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sábado, 11 de julho de 2020

Maison Auvigue Pouilly-fuissé Solutré 2018

    A Rocha de Solutré  é uma escarpa de calcário a 8 km a oeste de Mâcon, na França, com vista para a comuna de Solutré-Pouilly.  É um lugar icônico no departamento de Saône-et-Loire, em Bourgogne-Franche-Comté.  Protegido pela lei francesa e atualmente no centro de uma operação nacional de conservaçāo, ele se destaca por ser um raro fenômeno geológico da região, por ser um local pré-histórico da cultura paleolítica solutrea de mesmo nome, e pela beleza natural.  O ambiente que a sua cúpula oferece, tem flora e fauna distintas.  Ocupado pelo homem há pelo menos 55.000 anos, é também o berço da denominação de vinho Pouilly-Fuissé. 


    Existem várias denominações village na região do Mâconnais, sendo que as mais famosas são Pouilly-Fuissé e Saint-Verán. Os melhores vinhos desses villages exibem notas maduras de frutas tropicais e de caroço, sendo a maioria deles envelhecidos em barril durante um período de tempo para aumentar a textura e adicionar sabores. As videiras estão implanta das nas encostas calcárias da Roche de Solutré. Estás encostas em forma de anfiteatro, onde o sol dá em cheio, ajudam a produzir alguns dos Chardonnay mais ricos e mais maduros da Borgonha, os quais muitas vezes são complementados por sabores tostados da madeira.


Chez France (R$ 197,00 maio 2020). Dourado pálido, aromas de abacaxi, melão, cítricos, notas lácteas evidentes, baunilha. Seco, médio corpo, bom volume de boca, textura cremosa, final médio. Mais ao estilo ‘gordo’ de Chardonnay, privilegiando a malolática. Um bom vinho.

domingo, 14 de junho de 2020

Domaine Jaffelin Rully 2017

A Cote Chalonnaise fica ao sul da Cote D'Or (o coração da Borgonha) e possui cinco village: Bouzeron, Rully, Mercurey, Givry e Montagny. Cada um desses villages tem vinhas premier cru, mas não vinhas grand cru. 


As vinhas da Cote Chalonnaise possuem uma maior altitude, e,  por causa disso, a vindima é um pouco mais tarde, e o amadurecimento é menos certo. Embora as vinhas continuem a estar em encostas (como na Cote D'Or), nem sempre tem orientação Este. Como resultado os vinhos são mais ligeiros, e tendem a estar pronos a beber mais cedo.
WSET 3 - Livro Compreendendo o Vinho: explicando o estilo e a qualidade.


Vinho de cor dourado pálido. Aromas de intensidade média predominantes de abacaxi e baunilha, juntamente com  melão, flores brancas, cedro. Em boca tem muito bom corpo, preenche o palato, com muito boa acidez, o que dá força ao conjunto. O estágio em carvalho lhe deu elegância, sem excessos. Álcool a 13,5%. Um grande Chardonnay.

Quem importa para o Brasil é a Chez France - https://loja.chezfrance.com.br/

Adquirido pelo site, em Maio 2020, valor de R$ 128,00.



sábado, 30 de novembro de 2019

Vinhos do Chile Dia 3 - Valle do Aconcágua - Viña Von Siebenthal e Errázuriz

Dia 3 - Valle do Aconcágua 


Chegou a hora de conhecer o Aconcágua, outra área de produção de vinhos de alta qualidade do Chile, o que fizemos no dia 25/07/2019. Um outro grande dia de vinhos neste admirável País, uma outra grande experiência que compartilho agora com vocês.

Primeira parada: Viña Von Siebenthal

Não sei porque essa Vinícola não fez parte do Guia Descorchados 2018. Encontramos através de indicações de amigos e pela proximidade com a Errázuriz, vinícola ícone do Chile e vizinha à Von Siebenthal. Como qualquer outra vinícola, agende previamente a visita, facilita quem lhe recepciona, para que a experiência seja ainda melhor.

 
O proprietário é o Sr Mauro Von Siebenthal, um suíço que imprimiu sua filosofia em sua produção de vinhos, em Panquehue, Vale do Aconcágua, um terroir muito especial do Chile.



Quem nos recebeu gentilmente e apresentou a Vinícola foi a Sra. Soledad Latorre, responsável pelas visitas.

Linha completa de Vinhos

Fez parte da degustação uma linha de 3 vinhos, ao custo de $ 20.000. pesos por pessoa:

Carmenére Gran Reserva 2016 - particularmente gostei desse carmenére porque ao invés de outros mais comuns não traz o herbáceo no olfato e paladar enjoativos da cepa. Méritos para o terroir / mão do produtor, mesmo assim não poderá ser meu preferido, mesmo.
Parcela #7 Gran Reserva 2014 - um blend de Cabernet Sauvignon, Petit Verdot, Merlot e Cabernet Franc. Um vinho mais ao estilo Velho Mundo. O tempo em garrafa lhe conferiu as notas florais e de frutos vermelhos, terra, cogumelos. Muito bom custo-benefício.  
Carabantes Syrah 2017 - Concentrado, potente, com incríveis 15,7 % de álcool, o Carabantes agradará a todos que apreciam a syrah e sua tipicidade, com aromas de frutos negros, alcatrão, couro. Em boca é uma delícia. Um grande vinho.



Abaixo tabela dos valores dos vinhos em Julho 2019.



Segunda Parada: Viña Errazuriz

A Errazuriz é a Vinícola mais importante do Vale do Aconcágua, e visita obrigatória para quem vai a essa localidade. Inicialmente com vinhas na parte central do Vale, hoje expandiu sua área em direção à Costa.onde é possível produzir vinhos de clima frio.







Fizemos o Tour Max Reserva + almoço no restaurante da vinícola. (Visita à Vinícola / degustação de 3 vinhos):

Errázuriz Aconcagua Costa Chardonnay 2018 - Descrição do vinho aqui

Errázuriz Aconcagua Costa Syrah 2017 - outro excelente syrah, onde predominam as notas de frutos negros, o chocolate, terra molhada. Taninos finos em boca, muito boa acidez, um vinho macio, de impressionante qualidade.

Don Maximiano Founder's Reserve 2016 - um blend de 69% de Cabernet Sauvignon, 12% de Malbec, 8% de Petit Verdot, , 8% de Carmenére e 3% de Cabernet Franc. Passagem em barricas de carvalho Francês por 22 meses, sendo 65% novas. Um festival de aromas na taça, de frutos vermelhos como cereja madura, café, chocolate, especiarias. Equilibrado, potente e persistente em boca, complexo. Um grande vinho, um dos ícones da Vinícola. 


Um Late Harvest com a sobremesa porque ninguém é de ferro!!

http://www.errazuriz.com/

Recomendo muito a visitação ao Vale de Aconcágua, para provar vinhos únicos. Uma grande experiência, das melhores que fizemos no Chile.
Abraço a todos.

Errázuriz Aconcagua Costa Chardonnay 2018






Vinho de cor amarelo-limão de média intensidade, lacrimoso, aromas de frutas cítricas, limão siciliano, abacaxi, maracujá, flores brancas. Em boca é seco, de corpo médio, untuoso sem ser enjoativo, por causa da muito boa acidez, e passagem por madeira sem exageros. Enaltece a fruta fresca, o sabor primário da chardonnay. Com muito boa tipicidade. Excelente.

Um vinho de clima frio, como o próprio nome sugere (Terroir de clima frio por causa da influência marítima e proximidade de 12 Km da Costa do Oceano Pacífico).

Álcool a 13%.

Adquirido na Vinícola ao custo de $ 9.312, pesos em 25/07/2019. Prova desta garrafa realizada em 03/11/2019.
Saúde!

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Espumantes Ferrari

Essa viagem fizemos em Julho de 2017. Nesses dias, visitamos dois dos melhores produtores de Amarone : Giuseppe Quintarelli pode ser visto aqui, e Dal Forno Romano aqui , nos arredores de Verona e de lá contornamos o Lago de Garda e será que daria tempo de visitar a Ferrari em Trento também? O nome Ferrari nos lembra o formidável automóvel fabricado em Modena , que dispensa apresentações. Mas,  é do espumante Ferrari que estamos falando agora, tradicional vinícola da belíssima cidade de Trento, norte da Itália.


Chegamos no horário que saía o último grupo para visitas, com outros dois casais de italianos e foi uma visita espetacular também.







A vinícola conserva as tradições, peças e ferramentas que foram usadas para a produção do espumante em uma espécie de museu, que o visitante acaba por conhecer também. Como tinham dificuldade na importação do maquinário para a produção do espumante, os italianos da Ferrari as fabricavam, aos moldes da produção de champagne na França (sempre eles).






Pudemos provar o Ferrari Brut, Maximum Brut e Perlé - excelente espumante, mas um dos mais elaborados, e mais caros da casa é o Giulio Ferrari (este nome em homenagem ao fundador da Empresa, que hoje pertence à Família Lunelli).
Ao final da visita, degustação e compras.



Check-in no Grand Hotel Trento (recomendo muito).
À noite tínhamos uma reserva no restaurante da vinícola, o Locanda Margon, um dos melhores restaurantes de Trento, 2 estrelas Michelin, o projeto gastronômico da Família Lunelli. Um restaurante com pratos para harmonizar com o espumante. Parece uma excelente idéia não? Fizemos a reserva no Bistrô La Veranda. Infelizmente não tirei fotos dos pratos servidos, nem do local. Fomos atendidos muito bem e tenho para lhes dizer que o restaurante é difícil de achar, pois está fora da cidade, mas vale muito a pena.

Para saber mais: https://www.ferraritrento.com/it/

https://www.locandamargon.it/

Quem importa para o Brasil os espumantes Ferrari é a Decanter.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sobre Asiáticos, a Borgonha e o Montrachet.

Esta é outra sobre ficar procurando até achar. 
Uma viagem atrás de uma garrafa de vinho, literalmente.

Foi em 2013, estávamos no interior da Borgonha tentando achar algum vinhedo Montrachet para visitar, tirar foto, enfim, conhecer. Após perguntar para vários camponeses da região (a maioria não fazia idéia do que estávamos à procura), e entrar em vilarejos onde não se avistava uma alma viva, fomos parar à frente da pedra fundamental do famoso vinhedo Chevaliers - Montrachet. Minha esposa é uma heroína de me acompanhar, ainda bem, hehe. Tiramos foto, ficamos ali por uns cinco minutos. Quando íamos embora avistamos ao longe dois automóveis vindo em linha reta, em nossa direção, em alta velocidade, uma nuvem de poeira atrás dos carros, uma cena de filme.

Ficamos olhando atentamente os carros se aproximarem e eles pararam onde estávamos. Começou a descer gente que não acabava mais, no início fiquei surpreso, depois achei engraçado. Um rapaz conduzia a todos, muito simpáticos, e foram abrindo garrafas de Montrachet e nos servindo a todos. Eu estava muito surpreso. How much should I pay? For free! For free! respondeu o rapaz. Era um grupo de turistas que estavam a visitar a Maison Latour e foram brindar com Montrachet em frente aos vinhedos.

Minha esposa tirou a foto


Mais uma dessas histórias que ficarão para sempre na memória. Um brinde!!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Bebendo Champagne : Moutard Brut Reserve

'Bebo Champagne quando estou alegre e quando estou triste. Algumas vezes o bebo quando estou sozinha, e, quando estou acompanhada o considero obrigatório. Me divirto com ele se estou sem apetite e o tomo quando estou com fome. Fora isso jamais o toco, a não ser que esteja com sede.'
Elisabeth Bollinger


Iniciando esse post com a célebre frase de Madame Lily Bollinger, uma das citações mais famosas do mundo do vinho, e para o Zucca Gastrô, com um tema bacana demais, muito extenso e prazeroso.

Um dos símbolos da França, o Champagne tem enorme prestígio mundial, estando associado ao glamour, à amizade e às grandes celebrações. É sinônimo de excelência, sofisticação e bom gosto. E, apesar disso, por trás de uma taça de cristal com um excelente vinho borbulhante, há uma história de determinação e coragem de homens e mulheres na luta contra pragas, clima adverso, guerras e invasões.
Parece bastante não é? Pois um professor falou 3 minutos sobre Champagne com seus alunos e encerrou dizendo: - Sobre Champagne ou falamos 3 minutos ou 3 dias!
Tentaremos ser breves, mas nem tanto.

Sobre a Localidade:




Champagne está situada no Nordeste da França, a 150 Kilômetros de Paris, em uma região bastante fria, com um solo calcário muito particular, o que a torna um lugar único no mundo para a produção de vinhos.

A região empresta o nome à bebida, podendo existir somente um Champagne, aquele mesmo produzido ali, naquela pequena região demarcada e que possui um controle rígido sobre a produção do espumante.

 Por ser um importante centro comercial, unindo importantes rotas, teve por causa desta condição sua riqueza e sua desgraça, sendo palco de guerras terríveis, e é considerada a região mais conflagrada da França.






Podemos dizer que o Champagne, esse estranho vinho que fermentava por duas vezes, inventou-se por si só, graças a uma série de circunstâncias peculiares, as quais envolvem inclusive o transporte deste à Inglaterra.

O monge beneditino dom Pierre Pérignon restaurou a adega da Abadia de Hautvillers, e,  grande estudioso das vinhas e dos vinhos, escolhia a composição com a qual eram elaborados os espumantes. Ele desenvolveu a enologia de forma meticulosa e elevou o Champagne a um patamar de qualidade que antes não havia. Palmas para ele!





A Champagne (desta vez é só a bebida gente!) é produzida com 3 castas tradicionais: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier.

A Chardonnay (uva branca) contribui com os aromas delicados, de notas florais, frutas cítricas, às vezes minerais.

A Pinot Noir (uva tinta) contibui com aromas de frutas vermelhas e imprime sua personalidade ao assemblage, com corpo e potência.

A Pinot Meunier (uva tinta), dá vinhos suaves e frutados, e trazem maciez ao conjunto.

Produção do Champagne:

Colheita → Prensagem nos Vinhedos e Transporte → Recepção na Maison → Elaboração do Vinho-Base → Assemblage → Licor de Tiragem - Engarrafamento → Segunda Fermentação nas Garrafas → Maturação nas Borras → Manuseio das Garrafas → Degola- dégorgement (Adição do licor de Expedição)  → Dosagem e Arrolhamento → Rotulagem → Expedição.

Os vinhos non-vintage (sem indicação de safra) devem ser envelhecidos durante um mínimo de 15 meses, 12 dos quais, como mínimo, devem ser em contato com as borras. Os vinhos vintage (com indicação de safra) devem ser envelhecidos por um mínimo de 36 meses (não existem requisitos extra para o envelhecimento em contato com as borras). Contudo, na prática, os produtores envelhecem os seus vinhos por mais tempo.

Segundo Christian Pol Roger, proprietário da Maison Pol Roger: "É bem simples: - Para um Brut não safrado: Fermentaçāo em cuba (1ª fermentação - alcoólica), depois vem a assemblage (mistura dos diferentes vinhos) , envelhecimento na cave, pupitre (cavalete onde se realiza a remuáge (rotação das garrafas) e repouso após a retirada do depósito.
Durante a segunda fermentação na garrafa, o contato de partículas de leveduras mortas entram em contato com o vinho, (processo chamado autólise). São trocas entre o resíduo e o próprio vinho. Isso confere à bebida força, complexidade, intensidade e até densidade. Assim o vinho adquire personalidade, amadurece. A etapa seguinte consiste em retirar este depósito de leveduras mortas. Assim, as garrafas são postas em estantes a 45°, o depósito de leveduras deslizando em direção à base com a mexida. As garrafas serão abertas para a extração do depósito e adiciona-se licor de expedição em função de sua natureza: Nature, Brut, Demi-sec, Sec, Suave."

A quantidade de açúcar da mistura (licor de Expedição) determina o tipo de Champagne:

Nature: (sem adição de licor)
Extra Brut: Bem seco (até 6 gr/l)
Brut: seco (até 15 gr/l)
Extra-dry: (12 a 20 gr/l)
Sec: Levemente seco (17 a 35 gr/l)
Demi-sec: meio doce (33 a 50 gr/l)
Doux: relativamente doce (acima de 50 gr/l)

Cada Maison imprime um caráter, um padrão no seu estilo de Champagne, visando conquistar um público fiel e personalizando a sua bebida. (Mas, como é de se esperar, muitos desses padrões são comuns a todos, determinados rigidamente pelo CIVC - Associação que representa todas as Maisons, e que zela pela alta qualidade dos vinhos produzidos).

Pierre Taittinger: "Cada fabricante tem seu estilo. Ninguém é melhor do que ninguém. Nós cultivamos as diferenças, mas a mesma exigência de excelência nos aproxima."

As diversas categorias de Champagne:

Blanc de Blancs: Champanhes produzidos com a uva Chardonnay
Blanc de Noirs: Produzidos exclusivamente de uvas com casca escura, vinificadas em branco
Cuvée: uma assemblage, uma mistura, o que todo champanhe é.
Non- Vintage: contém vinhos de mais de um ano
Vintage: vinhos de um único ano



Champagne Moutard Brut Reserve



Champagne produzido com 100% Chardonnay, portanto um Blanc de blancs, vinhas de 10 a 20 anos de idade, 36 meses de envelhecimento na cave com as borras (sur lie).

O Moutard Brut Reserve tem os aromas típicos e que definem o Champagne: Tostado, brioche , frutas secas e amanteigado. Um bouquet elegante e fino.

Gustativamente é seco, delicado, com muito boa acidez e um colchão de espuma macio em boca.
Muito bom como entrada ou com frutos do mar. Álcool a 12% vol.
Atenção à temperatura de Serviço: 8°C.

No Supermercado Angeloni em Florianópolis, custa 189,00 reais (05/08/2016).

http://www.angeloni.com.br/adega/produto.action?grupo=1011&idProduto=2790622




Para encerrar, algumas outras frases sobre Champagne, de cidadãos ilustres e inspirados:

Napoleão Bonaparte: "Na vitória você merece tomar Champagne, na derrota, você precisa dele."

Noël Coward: "Porquê eu bebo Champagne no café da manhã?! Não é o que todo mundo faz?"

Winston Churchill: "Lembrem-se, cavalheiros, não é só pela França que estamos lutando, é pela Champagne também."

Anthelme Brillat-Savarin: "Borgonha faz com que você pense em bobagens; Bordeaux faz com que você fale sobre elas e Champagne faz com que você as cometa."

Remy Krug: "Não se deve reservar o Champagne somente para uma ocasião especial, pois só o fato de abri-lo já torna qualquer ocasião especial."

Paul Claudel: "Senhores, no pequeno momento que nos resta, entre a crise e a catástrofe, nós podemos beber uma taça de champagne."


Para saber mais:
Livros: A Viúva Clicquot - Tilar J. Mazzeo
            Borbulhas Tudo sobre Champanhe e Espumantes - Aguinaldo Záckia Albert
            Vinho e Guerra -  Os Franceses, os Nazistas e a Batalha pelo maior tesouro da França                           (excelente livro, leitura obrigatória)

Deu vontade de provar um Champagne? Desculpem, a intenção era essa mesmo...

Um Brinde! Saúde!
               



domingo, 10 de abril de 2016

Montes Alpha Chardonnay 2013


Hoje o post é sobre um Chardonnay que fez sucesso em uma reunião de amigos no Emporium Bocaiúva. Este empório é uma casa clássica em Florianópolis, e espero postar sobre este lugar em breve. Não o frequento com tanta assiduidade quanto gostaria, mas sempre que vou é especial, porque dividir uma de suas mesas com os amigos é isso mesmo, especial demais. Bons vinhos, ótimos amigos, boa conversa, boa música, tudo de bom.
E minha esposa simplesmente adorou o vinho. Fazer o quê? Comprei uma garrafa para beber em casa e postar no blog.

O Montes Alpha Chardonnay é produzido pela Viña Montes, no Vale de Casablanca, Chile. Este terroir é o que se comprovou o melhor, até agora, para a produção de brancos no Chile.


De clara proximidade e influência marítima, é a primeira região de vinhos fria do Chile, e tem produzido Chardonnay e Sauvignon Blanc desde a década de 80. 

O nevoeiro de manhã cedo mantém as temperaturas baixas e adiciona umidade em um terreno que de outra forma seria seco. Brisas do meio-dia limpam a neblina, permitindo que a radiação solar atinja as vinhas fazendo com que a temperatura suba e se mantenha constante ao longo da tarde. Parece perfeito, não? 
Mas, o problema é quando há noites limpas e tranquilas, que é quando não há neblina, então o calor escapa e o ar esfria, provocando geadas que tornam esta uma região de difícil cultivo. O prêmio de trabalhar em Casablanca é que esta é uma região ideal para os brancos e para tintos de maturidade curta como o Pinot Noir, que vêm demonstrando alto potencial de qualidade, ou para o Cabernet Franc e o Merlot. 





Influência do Pacífico, brisas, baixa altitude, geadas, neblina, sol à tarde, todos esses fatores fazem de Casablanca um local único no mundo para a produção de vinhos. 



Vamos ao Montes Alpha?

De cor amarelo dourado, lágrimas lentas e grossas, aromas de fruta madura, abacaxi, banana, pêssego, manteiga, caramelo. Em boca tem boa persistência e clareza, é macio, untuoso, harmônico, com notas amanteigadas e com boa acidez. Álcool a 13,5%.  
Produzido com 100% de Chardonnay, 40% do vinho base passa em barricas de carvalho de primeiro e segundo uso, por 8 a 10 meses. Um vinho encantador nas palavras da minha esposa.

Quem importa para o Brasil é a Mistral.

Preço: 163,80 reais (barato, porque os desejos de my wife prezo muito, hehe)



Um Brinde!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Mais um Nacional! Bettú Chardonnay 2009


Das melhores experiências com vinhos nacionais que já tive, e uma oportunidade única de provar vinhos brancos e tintos com anos de evolução, visitar o Vilmar é sempre daquelas ocasiões que ficam para sempre na memória.
Neste ano fomos visitá-lo com uma turma de amigos, e o Chardonnay foi um dos vinhos que trouxe.



O Chardonnay Barricado 2009 é um vinho de cor amarelo dourada, lágrimas finas e lentas.
Aroma de cítricos como abacaxi em um conjunto que realça o estágio em madeira.
No gustativo confirma os aromas com um amargor de final-de-boca.

Tem o DNA da Serra Gaúcha, não há como não lembrar dos seus pares. Eu diria que este é diferenciado pelo conjunto e pela evolução, nos barris de carvalho e em garrafa. Um espécime raro. 8 meses de barrica. Álcool a 14%. Uma pena que passou do seu auge, está em declínio.
Poderia custar menos, mesmo sendo fã dos vinhos do Vilmar Bettú reconheço que há outros melhores por um valor muito menor.
Como dito anteriormente, comprado diretamente com o produtor, custou 130,00 reais.
(Provamos a garrafa de número 30, de um total de 300 garrafas).



terça-feira, 7 de abril de 2015

Chardonnay: A Rainha das Brancas

Dando sequência às postagens para o Zucca Gastrô, desta vez apresento novamente uma rainha de respeito, a representante das brancas: a uva Chardonnay.

A uva Chardonnay é considerada a "rainha das brancas" , sendo a cepa branca mais popular do mundo e considerada a melhor em termos de qualidade do vinho produzido.  Fornece vinhos encorpados, com acidez de mediana a baixa, persistentes, complexos, amendoados e longevos. Sua estrutura é propícia para passagem por barricas de carvalho. Tem papel fundamental no Champanhe e quando vinificada isoladamente dá origem aos "Blanc de blancs".

A admirável capacidade de adaptação da Chardonnay a diferentes climas (assim como no caso da tinta Cabernet sauvignon) garantiu a sua popularidade e versatilidade, já que responde à mais ampla variedade de técnicas de vinificação e dos estilos de cada vinho branco varietal. Seu sabor varia drasticamente do adstringente e metálico ao intenso e tropical dependendo de onde é cultivada e das técnicas de vinicultura empregadas. Pode ser vivaz, incisiva e mineral; ou suave, cremosa e intensa; por vezes untuosa e encorpada.

Em climas mais frios surgem sabores de frutas verdes, passando a frutas tropicais em regiões mais quentes. 





Os franceses da Borgonha elevaram a Chardonnay ao nível de estrela e protagonista ao elegê-la como praticamente a única uva branca para a produção de seus vinhos. veja aqui


Trouxe 2 representantes:


DV Catena Chardonnay - Chardonnay 2014
Produzido pela consagrada Vinícola Catena Zapata em vinhedos presentes em 2 diferentes microclimas de Mendoza, Argentina, (Agrelo, a 940 metros de altura e Villa Bastías, a 1150 metros) - no intuito de extrair as melhores características de cada região. Álcool a 13,5%.

Um vinho de cor amarelo-palha com halo verde, aroma a cítricos, abacaxi, pêra, um toque mineral. Discreta intensidade olfativa, mas um vinho que expressa muito bem a fruta, bem equilibrado. Em boca tem clareza, é correto, com boa acidez. Elegante. Final com certo dulçor, mas não é enjoativo. Com muito boa tipicidade, por isso o escolhi para esta postagem. Servir a 8-10ºC

Harmonizamos com tábua de frios e algo de que muito gosto com vinho branco, frutas como manga, figo e ameixa.
Por não ter muita estrutura, serve muito bem como entrada.
No mercado brasileiro o valor desta garrafa está por volta de 100,00 reais.
Provado em 27/03/2015






 Villa Francioni Chardonnay 2013
Produzido pela Villa Francioni em São Joaquim-SC

Um belo representante dos nacionais,  este Chardonnay é um vinho de cor amarelo ouro, apresentando na taça pernas lentas e grossas. Aromas a abacaxi, baunilha, manteiga e cedro. Estes, devido ao seu estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês.

Confirma em boca, com uma acidez bem presente, untuoso. Vivaz e elegante, embora o carvalho se sobressaia em demasia. Servir a 8-10ºC.

Não é da mesma qualidade que o excelente Lote I (até porque este não existe mais), mas bem representa a Chardonnay na terra brasilis.
Álcool a 13,0%
Provado em 29/03/2015
Comprado em São Joaquim - SC, custou 65,00 reais



Algumas sugestões para os vinhos de Chardonnay (lembrando que o gosto pessoal terá sempre a última palavra):

Salada de frango fria
Risoto com verduras (ex:aspargos) ou peixe
Massa com peixe ou frutos do mar
Preparações com frutos do mar (crus ou cozidos)
Peixes na grelha (tão diversos como truta, salmão), ou cozidos
Carnes brancas de frango
Queijos frescos e/ou azuis (com mofos)

Enfim, uma cozinha variada, indo da simples à elaborada. Aproveitem a versatilidade desta Rainha!



Um dia de calor na Toscana. Uma paradinha na Tenuta Trerose para provar um Chardonnay.

Why not?


sábado, 31 de maio de 2014

Vinhedos do Monte Agudo Chardonnay 2011


O tema deste mês para a CBE (Confraria Brasileira de Enoblogs) coube ao confrade Victor Beltrami, do Balaio do Victor: "Um vinho branco, de qualquer casta e país, com passagem por carvalho". Seguimos nos brancos!!

Confesso ser um fã da Chardonnay, é uma preferência pessoal, admito. Quando provo um vinho nacional à altura dos importados então, fico mais fã ainda. Mesmo conhecendo a safra 2010, resolvi provar a 2011 e mantive minha opinião: O Vinhedos do Monte Agudo Chardonnay é um dos melhores vinhos brancos do Brasil.


Produzido com 100% de Chardonnay, de vinhedos próprios, localizados em São Joaquim, Santa Catarina. Fermentação alcoólica em tanques de aço inox e amadurecido por 5 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso. Produção de 4.526 garrafas.

Vinho de cor amarelo dourado, com lágrimas lentas e grossas. Aroma intenso de banana e abacaxi maduro, com um toque elegante de baunilha. Mesmo tendo passado por madeira, nâo perde os caracteres da fruta. Muito intenso no palato, amplo, untuoso, com notas amanteigadas. Boa acidez e mineralidade. Equilibrado. Álcool a 13,1%.
Um vinhaço. Altamente recomendável.




Comprado no dia 14/05/2014 no Supermercado Hippo de Florianópolis, custou 63,34 reais.
Nota= 93 pontos


Este quadro minha esposa fez questão de colocar na sala!
Um Brinde!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Dádivas Chardonnay 2012


Produzido pela Vinícola Lídio Carraro com uvas provenientes de Encruzilhada do Sul- RS, com 100% da variedade Chardonnay.
Encruzilhada do Sul, segundo Eduardo Giovannini, grande estudioso dos vinhos e terroirs brasileiros, caracteriza-se por solos francos de média a baixa fertilidade, originados de granitos. O clima é similar ao da região serrana do RS, porém com chuvas de pior distribuição, normalmente ocorrendo seca no verão.
A combinação de relevo formado por leves ondulações, situado a 420 metros acima do nível do mar, solo arenoso e um microclima de inverno rigoroso, verão de dias quentes, noites frias e poucas chuvas, resulta em um terroir de boas surpresas, originando vinhos com ótima concentração de cor e boa estrutura.

Já havia provado este vinho em outra ocasião, aqui, mas como foi em ambiente festivo com os amigos, faltou uma análise mais detalhada, sem contar que a temperatura (por volta de 10 graus) hoje, estava mais adequada à apreciação deste Chardonnay.




Vamos ao vinho em questão:
De cor amarelho palha, com lágrimas lentas e grossas. Aromas elegantes de flores brancas e abacaxi em calda. Em boca é amplo, envolvente, de personalidade. Álcool a 14%. Um vinho para os fortes sem dúvida!
Vale a experiência e muito melhor do que vários dos seus vizinhos sul-americanos de preço equivalente.

Custo= comprado no Emporium Nostra Adega de Florianópolis, custou 45,00 reais.

Nota= 88 pontos

Um brinde!





sexta-feira, 7 de março de 2014

Reserva Momentos Assemblage 2010

A missão para a CBE deste mês era: Vinho branco de corte de qualquer faixa de preço, sugestão do confrade Deco Rossi.
Fui em busca de algo diferente e resolvi arriscar com os vinhos do Armazém Conceição, um empório e importadora que eu não conhecia. 
Por sugestão da casa, saí com 3 opções de vinhos brancos, um de corte, o qual posto aqui. (O que me entusiasmou foi o corte de Chardonnay com Sauvignon Blanc, que, mesmo em pequenas proporções, faz imaginar se isto é possível em um grande vinho).


Produzido pela Viña La Junta no Vale de Curicó, Chile, fundada no ano de 2009. Um corte de 65% Viognier, 26% Sauvignon Blanc e 9% de Chardonnay.
Parte dos varietais passa por madeira, mas no site da Vinícola não especificam isto. 
De cor amarelo-palha brilhante, com lágrimas grossas e lentas. Aroma inicialmente a cítricos, notas tropicais e pêssego em calda. No palato é amplo, quente, harmônico. Álcool a 13,5%.
Não encontrei de outra safra e com certeza ofereceria mais se fosse mais jovem, mas cumpre o papel de entrada, ou para escoltar um prato de peixe.
Nota= 85 pontos
Custo= 39,90 reais.
Um abraço a todos e bons vinhos pela frente!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Confraria 26.02.2014

Reunião mensal da confraria na casa do Helton onde foram degustados vinhos brancos e a pedidos, um tinto (porque nem todos apreciam os brancos).
Uma especialidade aqui de Florianópolis é o risoto de camarão, e como temos o produto de alta qualidade, nem precisa dizer que por mãos habilidosas o papo é em um nível superior. Méritos desta vez para o Ivanir, que não poupou esforços na cozinha.


Os vinhos brancos foram:


Brumont Gros Manseng - Sauvignon VdP 2012
Vinho francês da Região de Madiran, do produtor Alain Brumont.

Um blend com 50% de Gros manseng e 50% de Sauvignon blanc.

Aromas cítricos intensos, limão e maçã verde, confirma no palato,
com uma acidez marcante, seco, um vinho diferente e com vocação
gastronômica. Belo vinho, harmonizou muito bem com o prato,
vou repetir, com certeza. Álcool a 12%

Importado para o Brasil pela Decanter
Preço: 61,80 reais









Dádivas Chardonnay 2012

Produzido pela Vinícola Lídio Carraro em Encruzilhada do Sul - RS

Um Chardonnay típico, com aromas de mel e abacaxi, com boa untuosidade
no palato e boa persistência.

Eu gostei, mas confesso que fui seduzido pelo inusitado do vinho acima.

Outro que harmonizou muito bem com o prato. Mais uma vez parabéns ao cozinheiro
e a quem escolheu os vinhos. 




E o vinho tinto:


Dádivas Pinot Noir 2012

Outro da Vinícola Lídio Carraro, com vinhedos próprios em  Encruzilhada do Sul.

Um vinho que impressiona após o decanter, com aromas de frutos do bosque, cereja e especiarias.

Macio, elegante, saboroso e frutado.

Um belo vinho, que espero postar em breve com mais detalhes.

Preço: por volta de 50,00 reais





Na próxima reunião ficou de eu falar algo sobre os próximos vinhos. Responsa!!
Saúde e um abraço fraterno a todos!!!