terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Bodegas Valduero

Se alguém a ler este texto, já fez uma viagem por causa de um vinho que já provou, vai entender do que se trata. Em outubro de 2016 comprei uma garrafa de Valduero Reserva DO 2009 em Ciudad de Leste, Paraguai, no Shopping Mona Lisa, paguei 47 dólares. Decidi levar esse vinho em um jantar com amigos no Artusi, um restaurante muito bom aqui de Florianópolis e o vinho era espetacular. Decidi que um dia iria visitar a Vinícola.

Quando tive a oportunidade de ir à Espanha e a Ribera del Duero, em julho de 2017, não tive dúvidas em visitar a Valduero, uma das melhores experiências que já tive no mundo do vinho. Estávamos em Valladolid, e neste dia fomos também a Peñafiel, e de lá a Bodegas Valduero. Agendamos com o responsável pelos planos de visitas, seu nome é José Luis Chico Madrigal, o Pepe.

Chegamos ao endereço da Vinícola e não vimos nada, não havia outdoor ou placas, somente um escritório, que vimos de cima, após dar uma volta na propriedade.


E uma linda casa em estilo rústico no final de uma montanha, que depois descobrimos ser o restaurante e sala de degustações. Onde estava a grande Valduero que ostenta fotos das visitas do rei da Espanha, do técnico da seleção Vicente del Bosque? Como chegamos cedo ficamos a olhar os arredores e disse para minha esposa: - Você quer ver que a vinícola está embaixo dessa montanha? Dito e feito, escavaram por baixo e cobriram uma outra parte, e todas as instalações, a não ser o escritório e o restaurante, são subterrâneos!
A visita começa nessa entrada à direita:
















E há uma sala com obras de arte (pintura e escultura), e o motivo é o vinho, claro.










Optamos pela visita com degustação de 5 vinhos, acompanhada de morcilla, chourizo (um dos melhores que provei) e queijos: 50 Euros por pessoa.

Os vinhos que compramos:
Garcia Viadero Blanco de Albillo 2016: 8,80 Euros
Valduero Reserva 2011: 22,40 Euros
Valduero Reserva premium 6 años 2010: 34,27 Euros

Quem importa para o Brasil é a Inovini:
 http://www.inovini.com.br/produtores/valduero/

Para saber mais:
http://www.bodegasvalduero.com/

Estava na hora de partir, de ir a uma das mais belas igrejas do mundo, a Catedral de Burgos, e de lá a Logroño, capital da Rioja (mas essa também é outra história).
Saúde!






quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Monte Santoccio Amarone Della Valpolicella 2012


Hoje foi dia de provar um Amarone (17/09/2017).

Produzido em Fumane (uma das sub-regiões da DOCG Valpolicella Clássico) por Azienda Vinícola Monte Santoccio, com as uvas Corvina 40%, Corvinone 30%, Rondinella 25% e Molinara 5%. Evolução por 30 meses em barricas de 500 litros de carvalho francês e americano.




De cor rubi com reflexos cor de tijolo, lágrimas numerosas, grossas e lentas.
Aroma de frutas vermelhas em compota, groselha, ameixa. Mais linear do que amplo.
Taninos macios e finos, baixa acidez, quente (álcool a 16%), final de boca com amargor. Típico.
Tem a potência como qualidade aos que asim o apreciam, bem como com as restrições ao estilo, como a baixa acidez e carga de taninos. Um bom vinho. 



Comprado no Signorvino, em Verona.
http://www.signorvino.com/en/wine-shop/verona

Para saber mais:
https://www.montesantoccio.it/


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sobre Asiáticos, a Borgonha e o Montrachet.

Esta é outra sobre ficar procurando até achar. 
Uma viagem atrás de uma garrafa de vinho, literalmente.

Foi em 2013, estávamos no interior da Borgonha tentando achar algum vinhedo Montrachet para visitar, tirar foto, enfim, conhecer. Após perguntar para vários camponeses da região (a maioria não fazia idéia do que estávamos à procura), e entrar em vilarejos onde não se avistava uma alma viva, fomos parar à frente da pedra fundamental do famoso vinhedo Chevaliers - Montrachet. Minha esposa é uma heroína de me acompanhar, ainda bem, hehe. Tiramos foto, ficamos ali por uns cinco minutos. Quando íamos embora avistamos ao longe dois automóveis vindo em linha reta, em nossa direção, em alta velocidade, uma nuvem de poeira atrás dos carros, uma cena de filme.

Ficamos olhando atentamente os carros se aproximarem e eles pararam onde estávamos. Começou a descer gente que não acabava mais, no início fiquei surpreso, depois achei engraçado. Um rapaz conduzia a todos, muito simpáticos, e foram abrindo garrafas de Montrachet e nos servindo a todos. Eu estava muito surpreso. How much should I pay? For free! For free! respondeu o rapaz. Era um grupo de turistas que estavam a visitar a Maison Latour e foram brindar com Montrachet em frente aos vinhedos.

Minha esposa tirou a foto


Mais uma dessas histórias que ficarão para sempre na memória. Um brinde!!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Monvínic - Barcelona



Gostaria de iniciar essa postagem falando somente sobre as belezas dessa cidade singular que é Barcelona. Mas é difícil também não citar e ficar profundamente triste com os acontecimentos e as mortes nas Ramblas, de pessoas inocentes, atropeladas por terroristas covardes. E pensar que duas semanas antes dos atentados estávamos andando por aquela rua, sem fazer idéia que um dia isso poderia acontecer. Muito triste. Mas, como disse o rei da Espanha outro dia:  "Barcelona não esteve , nem estará, sozinha". "Esse ataque vil e covarde, esse assassinato que matou e feriu tantas pessoas e que nos emocionou a todos não nos vence, não vence os nossos valores, a nossa convivência, a nossa democracia e o nosso respeito pelos direitos humanos".



Fomos à Barcelona e eu com a idéia fixa de conhecer a Monvínic. Jancis Robinson fala da Monvínic como um "templo para connoisseurs", mas também que "qualquer amante de vinhos que tenha oportunidade, deveria passar grande parte de sua vida lá". Então, e animado com isso, fomos conhecer esse famoso wine bar e loja de vinhos de Barcelona.









Os vinhos os clientes escolhem em um Tablet, coloca-se numa lista de desejos e depois é só solicitar ao sommelier. Escolhemos em taças, para poder provar alguns.







Para iniciar, escolhemos um Cava rosé.




















E queríamos provar somente vinhos espanhóis? Não necessariamente, respondemos. Então escolhemos 4 vinhos brancos: Verdicchio italiano, Sauvignon Blanc e Blend de Riesling, SB, Pinot Gris e Grüner Veltliner da Nova Zelândia, Grüner Veltliner austríaco .















E depois,  4 tintos: Albillo, Trepat e Garnatxa espanhóis, e um Blend de Grenache e Mourvédre da África do Sul.
O Trepat foi o vinho do dia! Excelente.













Já que estávamos na Espanha foi uma oportunidade de provar Jerez, uma taça de Valdespino Amontillado e uma taça de  Emilio Hidalgo Oloroso. (para provar né?)












Terminamos com uma taça de Champagne.





E você pode conhecer o produtor enquanto prova o seu vinho. Bom não é?

Valor da conta.

Com a Sommelier da Monvínic Isabelle Brunet

Valeu muito a experiência. Recomendo!!

http://www.monvinic.com/
Calle Diputació 249 Barcelona.


domingo, 13 de agosto de 2017

Mesón José Maria - Segóvia

Em Segóvia, fuja das multidões que se aglomeram próximo ao aqueduto romano e vá no Mesón José Maria ( dica do Prof Arthur Azevedo, valeu!). Mesmo que haja uma multidão lá dentro também, rsrs e isso é indicativo que o restaurante é bom mesmo, vale muito a pena esperar, e foi o que fizemos.


Um restaurante no interior da Espanha, onde você pede um copo de vinho e os acompanhamentos já na entrada, tem que ser muito bom mesmo.

Um ambiente muito agradável e acolhedor. Pedimos o cochinillo assado e para beber, o vinho da casa, uma mescla de Tempranillo, Cabernet sauvignon e Merlot ( Pago de Carraovejas) , de Ribera del Duero, claro! Como acompanhamento, uma salada, batatas fritas e pão. 


O ritual de cortar o cochinillo com o prato foi devidamente filmado.





Valor total do almoço: 89,38 Euros.
Um grande restaurante, uma grande experiência. Um brinde!
http://www.restaurantejosemaria.com/




sábado, 12 de agosto de 2017

Os melhores Amarones do Planeta à sua Frente (Parte 2) - Dal Forno Romano.

Esta é a segunda parte de nossas visitas ao redor de Verona, dessa vez fomos visitar a Dal Forno Romano. Situada fora da área de Valpolicella clássico, em Cellore d'Illasi.
Fomos recebidos pelo Luca Dal Forno, filho do proprietário, que gentilmente nos recebeu e apresentou a Vinícola.



Neste vídeo sobre a produção do vinhos da Dal Forno, vemos o método de secagem das uvas e também a poda, preservando as uvas da parte de cima do cacho, mais concentradas, e mais doces.
https://player.vimeo.com/video/10112011?title=0&byline=0&portrait=0&color=ffffff


A Dal Forno produz apenas 3 vinhos: Amarone, Valpolicella (nos anos não tão bons, em que não há qualidade suficiente para o Amarone), com as uvas Corvina, Corvinone, Croatina, Oseleta e Rondinella, em percentagens que variam conforme a safra, e um Passito, o Vigna Seré, o melhor passito que já provei, disparado. São vinhos que combinam grande concentração e elegância.

Os melhores Amarones do Planeta à sua Frente (Parte 2).

Para quem quiser saber mais sobre os vinhos: http://www.dalfornoromano.it/
Infelizmente não tenho os valores que paguei pelos vinhos, nem os preços que a Vinícola os comercializa. Estávamos de saída para o Lago de Garda, mas essa é outra história.
Quem importa para o Brasil é a Mistral.
Saúde!



Os melhores Amarones do Planeta à sua Frente (Parte 1) - Giuseppe Quintarelli.

Hoje vamos falar de um dos alicerces do vinho italiano: o Amarone, grande representante do Vêneto. Juntamente com o Barolo, no Piemonte e Brunello na Toscana formam grande tríade do vinho daquele país. O Amarone é um vinho muito particular e faz parte do imaginário dos amantes do vinho mundo afora. Já havia falado sobre esse vinho ímpar aqui e aqui .

O território do Amarone della Valpolicella é o mesmo do Valpolicella, e situa-se na província de Verona.O Amarone é um dos mais carnosos vinhos tintos, exibindo gama ímpar de sabores que lembram geléia de cereja, doce de ameixa, uva passa, pétalas de rosas e especiarias. É feito de uvas desidratadas segundo a tradição das colinas de Verona desde o período bizantino, inicialmente deixando as uvas para secar em casas com largas janelas abertas e, mais modernamente com o uso de ventiladores industriais. Após três a quatro meses, as uvas perdem de 35% a 40% do peso, concentram o açúcar e são afetadas pela Botrytis cinerea.  A mescla envolve uvas Corvina Veronese, Molinara, Rondinella e até15% de outras cepas (locais ou internacionais) entre as muitas autorizadas pela DOC em que ele é feito. O teor alcoólico varia entre 14% ao mais tradicional 16%. Um vinho considerado "enorme", "opulento" por muitos. Eu o aprecio, e a seu estilo.

E foi atrás desses caldos que pudemos conhecer a bela cidade de Verona, cidade que inspirou Shakespeare a escrever o famoso romance Romeo e Julieta (reza a lenda que ele nunca esteve lá), suas histórias e monumentos, e sua Arena romana impressionante.






Na cidade, conhecemos uma loja de vinhos bem bacana, com uma boa diversidade de vinhos do Vêneto e de toda a Itália, espumantes e afins, a Signorvino, recomendo. (Dica do João José, thanks)


http://www.signorvino.com/en/wine-shop/verona

No outro dia, fomos a um local incomum, também pelo fato de não haver placas de sinalização indicando a Vinícola, nem mesmo na própria, mas que todo o apreciador de vinhos sabe onde fica: na localidade de Negrar, a Azienda Agricola Giuseppe Quintarelli.







Fomos recebidos pelo Francesco Quintarelli, que nos apresentou a Vinícola, nos falou dos métodos de produção e contou um pouco da história da família.


 Os vinhos? Como disse minha esposa foram do maravilhoso ao espetacular.

Os melhores Amarones do Planeta à sua Frente (Parte 1).


O custo da visita e degustação é de 20 euros por pessoa, muito acessível e uma experiência extraordinária. Os valores dos vinhos (Julho / 2017), estão aqui:


Quem importa para o Brasil é a Mistral.




quinta-feira, 30 de março de 2017

Foz do Arouce Tinto Colheita 2011




O vinho de hoje tem a Classificação de Vinho Regional, das BEIRAS, essa extensa área DO ao centro-norte de Portugal, mais precisamente da cidade de Lousã, próximo a Coimbra.



Vinho produzido por Quinta de Foz de Arouce com Baga e Touriga Nacional. Estagia por 6 meses em barricas de carvalho francês de primeiro e segundo uso. Álcool a 14%.

Vinho de cor rubi, lágrimas grossas e lentas. Aromas de frutos vermelhos, violeta, pimenta preta. Em boca apresenta taninos finos, o que comprova que um vinho com boa e adequada vinificação é capaz de dar maciez e um bom conjunto mesmo a uma casta tânica como a Baga. É harmônico e persistente ao final. Um vinho sem grande complexidade, mas é no palato que demonstra sua maior qualidade. Prazeroso.

Uma boa alternativa para conhecer os vinhos de regiões não tão famosas de Portugal, a um preço justo.



Comprado na Decanter em Florianópolis no dia 30/08/2016 , custou 92,50 reais. Provado em 23/01/2017.

Para saber mais:
http://www.fozdearouce.com/
http://www.fozdearouce.com/produtos/show.aspx?idcont=322&title=Quinta%20Foz%20de%20Arouce%20Tinto%202011&idioma=pt#