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domingo, 31 de maio de 2020

Borgo San Leo Nero D’Avola 2015

O vento Sirocco é Um vento quente e seco, originado no Norte da África, particularmente no deserto do Saara, e devido às diferenças de pressão, invade a bacia do Mediterrâneo gerando um enorme impacto nas condições climáticas dessa região. Observemos na foto abaixo a Sicília, a península da Itália e a Grécia, por exemplo.

A Itália além de ter uma geografia muito particular, com montanhas como os Alpes e as Dolomitas ao Norte, ainda tem a Cordilheira dos Apeninos, que estende-se por mil kilometros ao longo do país , na região central e leste.
Aqui cabe um parênteses : são esses mesmos montes, a formação dos Apeninos lá no Norte, chamado de Arco da Ligúria, que isolam o Piemonte da influência marítima .

Mas não há geografia que impeça o quente sirocco de agir, invadindo a Sicília, deixa em certas áreas o clima mais seco e árido, propiciando as condições para que a viticultura se apresente da forma como a conhecemos hoje. Também invade A Puglia, e entre a Croácia, Bósnia e Itália chega ao Norte passando sem barreiras pelo mar Adriático, aquecendo a região de Friuli Veneza Giulia, que é limitada de um lado pela montanha, e de outro pelo mar, região esta que é famosa pelo produção de vinhos brancos. Interessante, não?


Voltando à Sicília,  com suas particularidades:
A Nero D’Avola está entre as uvas tintas mais plantadas da região e pode ser considerada uma das melhores cepas nativas da Itália. Seu sabor é caracterizado por uma acidez marcante e taninos finos, ocasionalmente agressivos. A produção baixa confere alto teor alcoólico e toques de ameixa e canela. Tem afinidade com o carvalho.


O Borgo San Leo Nero D’Avola 2015 é um vinho de cor rubi médio, com halo transparente, lágrimas numerosas e lentas. Aromas de média intensidade de ameixa e cereja pretas,  piso florestal, terroso. Em boca tem médio corpo, taninos macios, álcool se sobressaindo em relação à fruta. Mesmo tendo suas limitações quanto à falta de acidez e taninos é um bom vinho, que guarda a tipicidade da Nero D’Avola. Uma boa experiência. Um bom vinho e de bom custo-benefício.
Adquirido na Dignum Vinhos de Florianópolis em maio de 2020, custou R$ 74,00.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Curatolo Arini Paccamora Nero d'Avola 2013

Na Sicília se produz vinhos tão típicos quanto em outras regiões da Itália. Assim, provemos um Barolo do Piemonte, um Amarone do Vêneto, ou um Chianti da Toscana, e imediatamente o vinho nos reporta ao terroir, ao clima, aos vinhedos. A Itália é um país que expressa, em suas uvas, o seu País, a sua gente, a sua cultura, a sua mesa, o seu estilo e o seu bem viver. Escrevo isso admitindo a minha paixão por seus vinhos e por sua diversidade de estilos. Viva a Itália!



O vinho de hoje é um siciliano IGT produzido 100% com a casta Nero d'Avola. Não passa por carvalho, na tentativa de expressar somente a fruta.
De cor rubi, com pouca fluidez. Aroma frutado e característico, com muita cereja e algo de especiarias.
Em boca tem corpo médio, em equilíbrio com um corpo tornado caloroso pelo álcool, fino, ainda que exprimindo uma certa juventude, tânico e pouco sápido. Gastronômico como um bom italiano.
Um vinho do Mediterrâneo, de clima muito quente, sem dúvida.
Álcool a 13%
Comprado na Decanter em Florianópolis, custou 78,80 reais.
Nota= 88 pontos
Um Brinde!

P.S. Veja mais sobre outro Nero d'Avola neste link




domingo, 5 de outubro de 2014

Cellaro Lumá Nero D'Avola IGT 2012


Em um almoço de família pude provar este italiano que impressionou bastante, então resolvi comprar uma garrafa para postar no blog.



O Lumá é um tinto produzido com 100% Nero D'Avola, a mais importante uva autóctone da Sicília, pela Cantina Cellaro, uma cooperativa de produtores com cerca de 1.000 integrantes e é um IGT (Vinho proveniente de uma Indicação Geográfica Típica). 

A categoria IGT define áreas de produção bastante amplas, na maior parte dos casos uma região inteira e permite a produção de vinho com uvas autorizadas e recomendadas na zona, que muitas vezes oferecem uma grande escolha, deixando de fato ao produtor uma maior liberdade de produção*.


Uma pequena revisão da classificação de vinhos italiana:

DOCG: A mais alta classificação para vinhos de qualidade
DOC: Classificação equivalente à AOC francesa
IGT
VdT: Vino da Tavola, que é o vinho de mesa e que abrange a maioria da produção italiana. É geralmente de baixa qualidade, mas há exceções.







Neste vinho a fermentação alcoólica é feita em tanques de cimento e afinamento por 6 meses em barricas de carvalho francês.



Na taça uma coloração rubi com halo cor telha, aromas de especiarias e frutos vermelhos em calda, groselha. Pouco persistente.

No palato confirma os aromas, fim-de-boca frutado, mas com certa adstringência, seco, tânico, álcool a 13,5% e sobressaindo-se, caloroso. Um vinho simples. 
Contudo, considero boa a experiência, por se tratar de um vinho diferente, de uma uva autóctone que preserva a tradição do lugar onde foi feito.

Melhorou com o passar do tempo em taça.


Importado para o Brasil por Casa Flora


Comprado no dia 19/07/2014 na São Pelegrino Bebidas, em Caxias do Sul, custou 58,50 reais.

Nota= 86 pontos

* Fonte: Curso para Sommelier Internacional da FISAR