terça-feira, 1 de abril de 2014

Señorio de Guadianeja Tempranillo Gran Reserva 2001

Que bom que a sugestão para a CBE deste mês foi: Vinhos Evoluídos! Safras anteriores a 2004, (com pelo menos 10 anos de idade), do confrade Luis Cola, porque assim tive uma boa desculpa para abrir um Tempranillo de 2001, que havia comprado há 1 ano e não via oportunidade de provar. Outros confrades devem ter feito o mesmo, abrindo suas adegas e tirando lá do fundo suas preciosidades...
Já postei outro vinho da uva Tempranillo, acesse aqui,e queria uma oportunidade para abri-lo, em especial.



Produzido por Vinícola de Castilla na DO de La Mancha, que constitui o maior grupamento vitícola não só da Espanha, mas do planeta, porém é pouco expressiva em termos de qualidade comparado às outras regiões mais famosas, como Rioja, Priorat ou Ribera del Duero.
O Señorio é realmente é um vinho com vocação para a guarda, já que em sua elaboração utiliza-se 36 meses de passagem em barrica de carvalho americano e no mínimo 36 meses na garrafa, antes da comercialização.

Como uma revisão quanto à Legislação e ao afinamento do vinho na Espanha temos:

Crianza: Envelhecimento por um mínimo de 2 anos depois da colheita - pelo menos 6 meses (12 em Rioja e Ribera del Duero) devem ser em carvalho.

Reserva: 3 anos de envelhecimento (ao menos 1 em carvalho e 1 em garrafa)

Gran Reserva: Vinho selecionado envelhecido por pelo menos 18 meses em carvalho e 42 em garrafa.

De cor vermelho-terracota com halo cor de tijolo, lágrimas lentas e grossas. Aromas de mel, chá preto, especiarias, notas de café e frutas vermelhas discretas ao fundo. Em boca tem boa acidez e é elegante, confirmando os aromas. Um vinho quente, álcool a 13%, bem integrado. Taninos maduros e pouco ásperos, talvez pela idade, de boa persistência no final de boca. 
Um vinho diferente, de boa evolução e uma experiência interessante avaliar o que os anos fazem com os vinhos de guarda.

Qual um senhor de idade de rugas na face, não de preocupação, mas reveladoras de sabedoria e serenidade. Não um jovem cheio de disposição e vigor, mas um senhor que amadureceu por 13 anos para contar essa história.
Nota= 90 pontos.
Custo: Comprado no Carvalho Francês, aqui em Florianópolis, no dia 02/03/2013, ao preço de 98,90 reais.
Muito boa harmonização com um frescal feito ao forno (carne bovina maturada, proveniente de São Joaquim, SC), com batatas e uma salada básica. Nem precisa melhor.

Um Brinde, pessoal! Um abraço a todos.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Reserva Momentos Assemblage 2010

A missão para a CBE deste mês era: Vinho branco de corte de qualquer faixa de preço, sugestão do confrade Deco Rossi.
Fui em busca de algo diferente e resolvi arriscar com os vinhos do Armazém Conceição, um empório e importadora que eu não conhecia. 
Por sugestão da casa, saí com 3 opções de vinhos brancos, um de corte, o qual posto aqui. (O que me entusiasmou foi o corte de Chardonnay com Sauvignon Blanc, que, mesmo em pequenas proporções, faz imaginar se isto é possível em um grande vinho).


Produzido pela Viña La Junta no Vale de Curicó, Chile, fundada no ano de 2009. Um corte de 65% Viognier, 26% Sauvignon Blanc e 9% de Chardonnay.
Parte dos varietais passa por madeira, mas no site da Vinícola não especificam isto. 
De cor amarelo-palha brilhante, com lágrimas grossas e lentas. Aroma inicialmente a cítricos, notas tropicais e pêssego em calda. No palato é amplo, quente, harmônico. Álcool a 13,5%.
Não encontrei de outra safra e com certeza ofereceria mais se fosse mais jovem, mas cumpre o papel de entrada, ou para escoltar um prato de peixe.
Nota= 85 pontos
Custo= 39,90 reais.
Um abraço a todos e bons vinhos pela frente!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Confraria 26.02.2014

Reunião mensal da confraria na casa do Helton onde foram degustados vinhos brancos e a pedidos, um tinto (porque nem todos apreciam os brancos).
Uma especialidade aqui de Florianópolis é o risoto de camarão, e como temos o produto de alta qualidade, nem precisa dizer que por mãos habilidosas o papo é em um nível superior. Méritos desta vez para o Ivanir, que não poupou esforços na cozinha.


Os vinhos brancos foram:


Brumont Gros Manseng - Sauvignon VdP 2012
Vinho francês da Região de Madiran, do produtor Alain Brumont.

Um blend com 50% de Gros manseng e 50% de Sauvignon blanc.

Aromas cítricos intensos, limão e maçã verde, confirma no palato,
com uma acidez marcante, seco, um vinho diferente e com vocação
gastronômica. Belo vinho, harmonizou muito bem com o prato,
vou repetir, com certeza. Álcool a 12%

Importado para o Brasil pela Decanter
Preço: 61,80 reais









Dádivas Chardonnay 2012

Produzido pela Vinícola Lídio Carraro em Encruzilhada do Sul - RS

Um Chardonnay típico, com aromas de mel e abacaxi, com boa untuosidade
no palato e boa persistência.

Eu gostei, mas confesso que fui seduzido pelo inusitado do vinho acima.

Outro que harmonizou muito bem com o prato. Mais uma vez parabéns ao cozinheiro
e a quem escolheu os vinhos. 




E o vinho tinto:


Dádivas Pinot Noir 2012

Outro da Vinícola Lídio Carraro, com vinhedos próprios em  Encruzilhada do Sul.

Um vinho que impressiona após o decanter, com aromas de frutos do bosque, cereja e especiarias.

Macio, elegante, saboroso e frutado.

Um belo vinho, que espero postar em breve com mais detalhes.

Preço: por volta de 50,00 reais





Na próxima reunião ficou de eu falar algo sobre os próximos vinhos. Responsa!!
Saúde e um abraço fraterno a todos!!!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Grand Cru Florianópolis 21/02/2014

Quando alguns queridos amigos vieram nos visitar programamos um jantar na Grand Cru, uma conhecida importadora de vinhos perto de onde moramos. Que especial!
 O jantar estava excelente, a companhia melhor ainda, e os vinhos.... bem, os vinhos foram uma experiência interessante, por assim dizer.
Na sequência do serviço:

Vinho 1: Ornellaia Le Volte Bolgueri
Toscana IGT
50% Merlot, 30% Sangiovese, 20% Cabernet sauvignon
10 meses em barricas de 2 a 4 anos de uso.
Esperava mais desse vinho, já que sou fã declarado dos italianos. Me pareceu mais como um varietal sangiovese, mais simples, embora minha esposa tenha apreciado este. Achei um vinho vertical nos aromas, com boa acidez, , fácil de beber, mas nada muito empolgante.
Preço: 167,00 reais



Vinho 2: Matetic Corralillo Syrah
Vale de San Antonio- Chile.
12 meses maturando em barricas de carvalho francês. Aromas intensos de frutos vermelhos, violeta e especiarias. Taninos potentes com muito corpo, quente. Um vinho intenso, mas elegante. Não pareceu-nos ser um chileno, por não ser típico, essa foi a idéia de todos. Muito bom. Recomendável, claro. Decantar melhora o vinho.
Preço: 106,00 reais



Vinho 3: Zorzal Field Blend 2010
Valle do Uco - Argentina
70% Cabernet sauvignon e 30% Malbec mescladas no mesmo vinhedo e vinificadas em conjunto. 22 meses em barricas de carvalho francês.
Álcool a 14,5%
 Um vinho para ser decantado, porque de início o carvalho sobressai, mas evolui muito bem na taça. Muita fruta madura, folhas verdes, mentol e tabaco, especiarias. Muito elegante. Um vinho de terroir, é o que é. Recomendadíssimo. O vinho da noite em minha opinião.
Outro que se beneficia muito com o decanter.
Preço: 155,00 reais




Vinho 4: Zorzal Gran Terroir Malbec 2011
Valle do Uco- Argentina
13 meses em barricas de carvalho francês e americano de segundo e terceiro uso.
Álcool a 13,8%.
Por ser um Malbec diferente, sem aquele ataque e maciez característicos, mas com uma elegância e acidez marcantes, eu gostei muito. Não espere muito nos aromas, mas em boca é que cativa. Gastronômico.
Preço: 93,00 reais



Em resumo: Grandes Vinhos, Grande Companhia, Jantar Memorável (Mais Um!!).
Um Brinde!



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Toca da Garoupa

Um dos restaurantes que eu mais tinha vontade de conhecer aqui na Ilha, o Toca da Garoupa é dos mais tradicionais de Florianópolis. Com uma clientela assídua, desfruta de grande prestígio entre os moradores e os que de fora vêm para provar os pratos de peixes e frutos do mar, pratos estes aprimorados durante os anos de atividade da casa.
Fomos, eu e minha esposa, no sábado dia 01/02/2014, e encontramos um ambiente muito agradável, com funcionários atenciosos e cordiais.


De entrada um vinho branco para acompanhar os pratos. Queríamos provar um vinho aqui de SC, o Monte Agudo Chardonnay, mas infelizmente não foi desta vez, porque estava em falta. A pedida então, sugestão do site Veja Comer e Beber SC e foi um argentino Chardonnay Doña Paula Los Cardos, que harmonizou bem com a comida.

De entrada pedimos coquile de camarão, uma delícia (a imagem fala por si só).


Prato principal: Peixe (Cherne) ao molho branco com aspargos, maravilhoso:

E os acompanhamentos: arroz com curry e batata sauté: 
 Ficamos imaginando o que seria o coquile de siri de entrada e o camarão na moranga, mas essa fica para a próxima ( os glutões sempre ficam imaginando a próxima).
Resumo da Ópera: O vinho custou 75 reais, pedimos 2 águas e cafés e o custo total foi de 223,85 reais.
Venha com fome porque os pratos servem muito bem.
Altamente recomendável.
Um abraço e até a próxima!
http://www.tocadagaroupa.com.br/index/
Rua Alves de Brito, 178, Florianópolis.

Espumante Brut Chardonnay Aurora


Espumante produzido pela Vinícola Aurora pelo método Charmat em Bento Gonçalves com 100% de Chardonnay.

De cor amarelo-palha, com perlage fina e persistente. Pouco ataque nos aromas, mas com boa estrutura em boca e com destaque para uma acidez e cremosidade pronunciadas. Álcool a 12%. Passagem por barricas de carvalho segundo o site da Vinícola, mas não especificam o tempo. Uma boa opção de um espumante a bom preço. Servir à temperatura correta é importante (6-8°).

Nota= 88 pontos.

Custo= 39,11 reais, comprado no Supermercado Hippo em Florianópolis.

Um brinde!

Vinho Verde Varanda do Conde 2011


Um vinho verde vai bem em nosso verão, não? Excelente como aperitivo ou acompanhando um prato de peixe, um bom vinho verde é sucesso garantido.
A região dos Vinhos Verdes é a maior região demarcada de Portugal. Localiza-se no extremo norte do País, na fronteira com a Espanha, nas províncias do Minho e do Douro Litoral.
O nome verde , tanto para tintos como para brancos, em linhas gerais, é uma descrição do seu estilo fresco, às vezes submaturado, e não sua cor, que é vermelha ou branco-água.. É, como o nome diz, uma bebida de acidez elevada e para ser consumida jovem. Uma curiosidade é que os vinhos verdes tintos são servidos em recipientes, não em taças, e alguns são de elevada adstringência e acidez.
Há duas versões para o nome Verde:
1) a "oficial", que credita o nome ao verde exuberante da paisagem da região do Minho
2) A verdadeira, de que eram vinhos feitos efetivamente a partir de uvas verdes, devido à conjugação de clima e das antigas técnicas de viticultura locais (vinhas exuberantes e regadas em profusão pela águas das hortas).
Luis Lopes (Revista de Vinhos de Portugal), no artigo "Vinho Verde a Origem de um nome" 
                                                                                 
De qualquer forma, isso não tem importância nos dias de hoje, já que a região se modernizou e apresenta uvas que atingem o ponto de maturação ideal.

Como diz Luis Lopes novamente:
" A origem do nome Vinhos Verdes é como a estória do esqueleto do tio-avô pirata guardado no armário. Para a grande maioria, deve ficar lá para sempre, sem ver a luz do dia e muito menos vir tomar chá na sala. Para outros, entre os quais me encontro, deveria ser sentado à mesa e apresentado aos amigos, como parte da história de uma região que tem muito de que se orgulhar".
http://www.revistadevinhos.pt/artigos/show.aspx?seccao=editorial&artigo=621&title=vinho-verde-a-origem-de-um-nome&idioma=pt

Vamos ao vinho em questão:
O Varanda do Conde é produzido a partir das castas Alvarinho e Trajadura. Seco, com uma acidez viva onde predominam os aromas de frutas cítricas. Corpo médio e com um toque de mineralidade, com teor alcóolico de 12%.
Muito bom, com uma acidez que remete à gastronomia, pratos de peixe e frutos do mar.
Importado para o Brasil pela Casa Flora.
Custo: Comprado no Emporium Nostra Adega de Florianópolis, paguei 37,50 reais.
Melhor se servido em taças ISO e refrescado à 8°.
Recomendado.
Nota= 90 pontos.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Vinho Rosé do Velho Mundo

Minha primeira contribuição para a Confraria Brasileira de Enoblogs, da qual tenho orgulho de fazer parte. O tema do mês de Outubro era: Vinho rosé do Velho Mundo sem limite de preço. Como a minha experiência com rosés do Velho Mundo não é das melhores, porque já provei vinhos caros e decepcionantes nesses quesitos,  resolvi escolher em lojas especializadas e também por sugestão dos sommeliers.

         ClaudeVal Rosé 2012
Um rosé francês da Região de Languedoc-Roussillon, produzido por Domaine Paul Mas com as uvas Grenache (50%),  Cinsault (30%) e Syrah (20%).
Chama a atenção logo de início a bonita cor cereja deste vinho, límpido. Aroma floral e de frutas vermelhas como cereja em compota, não muito intenso. Boa acidez, teor alcoólico de 13%, harmônico. Para um dia de verão à beira da piscina, é o que lembra esse vinho, para ser bebido despreocupadamente.
Simples, bem vinificado, nada muito empolgante, mas valeu a experiência.
Nota=84 pontos
Importado para o Brasil pela Decanter, comprado na Loja da Decanter em Florianópolis. Custo= 39,10 reais  




Há melhores exemplares de bons vinhos nacionais e do Novo Mundo nesta faixa de preço, então resolvi apostar em outro, e constatei algo que parece ser uma regra no Brasil: não temos tantos exemplares desses vinhos à nossa disposição no mercado, a não ser franceses. Será? Gostaria de ter encontrado um espanhol ou um italiano, mas...


 Secret de Comptoir Côtes
 de Provence 2012
Vinho rosé da Provence, também composto de Syrah, Grenache e Cinsault. 
De tonalidade laranja, esmaecido. Passa no paladar como vinho branco, mas as notas de frutas vermelhas, não muito intensas, delatam a origem tinta das uvas. Delicado, com uma acidez correta. Não chega a empolgar. Quem deseja um vinho leve, delicado, deverá preferir este.
Álcool a 13% 
Nota=82 pontos
Custo= Importado para o Brasil pela Grand Cru, comprado na loja da Grand Cru em Florianópolis, custou 66,00 reais.






Um pouco decepcionado, mas não completamente derrotado, li no jornal uma matéria que falava dos rosés e recomendava o Prado Rey. Tive que provar.

Prado Rey Rosado 2011

Vinho rosé de Ribera del Duero, uma DOC das mais confiáveis da Espanha. Produzido por Real Sítio de Ventosilla - Pradorey, com 50% de Tempranillo e 50% de Merlot. Passa por 3 meses em barricas de carvalho europeu.
Na taça uma bonita cor cereja, aromas intensos de goiaba e especiarias. Em boca é pleno, denso, confirma os aromas, com boa acidez, um vinho gastronômico, sem dúvida. Álcool a 14%, sente-se bem a presença, potente.
Diferente dos demais, que primam pela leveza, este é um vinho potente e gastronômico. Eu virei fã. Uma excelente opção para recepcionar os amigos e impressionar com um rosé diferente, mas, mais ao estilo do Novo Mundo.
Nota= 93 pontos
Importado para o Brasil pela Decanter, comprado na Loja da Decanter em Florianópolis. Custo= 67,32 reais





Os vinhos não empolgaram tanto, a não ser o último, menção especial ao que provamos no mês passado na confraria para lembrar, do mesmo estilo dos franceses, mas mais aromático e elegante. Valeu muito a experiência, principalmente porque descobri o espanhol, que me impressionou bastante. 
Um Abraço a Todos.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Orus Pas Dosé





Produzido por Adolfo Lona em Garibaldi- RS, a este Espumante Extra Brut Rosé não foi adicionado açúcares ao licor de expedição, sendo que o mesmo foi maturado por 24 meses pelo método tradicional (Champegnoise).

Lote de 628 garrafas apenas, abri a de número 614.

Bonita cor salmão, perlage fina, delicada e muito persistente, com numerosa quantidade de borbulhas. Aromas delicados de baunilha, pêssego e flores brancas.
Em boca é vivaz, refrescante, com boas cremosidade, acidez e persistência. Gastronômico e elegante.
Um dos melhores espumantes que já provei.
Harmonizou com queijo brie, pães, óleo de oliva e fatias finas de lombo suíno defumado recheado com curry, da Jane alimentos, Braço do Norte, SC.

Nota=95 pontos

Custo: comprado diretamente na Vinícola, custou 100,00 reais.

Um Brinde!!


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Salton Gamay 2013


A sugestão para o post da CBE (Confraria Brasileira de Enoblogs) deste mês foi do confrade Silvestre, do blog Vivendo a Vida: "Vinho da uva Gamay livre de preço e país".
Algumas considerações são válidas para esta que é a cepa que produz um dos vinhos tintos leves mais célebres do mundo.
A gamay produz um vinho tinto que é excepcionalmente frutado, fresco e pouco alcoólico. É mais conhecida como a uva que dá origem ao Beaujolais Nouveau, um vinho jovem e frutado, feito e engarrafado imediatamente após a vindima de Beaujolais, Borgonha. Nos vinhos produzidos com Gamay, o caráter da cepa predomina.
Caracteristicamente conhecido como um vinho que deva ser bebido jovem, alguns vinhos de Beaujolais, das melhores safras, podem envelhecer muito bem.



Resolvi provar um vinho nacional, muito popular, produzido pela Vinícola Salton em Bento Gonçalves com 100% de uvas Gamay.

Coloração bordô pouco intensa, límpido, lacrimoso, pernas finas e lentas.

Aroma frutado, inicialmente framboesa e morango, também banana e pêssego maduro.
Delicado, jovem, com baixa acidez e pouco tânico. Bom volume. Leve e com certo dulçor, mas não enjoativo.

Muito bem vinificado, um belo conjunto, harmônico, álcool a 12%. Bela surpresa.

Comprado no Supermercado Angeloni em Florianópolis, ao custo de 28,50 reais.

Nota=89 pontos.
Como sempre acho que uma boa apresentação é indispensável, não posso deixar de exaltar o lindo rótulo deste vinho,  A Colheita da Uva, do meu conterrâneo de Caxias do Sul, Victor Hugo Porto, cujo trabalho vale a pena ser (re)conhecido. A imagem fala por si só. Parabéns.


Um brinde!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Confraria 29.01.2014


Reunião mensal da Confraria na casa do anfitrião do mês, confrade Darley, em uma noite agradável e de muito calor.

De entrada o espumante .NERO da Domno, branco e rosé.


Churrasco caprichado assado pelo Chico aqui de Florianópolis.

A proposta era: Degustação às cegas de dois vinhos tintos, que rendeu muita e boa conversa.


O primeiro parecia ser mesmo um vinho do Novo Mundo com um blend de uvas. Taninos macios, equilibrado, aromas a frutos vermelhos, passagem por carvalho que lhe conferiu elegância, com boa acidez e perfeito para as carnes. Blend com Merlot? Malbec?


O segundo vinho se assemelhava a um Tannat nos aromas, mas adstringente e austero, e com a pouca intensidade de cor e taninos , apontava em outra direção, mas qual?

Santo exercício de humildade!


Amauta 2012
Vinho 1: Amauta 2012
 Produzido pela Adega El Porvenir, em Salta, Argentina, o Amauta 2012 é um blend com 60% de Malbec, 30% de Cabernet Sauvignon e 10% de Syrah.
Álcool à 14,5%.
Envelhecido em barricas de carvalho francês e americano de segundo uso, entre 6 a 8 meses.
Preço: 75,80 reais (Nostra Adega de Florianópolis)

http://www.elporvenirdecafayate.com/




Marqués de Tomares
 Crianza 2009
Vinho 2: Marqués de Tomares Crianza 2009
Produzido pela Bodega Marqués de Tomares em Rioja, Espanha, com a uva Tempranillo (90%) e as inusitadas Mazuelo (Carignan na França) (7%)  e Graciano (Monastel)(3%) -Já postei sobre um vinho desta casta anteriormente- relembre.
Álcool à 13%.
Envelhecido um ano em barricas de carvalho americano

Preço: 69,00 reais (Nostra Adega de Florianópolis)

http://www.marquesdetomares.com/




Embora muito diferentes, ambos os vinhos combinaram com a comida. O vinho 1, ao qual estamos mais acostumados, foi o preferido pela maioria. O vinho 2 com seu diferente aroma e caráter gastronômico foi um desafio às cegas, mas com um caráter peculiar, do Velho Mundo.
E a degustação às cegas é um bom exercício para o apreciador de vinhos, porque presta-se mais atenção à prova, e livre de preconceitos quanto à procedência ou o preço, pode-se melhor proceder à avaliação. Um brinde!


Grande reunião de amigos, em torno do vinho, algo feito mesmo para compartilhar.


Saúde e Um Abraço a todos.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Vinho Rosé Taipa Pericó e Rosé Vinha da Defesa Herdade do Esporão

Já comentei sobre vinhos rosés anteriormente relembre, e não costumo postar vinhos que provo na casa de amigos, pelo simples fato de não querer cometer alguma injustiça na avaliação, nem ficar fazendo anotações na casa dos outros, muito chato isso, mas hoje me entusiasmei com os portugueses (novamente!) e decidi escrever minhas memórias.

Pericó Taipa Rosé 2011

Vinho produzido pela Vinícola Pericó em São Joaquim, Santa Catarina, com 60% de Cabernet sauvignon e 40% de Merlot.

Bonita cor salmão, aroma delicado de frutas vermelhas com um leve toque de baunilha, passagem por carvalho discreta. Boa acidez.

Pouco volume em boca, um vinho mais ligeiro, em declínio por armazenagem ou idade? Teria que provar o 2012 para saber. Um vinho mais delicado, mas nem por isso menos interessante.

Nota= 86 pontos







Vinha da Defesa Rosé 2011
Vinho produzido pela gigante Herdade do Esporão em Reguengos de Monsaraz, Alentejo, Portugal, com as castas Aragonez e Syrah.

Bonita cor cereja, aromas de morango, cerejas, confirma no  paladar, que é intenso e muito persistente. Como a maioria dos alentejanos, potente na graduação do álcool, 13,5%, mas que não transparece à degustação, porque o conjunto é muito harmônico.

Um grande vinho, altamente recomendável.

Nota: 94 pontos



Em resumo: dois vinhos próprios para serem provados também no verão. Penso que o nacional, por ser mais leve, harmoniza com entradas frias ou como aperitivo, e o português é mais gastronômico, evolui com a comida e a exalta. Combinou de forma excelente com um salmão ao molho de laranja.

Um brinde!

Espumante Rosé Brut Cave Pericó / Espumante Rosé Brut Adolfo Lona

Talvez pouco valorizados no Brasil, os espumantes rosés têm muito prestígio na região de Champagne e, como diz Adolfo Lona, representam um desafio para o enólogo combinar harmonicamente a força da uva tinta, que deve predominar, com a leveza da uva branca.
Esses dois espumantes são feitos pelo método Charmat (fermentação em autoclaves, sendo um método mais curto e fornecendo um produto mais simples em relação àquele resultante do método tradicional), e os escolhi por achar que são belos representantes deste tipo de espumante feitos no Brasil, ao mesmo preço (35,00 reais). Um embate entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Outros espumantes rosé que fazem sucesso aqui em casa são da Vinícola catarinense Kranz (de Cabernet sauvignon), e da Vinícola Fabian de Nova Pádua, RS (Champenoise e Charmat, provem os dois!). Por coincidência, mais uma comparação entre os dois estados vizinhos. Espero postar em uma nova oportunidade, quem sabe.
Vamos aos vinhos em questão:

Brut Rosé Cave Pericó
Espumante Brut Rosé Cave Pericó.
Vinho produzido pela Vinícola Santa Augusta em Videira, Santa Catarina, com 60% de Cabernet sauvignon e 40% de Merlot.

Já de início seduz pela sua bonita tonalidade salmão, perlage fina e persistente.
Aroma de frutas do bosque, ervas e caramelo. Em boca tem boa cremosidade, é refrescante, pleno. Álcool a 12,4%.

Prove, prove, prove. Vale o investimento. Desafio melhor espumante rosé em qualidade-custo.

Comprado no Supermercado Hippo em Florianópolis, ao custo de 35,00 reais.

Nota= 90 pontos
Altamente recomendável.




Adolfo Lona Brut Rosé

Espumante Charmat Rosé Brut Adolfo Lona

Produzido por Adolfo Lona em Garibaldi, RS, com 60% de Pinot Noir e 40% de Chardonnay.

Na taça uma cor de pétala de rosa e perlage fina. Aroma discreto a frutos vermelhos.

Muito boa cremosidade em boca, amargor final discreto, não compromete. Álcool a 12,7%.

Comprado diretamente na Vinícola, ao custo de 35 reais
Nota: 87 pontos




Em resumo: dois belos representantes das borbulhas nacionais, que acompanham muito bem as entradas ou para serem servidos no calor do nosso verão.
Um brinde!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

EQ Coastal sauvignon blanc 2012




O verão escaldante no Brasil (33°C em Florianópolis pela manhã, com sensação térmica de 40°C), me impossibilita de experimentar os tintos, a não ser em festas com os amigos, o que me impede de postar no blog de forma digna. Aproveito então para provar os brancos, de preferência os refrescantes e os espumantes, que combinam bem com nosso verão.
O vinho de hoje é um Sauvignon blanc da DO de Casablanca no Chile, que segundo os apreciadores e os meus amigos da CBE é um terroir propício para grandes brancos e os tintos de Pinot Noir. É uma zona de clima mediterrânico, pois recebe influência da brisa marítima vespertina. Os baixos níveis de chuva obrigam o uso de irrigação.
Produzido pela Viña Matetic, o EQ Sauvignon blanc tem a sua maturação desenvolvida em tanques de aço inox sobre as borras (sur lie), durante 4 meses. (Vale ressaltar que o Chile é o maior produtor mundial de Sauvignon blanc, em muitos casos de ótima relação qualidade-custo).

Vinho de cor amarelo-verdoso, com lágrimas lentas e grossas.

Aroma intenso de pimentão verde, cítricos (limão), envolto em notas herbáceas intensas. Na boca é seco com um final cítrico, mineral e de leve amargor. Caloroso. Álcool a 14%!

Para quem aprecia a Sauvignon blanc.

Comprado na Grand Cru em Florianópolis, ao custo de 70,00 reais.

Nota= 88 pontos.

Acredito que harmonize muito bem com pratos de frutos do mar, pratos com camarão, ostras. De nossa parte harmonizamos com salmão ao molho de alcaparras e queijo mussarela.
Um brinde!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Zorzal Terroir Único Chardonnay 2013 / Vallontano Chardonnay 2013

A uva Chardonnay é considerada a "rainha das brancas" por fornecer vinhos encorpados, com acidez de mediana a baixa, persistentes, complexos, amendoados e longevos. Sua estrutura é propícia para passagem por barricas de carvalho. Tem papel fundamental no Champanhe e quando vinificada isoladamente dá origem aos "Blanc de blancs". Sua admirável capacidade de adaptação a diferentes climas (assim como no caso da tinta Cabernet sauvignon) garantiu a sua popularidade e versatilidade, já que responde à mais ampla variedade de técnicas de vinificação e dos estilos de cada vinho branco varietal.
Resolvi provar e aqui estão algumas dicas de brancos com a Chardonnay que vão muito bem com o nosso verão tropical. Sugiro provar os dois e fiz esta comparação pelo primeiro ser argentino da Região de Mendoza e o outro nacional, da Vallontano, do Vale dos Vinhedos, ambos quase ao mesmo custo (50,00 reais) e de mesma safra (2013).



Zorzal Terroir Único Chardonnay 2013
Vinho produzido pela Zorzal Wines. 10% do vinho fermenta em barrica nova de carvalho francês, onde se dá a fermentação malolática, no intuito de agregar elegância a um vinho que pretende ser mais frutado.
Cor amarelo palha com reflexos esverdeados, lagrimas finas e lentas.
Aromas não muito intensos, típicos, com abacaxi e pêssego sobressaindo, também aroma de baunilha.
Macio, fácil, final de boca sem amargor. Álcool a 13%.
Comprado na Grand Cru em Florianópolis.
Nota= 87 pontos







Vallontano Chardonnay 2013
Produzido pela Vinícola Vallontano no Vale dos Vinhedos.
A fermentação malolática ocorreu de forma espontânea, no sentido de permitir uma expressão natural da fruta.
Vinho de cor amarelo-verdoso, com lágrimas finas e rápidas. Aromas elegantes e típicos da casta, com abacaxi sobressaindo e com um leve toque herbáceo.
Não passa por barrica, a proposta é apresentar um vinho jovem e refrescante, para o verão.
Em boca é vivaz, delicioso, com baixa acidez, uma mineralidade e bom equilíbrio . Alcool a 12,5%. Final de boca com leve amargor. Uma excelente compra de um vinho nacional.
Comprado diretamente na Vinícola.
Nota: 88 pontos





Em resumo: dois vinhos leves, que acompanham muito bem as entradas ou para serem servidos como aperitivo, o argentino para os que apreciam evolução no carvalho e o nacional para os que apreciam a tipicidade da chardonnay, um vinho mais frutado.
Um brinde!