ímpar aqui e aqui .

O território do Amarone della Valpolicella é o mesmo do Valpolicella, e situa-se na província de Verona.O Amarone é um dos mais carnosos vinhos tintos, exibindo gama ímpar de sabores que lembram geléia de cereja, doce de ameixa, uva passa, pétalas de rosas e especiarias. É feito de uvas desidratadas segundo a tradição das colinas de Verona desde o período bizantino, inicialmente deixando as uvas para secar em casas com largas janelas abertas e, mais modernamente com o uso de ventiladores industriais. Após três a quatro meses, as uvas perdem de 35% a 40% do peso, concentram o açúcar e são afetadas pela Botrytis cinerea.  A mescla envolve uvas Corvina Veronese, Molinara, Rondinella e até15% de outras cepas (locais ou internacionais) entre as muitas autorizadas pela DOC em que ele é feito. O teor alcoólico varia entre 14% ao mais tradicional 16%. Um vinho considerado "enorme", "opulento" por muitos. Eu o aprecio, e a seu estilo.

E foi atrás desses caldos que pudemos conhecer a bela cidade de Verona, cidade que inspirou Shakespeare a escrever o famoso romance Romeo e Julieta (reza a lenda que ele nunca esteve lá), suas histórias e monumentos, e sua Arena romana impressionante.






Na cidade, conhecemos uma loja de vinhos bem bacana, com uma boa diversidade de vinhos do Vêneto e de toda a Itália, espumantes e afins, a Signorvino, recomendo. (Dica do João José, thanks)


http://www.signorvino.com/en/wine-shop/verona

No outro dia, fomos a um local incomum, também pelo fato de não haver placas de sinalização indicando a Vinícola, nem mesmo na própria, mas que todo o apreciador de vinhos sabe onde fica: na localidade de Negrar, a Azienda Agricola Giuseppe Quintarelli.







Fomos recebidos pelo Francesco Quintarelli, que nos apresentou a Vinícola, nos falou dos métodos de produção e contou um pouco da história da família.


 Os vinhos? Como disse minha esposa foram do maravilhoso ao espetacular.

Os melhores Amarones do Planeta à sua Frente (Parte 1).


O custo da visita e degustação é de 20 euros por pessoa, muito acessível e uma experiência extraordinária. Os valores dos vinhos (Julho / 2017), estão aqui:


Quem importa para o Brasil é a Mistral.




sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Bebendo Champagne : Moutard Brut Reserve

'Bebo Champagne quando estou alegre e quando estou triste. Algumas vezes o bebo quando estou sozinha, e, quando estou acompanhada o considero obrigatório. Me divirto com ele se estou sem apetite e o tomo quando estou com fome. Fora isso jamais o toco, a não ser que esteja com sede.'
Elisabeth Bollinger


Iniciando esse post com a célebre frase de Madame Lily Bollinger, uma das citações mais famosas do mundo do vinho, e para o Zucca Gastrô, com um tema bacana demais, muito extenso e prazeroso.

Um dos símbolos da França, o Champagne tem enorme prestígio mundial, estando associado ao glamour, à amizade e às grandes celebrações. É sinônimo de excelência, sofisticação e bom gosto. E, apesar disso, por trás de uma taça de cristal com um excelente vinho borbulhante, há uma história de determinação e coragem de homens e mulheres na luta contra pragas, clima adverso, guerras e invasões.
Parece bastante não é? Pois um professor falou 3 minutos sobre Champagne com seus alunos e encerrou dizendo: - Sobre Champagne ou falamos 3 minutos ou 3 dias!
Tentaremos ser breves, mas nem tanto.

Sobre a Localidade:




Champagne está situada no Nordeste da França, a 150 Kilômetros de Paris, em uma região bastante fria, com um solo calcário muito particular, o que a torna um lugar único no mundo para a produção de vinhos.

A região empresta o nome à bebida, podendo existir somente um Champagne, aquele mesmo produzido ali, naquela pequena região demarcada e que possui um controle rígido sobre a produção do espumante.

 Por ser um importante centro comercial, unindo importantes rotas, teve por causa desta condição sua riqueza e sua desgraça, sendo palco de guerras terríveis, e é considerada a região mais conflagrada da França.






Podemos dizer que o Champagne, esse estranho vinho que fermentava por duas vezes, inventou-se por si só, graças a uma série de circunstâncias peculiares, as quais envolvem inclusive o transporte deste à Inglaterra.

O monge beneditino dom Pierre Pérignon restaurou a adega da Abadia de Hautvillers, e,  grande estudioso das vinhas e dos vinhos, escolhia a composição com a qual eram elaborados os espumantes. Ele desenvolveu a enologia de forma meticulosa e elevou o Champagne a um patamar de qualidade que antes não havia. Palmas para ele!





A Champagne (desta vez é só a bebida gente!) é produzida com 3 castas tradicionais: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier.

A Chardonnay (uva branca) contribui com os aromas delicados, de notas florais, frutas cítricas, às vezes minerais.

A Pinot Noir (uva tinta) contibui com aromas de frutas vermelhas e imprime sua personalidade ao assemblage, com corpo e potência.

A Pinot Meunier (uva tinta), dá vinhos suaves e frutados, e trazem maciez ao conjunto.

Produção do Champagne:

Colheita → Prensagem nos Vinhedos e Transporte → Recepção na Maison → Elaboração do Vinho-Base → Assemblage → Licor de Tiragem - Engarrafamento → Segunda Fermentação nas Garrafas → Maturação nas Borras → Manuseio das Garrafas → Degola- dégorgement (Adição do licor de Expedição)  → Dosagem e Arrolhamento → Rotulagem → Expedição.

Os vinhos non-vintage (sem indicação de safra) devem ser envelhecidos durante um mínimo de 15 meses, 12 dos quais, como mínimo, devem ser em contato com as borras. Os vinhos vintage (com indicação de safra) devem ser envelhecidos por um mínimo de 36 meses (não existem requisitos extra para o envelhecimento em contato com as borras). Contudo, na prática, os produtores envelhecem os seus vinhos por mais tempo.

Segundo Christian Pol Roger, proprietário da Maison Pol Roger: "É bem simples: - Para um Brut não safrado: Fermentaçāo em cuba (1ª fermentação - alcoólica), depois vem a assemblage (mistura dos diferentes vinhos) , envelhecimento na cave, pupitre (cavalete onde se realiza a remuáge (rotação das garrafas) e repouso após a retirada do depósito.
Durante a segunda fermentação na garrafa, o contato de partículas de leveduras mortas entram em contato com o vinho, (processo chamado autólise). São trocas entre o resíduo e o próprio vinho. Isso confere à bebida força, complexidade, intensidade e até densidade. Assim o vinho adquire personalidade, amadurece. A etapa seguinte consiste em retirar este depósito de leveduras mortas. Assim, as garrafas são postas em estantes a 45°, o depósito de leveduras deslizando em direção à base com a mexida. As garrafas serão abertas para a extração do depósito e adiciona-se licor de expedição em função de sua natureza: Nature, Brut, Demi-sec, Sec, Suave."

A quantidade de açúcar da mistura (licor de Expedição) determina o tipo de Champagne:

Nature: (sem adição de licor)
Extra Brut: Bem seco (até 6 gr/l)
Brut: seco (até 15 gr/l)
Extra-dry: (12 a 20 gr/l)
Sec: Levemente seco (17 a 35 gr/l)
Demi-sec: meio doce (33 a 50 gr/l)
Doux: relativamente doce (acima de 50 gr/l)

Cada Maison imprime um caráter, um padrão no seu estilo de Champagne, visando conquistar um público fiel e personalizando a sua bebida. (Mas, como é de se esperar, muitos desses padrões são comuns a todos, determinados rigidamente pelo CIVC - Associação que representa todas as Maisons, e que zela pela alta qualidade dos vinhos produzidos).

Pierre Taittinger: "Cada fabricante tem seu estilo. Ninguém é melhor do que ninguém. Nós cultivamos as diferenças, mas a mesma exigência de excelência nos aproxima."

As diversas categorias de Champagne:

Blanc de Blancs: Champanhes produzidos com a uva Chardonnay
Blanc de Noirs: Produzidos exclusivamente de uvas com casca escura, vinificadas em branco
Cuvée: uma assemblage, uma mistura, o que todo champanhe é.
Non- Vintage: contém vinhos de mais de um ano
Vintage: vinhos de um único ano



Champagne Moutard Brut Reserve



Champagne produzido com 100% Chardonnay, portanto um Blanc de blancs, vinhas de 10 a 20 anos de idade, 36 meses de envelhecimento na cave com as borras (sur lie).

O Moutard Brut Reserve tem os aromas típicos e que definem o Champagne: Tostado, brioche , frutas secas e amanteigado. Um bouquet elegante e fino.

Gustativamente é seco, delicado, com muito boa acidez e um colchão de espuma macio em boca.
Muito bom como entrada ou com frutos do mar. Álcool a 12% vol.
Atenção à temperatura de Serviço: 8°C.

No Supermercado Angeloni em Florianópolis, custa 189,00 reais (05/08/2016).

http://www.angeloni.com.br/adega/produto.action?grupo=1011&idProduto=2790622




Para encerrar, algumas outras frases sobre Champagne, de cidadãos ilustres e inspirados:

Napoleão Bonaparte: "Na vitória você merece tomar Champagne, na derrota, você precisa dele."

Noël Coward: "Porquê eu bebo Champagne no café da manhã?! Não é o que todo mundo faz?"

Winston Churchill: "Lembrem-se, cavalheiros, não é só pela França que estamos lutando, é pela Champagne também."

Anthelme Brillat-Savarin: "Borgonha faz com que você pense em bobagens; Bordeaux faz com que você fale sobre elas e Champagne faz com que você as cometa."

Remy Krug: "Não se deve reservar o Champagne somente para uma ocasião especial, pois só o fato de abri-lo já torna qualquer ocasião especial."

Paul Claudel: "Senhores, no pequeno momento que nos resta, entre a crise e a catástrofe, nós podemos beber uma taça de champagne."


Para saber mais:
Livros: A Viúva Clicquot - Tilar J. Mazzeo
            Borbulhas Tudo sobre Champanhe e Espumantes - Aguinaldo Záckia Albert
            Vinho e Guerra -  Os Franceses, os Nazistas e a Batalha pelo maior tesouro da França                           (excelente livro, leitura obrigatória)

Deu vontade de provar um Champagne? Desculpem, a intenção era essa mesmo...

Um Brinde! Saúde!
               



domingo, 3 de abril de 2016

Alambre Moscatel de Setúbal 2010

Oi amigos, o post de hoje é sobre um vinho português licoroso: o Moscatel de Setúbal.

Que Portugal é a terra da boa gastronomia e dos bons vinhos já não é mais novidade para os enófilos e os amantes da boa mesa mundo afora. Também não é novidade que Portugal é o mais famoso país produtor de vinhos licorosos do mundo, com seus representantes: Vinho Madeira, Moscatel de Setúbal e, claro, o Vinho do Porto.

"Vinho licoroso é aquele que recebe a adição de aguardente vínica no transcorrer da vinificação, tornando-o mais alcoólico. A legislação brasileira obriga que tenham 14% a 18% de teor alcoólico. Contudo, situam-se entre 15% e 24% de álcool nos regulamentos europeus.
Por serem bastante alcoólicos, são geralmente bebidos como aperitivos (os secos e os meio secos) ou como digestivos (os doces e os muito doces)."
José Osvaldo Albano do Amarante, no Livro Os Segredos do Vinho


Moscatel Graúdo

Setúbal é o termo coletivo da DOC, demarcada desde 1907, na Península de Setúbal. O clima da zona é subtropical e mediterrâneo, influenciado pela proximidade do mar. A principal uva plantada desta DOC é a Moscatel Graúdo, sendo que o vinho deve ser envelhecidos por no mínimo 24 meses em barris de carvalho.


A gigante José Maria da Fonseca, muito conhecida dos brasileiros pelo vinho tinto Periquita, é a maior, melhor e mais antiga vinícola local, e é quem produz o Alambre. Este é um vinho branco de coloração dourada, muito denso, lágrimas grossas e lentas. Aroma de casca de laranja, mel e amêndoas. Um vinho generoso, caloroso em boca, perfeito para os doces, bolo inglês, panetone e queijos. Uma boa alternativa para quem gosta dos vinhos licorosos. Um vinho muito particular.
Álcool a 17,5%
Importado para o Brasil pela Decanter.
Preço: 110,30 reais, no site da Importadora.

Um brinde!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Piattelli Capricci Torrontés 2014

E de volta ao Zucca Gastrô, após uma pausa no blog em dezembro, mas reanimado para um novo ano e novos vinhos, com a mesma paixão.

O vinho de hoje é da uva Torrontés de Salta, Argentina. Futuramente será necessário dizer Torrontés de Salta, assim como Bonarda Argentina? Pois esta uva branca tem se destacado tanto no país vizinho que já penso em escrever desta forma também.


Cepa originária da Galícia (Espanha), e difundida nos países de colonização espanhola. Sendo transplantada para a Argentina, é na Província de Salta que, reconhecidamente exprime todo o seu potencial.

Origina brancos muito aromáticos, mas bem secos de sabor.



O Capricci é produzido pela Piattelli Vineyards com 100% da cepa Torrontés.

Na taça um vinho de cor amarelo-palha, lágrimas lentas e grossas.
Aroma intenso, muito perfumado, como uma boa Torrontés sabe ser. Floral intenso, herbáceo e cítrico.

Em boca é harmônico, fresco e com boa acidez, picante no final de boca. Elegante, suave e potente. Graduação alcoólica de 14%. Sirva na temperatura ideal dos brancos frutados secos: 6 a 8 °C

Uma boa opção aos Torrontés mais simples.

Adquirido no Emporium Nostra Adega de Florianópolis, custou 65,00 reais.

Outras sugestões de rótulos: Etchart Privado Torrontés e Crios de Susana Balbo Torrontés, os dois de muito bom custo-benefício.


Importado para o Brasil pela Vinhos do Mundo.
Um brinde e um Feliz 2016 para todos nós!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Quinta da Aveleda 2014 - Vinhos Verdes


Contribuição para o Zucca Gastrô, e hoje o post é sobre os Vinhos Verdes. Chega de chuva gente! Eu sei que os tintos fizeram sucesso nesses dias de ficar em casa, mas pensemos que o verão está a chegar.

A região dos Vinhos Verdes é a maior região demarcada de Portugal. Localiza-se no extremo norte do País, na fronteira com a Espanha, nas províncias do Minho e do Douro Litoral.



O Vinho Verde é um tipo de vinho absolutamente singular de Portugal.

O nome verde , tanto para tintos como para brancos, em linhas gerais, é uma descrição do seu estilo fresco, às vezes submaturado, e não sua cor, que é vermelha ou quase branco-água. É, como o nome diz, uma bebida de acidez elevada e para ser consumida jovem. 

Há duas versões para o nome Verde:
1) a "oficial", que credita o nome ao verde exuberante da paisagem da região do Minho
2) A verdadeira, de que eram vinhos feitos efetivamente a partir de uvas verdes, devido à conjugação de clima e das antigas técnicas de viticultura locais (vinhas exuberantes e regadas em profusão pela águas das hortas).
Luis Lopes (Revista de Vinhos de Portugal), no artigo "Vinho Verde a Origem de um nome" 
                                                                                 

De qualquer forma, isso não tem importância nos dias de hoje, já que a região se modernizou e apresenta uvas que atingem o ponto de maturação ideal.

Região do Minho- portugal

A região dos Vinhos Verdes é uma DOC (Denominação de Origem Controlada), das mais antigas de Portugal, na qual são produzidas aproximadamente 75 milhões de litros /ano, de vinhos verdes brancos e tintos, rosés e espumantes.


Neste clima úmido, as vinhas são extremamente vigorosas, o ácido málico extraordinariamente alto, e os níveis de açúcar natural da uva relativamente baixos, o que resulta em tintos e brancos com baixo teor alcoólico e definitivamente ácidos, um sabor local. 

Apesar de a maioria do branco Vinho Verde ser feito de uma mistura de uvas, que normalmente inclui Azal, Loureiro, Trajadura, Avesso e Pedernã (Arinto), alguns dos melhores são feitos exclusivamente de uva Alvarinho, cultivadas ao redor de Monção.


Algumas dicas para os Vinhos Verdes:


O melhor é prová-los enquanto jovens, mesmo.
Sirva gelado, a uma temperatura ideal de 8 a 10 °C.
Melhoram muito com a comida, e harmonizam muito bem com a cozinha portuguesa, claro. Prove-os com pratos leves, peixes, ou um Bacalhau à Gomes de Sá, por exemplo, ou como aperitivo, na conversa com os amigos em um belo dia de calor.

Trouxe um Vinho Verde bem típico:

Quinta da Aveleda Vinho Verde 2014
De uma das casas mais tradicionais produtoras de Vinho Verde.
Visual amarelo palha.
Aroma média intensidade, típico, flores brancas e cítricos.
Em boca confirma os aromas, com média persistência.
Prazeroso e gastronômico.
Me parece ser a pedida certa para iniciar no mundo dos Verdes, pela tipicidade e pelo prazer que proporciona.
Álcool a 11%
Comprado no Emporium Bocaiúva no dia 21/10/2015, custou 63,20 reais.
Recomendável.


Na prova para este post provei outros dois vinhos que não estavam bons, o Muros Antigos 2014 e o Muralhas de Monção. (Já se diz que não existem grandes vinhos, mas apenas grandes garrafas, para diminuir o viés - mesmo vinho, diferentes garrafas, ok?). 

Então, muito cuidado na compra dos Verdes. Além de serem vedados com pequenas rolhas de cortiça, não foram feitos para durar, evoluir, nem suportam maus tratos, como mau acondicionamento, problemas no transporte e calor em excesso. São, como os alguns brancos, vinhos mais delicados. Mas quando prová-los de jovens e boas garrafas, ah! são uma beleza. (Boa escolha é o Casal Garcia também, esse mesmo que está em todas as gôndolas de supermercados pelo Brasil afora, simples e bom).

Lembrando, também com bom humor, um Provérbio português:
O bom vinho arruína a bolsa; o mau, o estômago.

Um brinde a todos!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O Carvalho

A madeira tem muitos mistérios!

Mais um post para o Zucca Gastrô. Desta vez o assunto é o uso de carvalho para a maturação dos vinhos. O assunto é extenso, mas nem por isso deixa de ser importante e prazeroso falar sobre ele. Acredito que, ao final, você poderá melhor perceber a importância do que foi exposto aqui, e também poder melhor apreciar uma taça com os amigos.

O hábitat natural do carvalho é o hemisfério norte temperado e subtropical. Estas árvores vivem vários séculos – algumas até mil anos, e atingem até 30 a 50 metros. São cortadas para fazer barris quando tem de 150 a 250 anos (30 m altura e 80 cm diâmetro).


O uso deste tipo de madeira para armazenamento de bebidas foi uma invenção dos gauleses (povo celta que habitava o território da atual França), no século III D.C. para transporte de vinho para Roma, em substituição às ânforas até então empregadas.

O maior produtor mundial de carvalho é a América do Norte, com mais de 700 milhões de metros cúbicos. A França produz mais de 400 milhões de metros cúbicos.

Localização das principais florestas:

EUA: Oregon, Missouri, Minnesota, Pensilvânia e Virgínia
FRANÇA: Limousin, Allier, Vosges, Never e Tronçais
EUROPA DO LESTE: Hungria, Lituânia, Rússia, Eslováquia e Ucrânia

O carvalho utilizado na produção de vinho pertence ao gênero Quercus, de diferentes espécies: Súber, Alba, Petrae e Robur.

Quercus súber, conhecido como carvalho corticeiro ou sobreiro, é a árvore da qual se extrai a casca para fazer rolhas.

Quercus alba  é o carvalho branco originário da América, inicialmente utilizado para envelhecer wisky e bourbons, e na atualidade muito utilizado para maturar vinhos.

Quercus petrae e robur são os carvalhos vermelhos, originários da França e sempre utilizados para maturar vinhos de qualidade.

O Q. Alba possui uma maior porosidade (grão mais aberto) devido a sua maior velocidade de crescimento e os petrae e robur são mais fechados. Por conta disso, a barrica de carvalho americana é mais barata que a de carvalho francês.

A barrica é feita a partir de duelas que são idealmente fabricadas pela prática de “hendidura” ou rachadura, o que permite abrir a madeira acompanhando as nervuras naturais. (evita a comunicação entre o interno e o externo das duelas). As fibras da duela partida ficam intactas.



É necessária uma secagem da madeira de 2 a 3 anos, no mínimo, para uma barrica de qualidade.

A madeira sofre então 2 queimadas: Queima de Aquecimento, que dura cerca de 25 a 30 min, para curvar as duelas, e a segunda chamada Queima de Tostadura para liberar os componentes gustativos e aromáticos da madeira:

São 4 os níveis de intensidade: Ligeira, Média (M), Média Escura (M+) e Forte.
  Mais usadas: M para os tintos e M+ para os brancos
                                         



Há interferência do gosto do vinhateiro e sua concepção para a escolha do tipo de barrica e sua tostadura? Claro! O famoso produtor Ângelo Gaja acha que o equilíbrio está com 40% do vinho em barrica nova e 60% em barrica de 1 ano, para os seus melhores vinhos.

Há que se destacar também que a profissão de Tanoeiro demanda sensibilidade e experiência, sendo muitíssimo valorizada pelas grandes vinícolas.

Muitos vídeos sobre Tanoaria estão disponíveis no youtube, mas quis destacar este, que dirige um outro olhar a esta antiga profissão:


Outros pontos importantes:
  • A vida útil de um barril, do ponto de vista da extração de aromas e aporte de taninos é de cerca de 3 anos.
  • Barris de carvalho têm alto custo e impacto direto no preço final de uma garrafa de vinho.
  •  Foram identificadas mais de 60 substâncias que a madeira libera no vinho.
  • Compostos odoríferos mais importantes do carvalho não-tostado:
                Lactona: madeira, côco e folhagem úmida de bosque (francês)

                Eugenol: cravo e especiarias (francês e americano do Oregon)

               Vanilina: baunilha (americano)

Observação: No carvalho Americano, os compostos de metiloctolactona e vanilina são quase iguais, determinando uma característica mais açucarada, com notas de côco e baunilha, menos complexas e delicadas.

Com o carvalho, o vinho sofre profundas modificações, ganha intensidade de cor, de taninos da madeira e compostos responsáveis pela complexidade aromática, (chamado de élevage em francês e crianza, em espanhol), pois é um meio de estabilização e de melhoramento da bebida.

Pois bem, mas como isso ocorre?

A porosidade da madeira determina intercâmbio entre o vinho e o oxigênio. O carvalho é levemente poroso, impermeável à líquidos, mas permeável a uma microoxigenação controlada. Assim, podemos concluir que os vinhos maturam em ambiente aeróbico e envelhecem na garrafa em ambiente anaeróbico, ok?



Esta microoxigenação leva à polimerização dos taninos, e, como consequência à uma diminuição da adstringência, produzindo vinhos mais aveludados. O que se quer com a oxigenação controlada é diminuir o teor de CO2, levando a uma lenta evolução de compostos fenólicos para a formação de aromas terciários.


A conclusão de tudo isso é que o armazenamento do vinho em barricas de carvalho determina a crucial relação do vinho com o oxigênio.
Mas, além disso, há uma modificação e estabilização da cor dos vinhos tintos, através da formação de copolímeros entre os antocianos (pigmentos coloridos da casca da uva) com taninos da madeira e com os taninos do vinho. Importante, não?

E quanto ao uso de "chips"? (lascas de carvalho misturados com o vinho). Isso existe também, claro. Eles funcionam para vinhos muito simples, de consumo imediato, que podem ganhar com esse aporte de aroma e sabor. Porém tendem a se perder depois de alguns meses do vinho engarrafado e não proporcionam a mesma qualidade das barricas, nem a microoxigenação.

Isto merece uma consideração. Uso de chips? Tudo bem, mas isso deveria ser descrito no rótulo do vinho, não? Os consumidores tem o direito de saber. É algo que precisa ser regulamentado sim.

Por fim, já passamos pela Era do Carvalho na produção de vinhos. Hoje o que se vê e o que se espera é que a essência da uva prevaleça, com vinhos com identidade e com diversidade.

Citando experts:

“A madeira pode violentar o vinho; mas, como qualquer tempero, pode dar mais qualidade a certos vinhos caso venha a combinar-se com eles harmoniosamente, em vez de chamar toda a atenção para si mesma”.
Guido Rivella


“Num bom vinho, tudo deve ser harmonioso; a qualidade sempre está vinculada a um jogo sutil de equilíbrios de sabores e aromas.”
Émile Peynaud



Espero que este texto possa , de alguma forma, ajudar no prazer de degustar o vinho, nosso principal objetivo. Saúde!!!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Terroir

É com grande alegria e prazer que escrevo novamente um post para o Zucca Gastrô, e desta vez abordaremos o termo terroir.

Vinhedo na Provence

Se você é apreciador de vinhos, já deve ter ouvido a palavra terroir. Mas que diacho é isso? Tão complicando meu vinho...

Na verdade, saber e aprender sobre o terroir é importante mesmo, porque diferencia o vinho de todas as outras bebidas do mundo.

Vale do Rio Douro - Portugal

 Em todo vinhedo, uma combinação única de clima, topografia, e solo modela o caráter das vinhas que ali crescem e das uvas que elas produzem. Por sua vez, o vinho feito dessas uvas reflete o aspecto deste lugar.

Terroir é uma palavra de origem francesa que compreende todas as várias e únicas combinações de geografia, clima, viticultura que influenciam as uvas em cada particular área vinícola, tanto um único vinhedo como uma região inteira, incluindo solo, chuvas, sol, ventos, inclinação do solo, irrigação e drenagem.

Piemonte - Itália

O conceito que está por trás de terroir é que dois vinhedos não são exatamente os mesmos. Simples? Pois é isso mesmo.
Até uvas exatamente da mesma cepa criarão vinhos diferentes no gosto, devido à unicidade do terroir sobre o qual cada uma foi cultivada.
Por isso que não é difícil ouvir, de forma romântica, que o vinhateiro expressa o terroir, o solo, através do seu cultivar (no caso, a uva).

Marlborough - Nova Zelândia


Essa diversidade de terroir (uma combinação de solo, clima e indefinível "senso do lugar") é altamente valorizada entre os produtores de vinho e especialmente entre os colecionadores.

Por isso os produtores criam regras específicas para ter a denominação DOC (Denominação de Origem Controlada), porque isso equivaleria a ter um "produto de terroir", um produto único, próprio de uma área delimitada.
No Brasil temos a DO do Vale dos Vinhedos ( a D.O. possui regras de cultivo e processamento mais restritas do que as estabelecidas para a Indicação de Procedência -I.P.), o que traz valor agregado ao produto, garantindo que o mesmo é produzido dentro dos limites do território, sob regras restritas. Bacana não é?

Veja aqui toda a lista de vinhos brasileiros com a D.O. do Vale dos Vinhedos:

http://www.valedosvinhedos.com.br/vale/conteudo.php?view=97&idpai=132

Na foto abaixo, uma garrafa de 6 litros ( chamada de Mathusalem ou Impériale) de Lote 43 Safra 2011 que tive o prazer de compartilhar com amigos em uma confraternização muito especial.

Um blend de Cabernet Sauvignon e Merlot, complexo e potente, com 14% v.v.


Enfim, o Lote 43 da Miolo é um dos vinhos que trazem no rótulo o selo da D.O. Vale dos Vinhedos, e é um dos vinhos nacionais obrigatórios na adega de qualquer um.

Adquirido em 20/04/2015, em Caxias do Sul, na Boccati Vinhos, e custou 486,00 reais. (Na Vinícola Miolo não encontrei).




Um Brinde!
No próximo post: O Uso de Carvalho no Vinho.
Aguardem!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Restaurantes Alemanha

Outra de nossas aventuras gastronômicas foi na Alemanha, e, entre inúmeras incursões à culinária local, escolhi dois lugares muito especiais:

1) Paulaner
Situada próxima ao local onde ocorre a Oktoberfest, está este restaurante da famosa cervejaria Paulaner (sugestão do Assis e da Rê).



 Desculpem por não saber o nome desta entrada, (os nomes aqui são impronunciáveis e incompreensíveis para mim que não sei nada de alemão).
Pedimos uma sugestão para a atendente que nos serviu esta tábua:


Estava muuuuuuito boa.
Como prato principal, pedi joelho de porco.


E, para acompanhar, as muitas cervejas Paulaner, com seus gostos e aromas diversos. Eles servem vinho também, mas não foi desta vez que o pedi. (Uma santa traição à bebida de Baco, mas estava na terra da cerveja). Um dia espero ir à Stuttgart, locar um carro e fazer a rota do vinho alemão (os vales do Mosel e Reno), mas essa fica pra uma próxima.


Paulaner Brauhaus
Endereço: Kapuzinerpl. 5, 80337 München, Alemanha
Telefone:+49 89 5446110

Em um outro dia, locamos um carro, uma turma de amigos, e fomos pelo interior da Baviera conhecer o Castelo de Neuschwanstein.



Na volta, e atendendo aos pedidos (alô Elis e Ararê!), fomos à cidade de Erding, a cerca de 40 Km de Munique, conhecer a fábrica e o Restaurante do Hotel da famosíssima cervejaria Erdinger. Foi o término de um dia de uma espetacular jornada pelo interior da Alemanha. Uma experiência incrível.

2) Erdinger
Não chegamos à tempo para uma visita à Fábrica, mas fica aqui um registro.



Rumamos então direto para o principal: o  Hotel da Cervejaria, que tem um excelente restaurante para os hóspedes e aberto aos turistas também.






Uma cidade de pouco mais de 30.000 habitantes, pitoresca e típica da Baviera, um charme só.


Degustamos alguns tipos de cerveja Erdinger, não lembro de todas e também não sou conhecedor do assunto, todas muito boas e, na minha humilde opinião melhores que da Paulaner e da Schneider (outra cervejaria que fomos em Munique).


Pedi, como prato principal, uma mistura de vários tipos de carnes (porco, frango e pato, além de batata e chucrute). Os molhos são à base de cerveja, claro, e são uma delícia.
O Chucrute da Paulaner é mais suave ( gostei mais), mas a combinação desse prato foi imbatível!


De sobremesa um Apfelstrudel, olhem só!!


Os preços deste restaurante são bem em conta, mais baratos que as outras cervejarias, (acho que por ser uma cidade menor), e foi o restaurante de que mais gostamos.


Rumamos de volta para Munique, já era noite. Que vontade de voltar!!!

Para saber mais:

http://www.hotel-erdinger-weissbraeu.de/cms/de/startseite.php