sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Bebendo Champagne : Moutard Brut Reserve

'Bebo Champagne quando estou alegre e quando estou triste. Algumas vezes o bebo quando estou sozinha, e, quando estou acompanhada o considero obrigatório. Me divirto com ele se estou sem apetite e o tomo quando estou com fome. Fora isso jamais o toco, a não ser que esteja com sede.'
Elisabeth Bollinger


Iniciando esse post com a célebre frase de Madame Lily Bollinger, uma das citações mais famosas do mundo do vinho, e para o Zucca Gastrô, com um tema bacana demais, muito extenso e prazeroso.

Um dos símbolos da França, o Champagne tem enorme prestígio mundial, estando associado ao glamour, à amizade e às grandes celebrações. É sinônimo de excelência, sofisticação e bom gosto. E, apesar disso, por trás de uma taça de cristal com um excelente vinho borbulhante, há uma história de determinação e coragem de homens e mulheres na luta contra pragas, clima adverso, guerras e invasões.
Parece bastante não é? Pois um professor falou 3 minutos sobre Champagne com seus alunos e encerrou dizendo: - Sobre Champagne ou falamos 3 minutos ou 3 dias!
Tentaremos ser breves, mas nem tanto.

Sobre a Localidade:




Champagne está situada no Nordeste da França, a 150 Kilômetros de Paris, em uma região bastante fria, com um solo calcário muito particular, o que a torna um lugar único no mundo para a produção de vinhos.

A região empresta o nome à bebida, podendo existir somente um Champagne, aquele mesmo produzido ali, naquela pequena região demarcada e que possui um controle rígido sobre a produção do espumante.

 Por ser um importante centro comercial, unindo importantes rotas, teve por causa desta condição sua riqueza e sua desgraça, sendo palco de guerras terríveis, e é considerada a região mais conflagrada da França.






Podemos dizer que o Champagne, esse estranho vinho que fermentava por duas vezes, inventou-se por si só, graças a uma série de circunstâncias peculiares, as quais envolvem inclusive o transporte deste à Inglaterra.

O monge beneditino dom Pierre Pérignon restaurou a adega da Abadia de Hautvillers, e,  grande estudioso das vinhas e dos vinhos, escolhia a composição com a qual eram elaborados os espumantes. Ele desenvolveu a enologia de forma meticulosa e elevou o Champagne a um patamar de qualidade que antes não havia. Palmas para ele!





A Champagne (desta vez é só a bebida gente!) é produzida com 3 castas tradicionais: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier.

A Chardonnay (uva branca) contribui com os aromas delicados, de notas florais, frutas cítricas, às vezes minerais.

A Pinot Noir (uva tinta) contibui com aromas de frutas vermelhas e imprime sua personalidade ao assemblage, com corpo e potência.

A Pinot Meunier (uva tinta), dá vinhos suaves e frutados, e trazem maciez ao conjunto.

Produção do Champagne:

Colheita → Prensagem nos Vinhedos e Transporte → Recepção na Maison → Elaboração do Vinho-Base → Assemblage → Licor de Tiragem - Engarrafamento → Segunda Fermentação nas Garrafas → Maturação nas Borras → Manuseio das Garrafas → Degola- dégorgement (Adição do licor de Expedição)  → Dosagem e Arrolhamento → Rotulagem → Expedição.

Os vinhos non-vintage (sem indicação de safra) devem ser envelhecidos durante um mínimo de 15 meses, 12 dos quais, como mínimo, devem ser em contato com as borras. Os vinhos vintage (com indicação de safra) devem ser envelhecidos por um mínimo de 36 meses (não existem requisitos extra para o envelhecimento em contato com as borras). Contudo, na prática, os produtores envelhecem os seus vinhos por mais tempo.

Segundo Christian Pol Roger, proprietário da Maison Pol Roger: "É bem simples: - Para um Brut não safrado: Fermentaçāo em cuba (1ª fermentação - alcoólica), depois vem a assemblage (mistura dos diferentes vinhos) , envelhecimento na cave, pupitre (cavalete onde se realiza a remuáge (rotação das garrafas) e repouso após a retirada do depósito.
Durante a segunda fermentação na garrafa, o contato de partículas de leveduras mortas entram em contato com o vinho, (processo chamado autólise). São trocas entre o resíduo e o próprio vinho. Isso confere à bebida força, complexidade, intensidade e até densidade. Assim o vinho adquire personalidade, amadurece. A etapa seguinte consiste em retirar este depósito de leveduras mortas. Assim, as garrafas são postas em estantes a 45°, o depósito de leveduras deslizando em direção à base com a mexida. As garrafas serão abertas para a extração do depósito e adiciona-se licor de expedição em função de sua natureza: Nature, Brut, Demi-sec, Sec, Suave."

A quantidade de açúcar da mistura (licor de Expedição) determina o tipo de Champagne:

Nature: (sem adição de licor)
Extra Brut: Bem seco (até 6 gr/l)
Brut: seco (até 15 gr/l)
Extra-dry: (12 a 20 gr/l)
Sec: Levemente seco (17 a 35 gr/l)
Demi-sec: meio doce (33 a 50 gr/l)
Doux: relativamente doce (acima de 50 gr/l)

Cada Maison imprime um caráter, um padrão no seu estilo de Champagne, visando conquistar um público fiel e personalizando a sua bebida. (Mas, como é de se esperar, muitos desses padrões são comuns a todos, determinados rigidamente pelo CIVC - Associação que representa todas as Maisons, e que zela pela alta qualidade dos vinhos produzidos).

Pierre Taittinger: "Cada fabricante tem seu estilo. Ninguém é melhor do que ninguém. Nós cultivamos as diferenças, mas a mesma exigência de excelência nos aproxima."

As diversas categorias de Champagne:

Blanc de Blancs: Champanhes produzidos com a uva Chardonnay
Blanc de Noirs: Produzidos exclusivamente de uvas com casca escura, vinificadas em branco
Cuvée: uma assemblage, uma mistura, o que todo champanhe é.
Non- Vintage: contém vinhos de mais de um ano
Vintage: vinhos de um único ano



Champagne Moutard Brut Reserve



Champagne produzido com 100% Chardonnay, portanto um Blanc de blancs, vinhas de 10 a 20 anos de idade, 36 meses de envelhecimento na cave com as borras (sur lie).

O Moutard Brut Reserve tem os aromas típicos e que definem o Champagne: Tostado, brioche , frutas secas e amanteigado. Um bouquet elegante e fino.

Gustativamente é seco, delicado, com muito boa acidez e um colchão de espuma macio em boca.
Muito bom como entrada ou com frutos do mar. Álcool a 12% vol.
Atenção à temperatura de Serviço: 8°C.

No Supermercado Angeloni em Florianópolis, custa 189,00 reais (05/08/2016).

http://www.angeloni.com.br/adega/produto.action?grupo=1011&idProduto=2790622




Para encerrar, algumas outras frases sobre Champagne, de cidadãos ilustres e inspirados:

Napoleão Bonaparte: "Na vitória você merece tomar Champagne, na derrota, você precisa dele."

Noël Coward: "Porquê eu bebo Champagne no café da manhã?! Não é o que todo mundo faz?"

Winston Churchill: "Lembrem-se, cavalheiros, não é só pela França que estamos lutando, é pela Champagne também."

Anthelme Brillat-Savarin: "Borgonha faz com que você pense em bobagens; Bordeaux faz com que você fale sobre elas e Champagne faz com que você as cometa."

Remy Krug: "Não se deve reservar o Champagne somente para uma ocasião especial, pois só o fato de abri-lo já torna qualquer ocasião especial."

Paul Claudel: "Senhores, no pequeno momento que nos resta, entre a crise e a catástrofe, nós podemos beber uma taça de champagne."


Para saber mais:
Livros: A Viúva Clicquot - Tilar J. Mazzeo
            Borbulhas Tudo sobre Champanhe e Espumantes - Aguinaldo Záckia Albert
            Vinho e Guerra -  Os Franceses, os Nazistas e a Batalha pelo maior tesouro da França                           (excelente livro, leitura obrigatória)

Deu vontade de provar um Champagne? Desculpem, a intenção era essa mesmo...

Um Brinde! Saúde!
               



domingo, 24 de julho de 2016

Craggy Range Single Vineyard Sauvignon Blanc 2013


O vinho de hoje é um branco da Nova Zelândia, país que vem ganhando enorme prestígio já há alguns anos na produção vinícola, devido aos ótimos brancos produzidos com Sauvignon Blanc e tintos de Pinot Noir, de suas diversas regiões vinícolas, destacando-se Martinborough, Marlborough e Hawke's Bay (na produção de tintos com Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot).

O Craggy Range é um "single Vineyard", de um vinhedo chamado Te Muna Road, na localidade de Martinborough, ao sul da ilha norte daquele país.




Vinho produzido por Craggy Range Vineyards, com 100% de Sauvignon Blanc, 5 meses sobre as lias em aço inox, não passa por madeira para preservar as qualidades da fruta.




De cor amarelo-palha, reflexo verdeal, límpido, brilhante, lágrimas lentas e finas. Delicado e direto no nariz, frutado, com aromas cítricos, de limão siciliano, herbáceo, um toque floral e verdadeiramente mineral. Em boca é principalmente fresco, com boa acidez, harmônico e elegante. Álcool a 13%. Um grande vinho.

Importado para o Brasil pela Decanter e adquirido na loja de Florianópolis, no dia 23/07/2016, custa 225,80 reais. Caro em relação a vinhos de outras regiões do mundo, mas vale muito a experiência e confirma porque esse pequeno país está fazendo tanto sucesso com seus vinhos. 

Harmonizado com sushi, recomendo.

Um brinde!
http://www.nzwine.com



quarta-feira, 15 de junho de 2016

Clancy's Shiraz Cabernet Merlot 2008

O vinho de hoje é produzido com 50% de Shiraz, 34% de Cabernet Sauvignon e 16% de Merlot por Peter Lehman no Vale de Barossa, Sul da Austrália.

Este vale tem uma história vinícola que remonta ao ano de 1842 e é a região produtora de vinhos mais famosa da Austrália. Colonizada inicialmente por agricultores britânicos e alemães, está situada ao norte de Adelaide e é lar de uma comunidade vibrante de produtores de alimentos e vinhos artesanais. O número de produtores de vinho chega a mais de 750 e alguns estão na sua quinta ou sexta geração.

Vale de Barossa



Clancy's Shiraz Cabernet Merlot 2008


 E eu fico com vontade de conhecer este lugar, sempre! Vamos ao vinho?

Vinho de cor rubi com borda cor de tijolo, evidenciando os seus anos de evolução em garrafa. Lágrimas numerosas e finas. Álcool a 14,5%. Com finos aromas de frutas vermelhas em compota, ameixa, alcaçuz e chocolate. Em boca é harmônico e elegante com taninos finos e média persistência. Falta-lhe a fruta que provavelmente tinha quando mais jovem, mas mesmo assim é um vinho macio e prazeroso. Um blend: possui os aromas típicos e o corpo da Shiraz, a Cabernet empresta-lhe a estrutura e a Merlot contribui com a maciez e a fruta típicas.
Estagia por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano.

Quem importa para o Brasil é a Decanter.

No site da importadora está no valor de 171,00 reais. Comprei em promoção na loja de Florianópolis ao preço de 68,39 reais, no dia 23/05/2016.


Um brinde!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Restaurante Porto do Contrato

Estava faltando um post sobre um de nossos restaurantes favoritos em Florianópolis: o Porto do Contrato.

No Sul da ilha de Florianópolis, na bela e pitoresca comunidade do Ribeirão da Ilha, há várias opções de bons restaurantes de frutos do mar, peixes e ostras (especialidade do local). Um deleite para os habitantes da ilha e turistas, que aproveitam o dia para um passeio e refeição memoráveis.

Um dos mais lindos cenários da Ilha, com um entardecer dos mais bonitos também, este é o Ribeirão, amado por todos que o conhecem.
Para saber mais acesse aqui.



Como é temporada de tainha, e gostamos muito da tainha recheada do Porto do Contrato foi este o pedido.
De entrada umas casquinhas de siri:


E o prato principal: Tainha recheada com farofa de camarão. Acompanha batatas recheadas, salada, arroz e pirão de peixe.




                                                                                                                        

Para acompanhar um vinho branco do Douro :


 Tons de Duorom 2015, um blend de 5 uvas autóctones portuguesas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto e Moscatel Galego Branco.


Um bom vinho de entrada, leve, com 12,5% de graduação alcoólica, com um bom frescor, embora o prato peça mais estrutura do vinho, este nos serviu muito bem.


Pedimos mais água, refrigerante, uma porção de batatas fritas, e de sobremesa um petit gateau (mas esse não saiu na foto por pura gulodice rs).

Total da conta: 318,00 reais ( o vinho custou 119,00 reais).

Um bom restaurante para o casal, para ir com a família igualmente. Um local muito agradável e um belo passeio.

Saudações e até o próximo post!

http://portodocontrato.com.br/






domingo, 10 de abril de 2016

Montes Alpha Chardonnay 2013


Hoje o post é sobre um Chardonnay que fez sucesso em uma reunião de amigos no Emporium Bocaiúva. Este empório é uma casa clássica em Florianópolis, e espero postar sobre este lugar em breve. Não o frequento com tanta assiduidade quanto gostaria, mas sempre que vou é especial, porque dividir uma de suas mesas com os amigos é isso mesmo, especial demais. Bons vinhos, ótimos amigos, boa conversa, boa música, tudo de bom.
E minha esposa simplesmente adorou o vinho. Fazer o quê? Comprei uma garrafa para beber em casa e postar no blog.

O Montes Alpha Chardonnay é produzido pela Viña Montes, no Vale de Casablanca, Chile. Este terroir é o que se comprovou o melhor, até agora, para a produção de brancos no Chile.


De clara proximidade e influência marítima, é a primeira região de vinhos fria do Chile, e tem produzido Chardonnay e Sauvignon Blanc desde a década de 80. 

O nevoeiro de manhã cedo mantém as temperaturas baixas e adiciona umidade em um terreno que de outra forma seria seco. Brisas do meio-dia limpam a neblina, permitindo que a radiação solar atinja as vinhas fazendo com que a temperatura suba e se mantenha constante ao longo da tarde. Parece perfeito, não? 
Mas, o problema é quando há noites limpas e tranquilas, que é quando não há neblina, então o calor escapa e o ar esfria, provocando geadas que tornam esta uma região de difícil cultivo. O prêmio de trabalhar em Casablanca é que esta é uma região ideal para os brancos e para tintos de maturidade curta como o Pinot Noir, que vêm demonstrando alto potencial de qualidade, ou para o Cabernet Franc e o Merlot. 





Influência do Pacífico, brisas, baixa altitude, geadas, neblina, sol à tarde, todos esses fatores fazem de Casablanca um local único no mundo para a produção de vinhos. 



Vamos ao Montes Alpha?

De cor amarelo dourado, lágrimas lentas e grossas, aromas de fruta madura, abacaxi, banana, pêssego, manteiga, caramelo. Em boca tem boa persistência e clareza, é macio, untuoso, harmônico, com notas amanteigadas e com boa acidez. Álcool a 13,5%.  
Produzido com 100% de Chardonnay, 40% do vinho base passa em barricas de carvalho de primeiro e segundo uso, por 8 a 10 meses. Um vinho encantador nas palavras da minha esposa.

Quem importa para o Brasil é a Mistral.

Preço: 163,80 reais (barato, porque os desejos de my wife prezo muito, hehe)



Um Brinde!

domingo, 3 de abril de 2016

Alambre Moscatel de Setúbal 2010

Oi amigos, o post de hoje é sobre um vinho português licoroso: o Moscatel de Setúbal.

Que Portugal é a terra da boa gastronomia e dos bons vinhos já não é mais novidade para os enófilos e os amantes da boa mesa mundo afora. Também não é novidade que Portugal é o mais famoso país produtor de vinhos licorosos do mundo, com seus representantes: Vinho Madeira, Moscatel de Setúbal e, claro, o Vinho do Porto.

"Vinho licoroso é aquele que recebe a adição de aguardente vínica no transcorrer da vinificação, tornando-o mais alcoólico. A legislação brasileira obriga que tenham 14% a 18% de teor alcoólico. Contudo, situam-se entre 15% e 24% de álcool nos regulamentos europeus.
Por serem bastante alcoólicos, são geralmente bebidos como aperitivos (os secos e os meio secos) ou como digestivos (os doces e os muito doces)."
José Osvaldo Albano do Amarante, no Livro Os Segredos do Vinho


Moscatel Graúdo

Setúbal é o termo coletivo da DOC, demarcada desde 1907, na Península de Setúbal. O clima da zona é subtropical e mediterrâneo, influenciado pela proximidade do mar. A principal uva plantada desta DOC é a Moscatel Graúdo, sendo que o vinho deve ser envelhecidos por no mínimo 24 meses em barris de carvalho.


A gigante José Maria da Fonseca, muito conhecida dos brasileiros pelo vinho tinto Periquita, é a maior, melhor e mais antiga vinícola local, e é quem produz o Alambre. Este é um vinho branco de coloração dourada, muito denso, lágrimas grossas e lentas. Aroma de casca de laranja, mel e amêndoas. Um vinho generoso, caloroso em boca, perfeito para os doces, bolo inglês, panetone e queijos. Uma boa alternativa para quem gosta dos vinhos licorosos. Um vinho muito particular.
Álcool a 17,5%
Importado para o Brasil pela Decanter.
Preço: 110,30 reais, no site da Importadora.

Um brinde!

Confraria 30.03.2016

Nossa reunião deste mês foi muito especial, como sempre. É a oportunidade de rever os amigos (muitos que só encontramos somente nestas mesmas ocasiões) e beber um bom vinho acompanhado de bons pratos. Tivemos o prazer também de assistir a uma palestra do representante da Somma Investimentos aqui de Floripa, na pessoa do Sr. Ricardo Giovenardi, que explanou a proposta de sua empresa na administração de bens e investimentos. Estamos precisando!

http://www.sommainvestimentos.com.br/index.php?=Inicio

Vamos aos vinhos?

Nesta ocasião foram degustados 3 vinhos às cegas, acompanhados de uma rabada preparada por um dos confrades, o Will. Como o prato é substancioso e de bom peso, foram escolhidos 3 tintos. Todos foram adquiridos na Nostra Adega, de Florianópolis:

Vinho 1) Finca La Emperatriz Tempranillo 2012
Vinho rubi , lágrimas finas, aromas de fruta madura. Em boca é vibrante, com boa acidez.
Vinho espanhol, produzido em Rioja, 100% Tempranillo, 13,5% teor alcoólico, não tem passagem por carvalho. Um bom vinho de entrada.
Preço: 95,00 reais

Vinho 2) Casa do Cónego Touriga Nacional 2009
Rubi com halo cor de tijolo, lágrimas grossas e lentas, aromas mais complexos e persistentes de frutos do bosque, amêndoa, menta e tabaco. Em boca confirma os aromas, é harmônico e com boa acidez.
Vinho português (Regional Lisboa), 100% Touriga Nacional, 13,0 % teor alcoólico, passa por carvalho.
Preço: 80,00 reais

Vinho 3) Brutalis 2012
Vermelho-púrpura, muito denso, lágrimas grossas e lentas. Aromas intensos e complexos de cereja, tabaco, chocolate, pimenta. Evolui na taça. Suculento, quente, potente, equilibrado e harmônico. Vigoroso em sua forma e estrutura, mesmo. Um bruto que vai direto ao coração. Como bem diz no rótulo é uma verdadeira mão de ferro numa luva de veludo. Vale muito a pena experimentar. O vinho da noite em que os três brilharam.
Vinho português, de Lisboa, produzido com 80% de Alicante Bouschet e 20% Cabernet Sauvignon, 14,5% teor alcoólico, passa por carvalho.
Preço: 170,00 reais


Um Brinde!

Gomila Furmint 2013



A Eslovênia situa-se na Europa Central e está cercada pela Áustria, Croácia, Hungria e pelo Mar Adriático. Foi o primeiro país da Iugoslávia a declarar sua independência (em 1992) e possui uma tradição vitivinícola de mais de 2.400 anos, mesmo antes da chegada dos romanos. Hoje o vinho constitui uma das principais atrações turísticas deste país, que conta com cerca de 20 “estradas ou rotas do vinho” que percorrem seus vinhedos, e caves distribuídas por diversas cidades de suas três principais regiões produtoras, Primorje (ou Primorska), Posavje e Podravje.

A maior produção do país é de vinhos brancos, mas o país produz também tintos, espumantes e vinhos doces. 



Casta Furmint


O vinho de hoje é um branco produzido em "Podrajve, que é a região vitícola mais importante e continental da Eslovênia. Os vinhos tendem a ter teor alcoólico relativamente baixo e acentuada acidez, muitas vezes disfarçada pela presença de açúcar não-fermentado, havendo alguns vinhos botritizados muito doces e até mesmo icewines em anos favoráveis".
Atlas Mundial do Vinho - H. Johnson e J. Robinson

O Gomila Furmint 2013 é um vinho branco de cor amarelo palha, límpido. Aromas discretos, inicialmente de fumaça, minerais, de querosene, petróleo, evoluindo para flores brancas e pêssego. Em boca é mineral e com final de boca sápido, potente e equilibrado. Um vinho diferente e ao estilo do Velho Mundo. Álcool a 13%. Uma proposta de vinho fácil de beber, para o dia-a-dia, mas sem perder o estilo. 
Comprado na D. Costenaro Vinhos de Florianópolis, em 16/03/2016, custou 89,00 reais.





http://www.gomilawines.com/

Um Brinde!!




quinta-feira, 3 de março de 2016

Terre del Fön Pinot Grigio Trentino 2013

A Pinot Grigio tem sua origem na  Bourgogne, onde hoje é pouco plantada. De cor rosada, é oriunda da mutação da Pinot Noir, mas o suco é separado das cascas logo após o esmagamento das uvas, originando então vinhos brancos de aroma rico e condimentado, muito densos, de média acidez e grande sabor. É uma alternativa para os produtores e consumidores saírem do lugar comum, Chardonnay e Sauvignon Blanc.

Assim como a Syrah/ Shiraz, é uma uva com dois nomes (Pinot Grigio na Itália e Pinot Gris na França)



 Os críticos à Pinot Grigio acusam-na de não ter personalidade, por ser aromaticamente neutra, pobre em aromas, mas, em compensação, os vinhos feitos desta casta são muito saborosos e fáceis de beber.

O Terre del Föhn é produzido pela Cantine Monfort, em Lavis, Itália, e elaborado com 100% da casta Pinot Grigio.
É um vinho de cor amarelo-verdoso, aromas cítricos, de flores brancas e mel. Embora tenha pouca intensidade aromática, é delicado, e em boca é macio, harmônico, com um toque mineral e final de boca amplo, longo e caloroso. Álcool a 12,5%.
Um dos melhores brancos que provei nos últimos tempos.

Nota: 90 pontos.

http://www.cantinemonfort.it/monfort/

Importado para o Brasil pela Porto Mediterrâneo, que tinha um portfólio de vinhos muito bom, e que infelizmente encerrou suas atividades.

Adquirido na Gran Vin em Caxias do Sul, no dia 19/02/2016, custou 39,90 reais. Mais uma prova de que vinho bom não necessariamente precisa ser um vinho caro.

Saúde!

terça-feira, 1 de março de 2016

Marius by Michel Chapoutier, France 2013


Michel Chapoutier é um nome muito conhecido na França e no mundo do vinho. Ele herdou as vinhas do pai e aplicou em boa parte da propriedade os princípios da biodinâmica. Mas ficou conhecido mesmo por sua obsessão em exprimir o terroir em seus produtos, o que é louvável. Seu nome está em todos os grandes livros sobre os vinhos do mundo e os grandes críticos dão-lhe altas notas ano a ano. 

Decidi provar o Marius, por causa da curiosidade mesmo. Será que somente os vinhos mais caros valem a pena ou mesmo um vinho considerado barato pode exprimir o que pensa o seu autor?


Produzido com as castas Grenache e Syrah. Álcool a 13%. 

Vinho de cor rubi, lágrimas finas e rápidas. Aroma frutado, de framboesa e floral, de violetas. Taninos finos, boa acidez e leve amargor no final-de-boca. Um vinho tinto mais ligeiro, um conjunto mais leve, bom para o dia-a-dia, ou para brindar com os amigos. Eu gostei muito, e é uma experiência diferente, tanto pelo estilo do vinho quanto pelas castas que o compõem.
Nota: 88 pomtos

Adquirido No Emporium Bocaiúva em Florianópolis em 21/10/2015, custou 88,80 reais. Hoje está ao preço de 97,98 reais no site da Mistral, que é quem importa para o Brasil.

http://www.mariusbymichelchapoutier.com/


Um Brinde!

Confraria 24 de Fevereiro 2016

Confraria do mês de Fevereiro no Antônio, e o tema foi: a Itália.
Prato do dia: Pasta, claro!

Olha só que beleza, o chef Daniel Hein, da Di Zucchine massas artesanais vai a sua casa e prepara um evento gastronômico com essas massas e molhos que toda nonna aprovaria.

http://dizucchine.com.br/

Em meio a muita conversa, saladas, petiscos, rondellis, cannelonnis, sofiollis e por aí vai, fizemos nossa reunião mensal, cuja escolha dos vinhos coube ao confrade Will.




Os vinhos da noite foram produzidos pela Vinícola Il Palagio, na Toscana, Itália. Esta vinícola é de propriedade do cantor Sting, do extinto The Police, que a exemplo de outras celebridades - Antonio Banderas e Andrés Iniesta - jogador do Barcelona - (na Espanha) , Francis Ford Copolla (nos EUA), Angelina Jolie e Brad Pitt (França - Provence), Gerard Depardieu (França - Vale do Loire), e a lista é extensa..., decidiu investir parte dos seus recursos e de sua vida à arte de produzir vinhos.

Sting escolheu a região do Chianti clássico para produzir vinhos, além de óleo de oliva e mel. Há muitos ingleses nesta região da Itália, tanto que a chamam de Chiantishire (como Oxfordshire e outros condados da Grã-Bretanha). Neste lindo vale a vida corre tranquila, com muito sol, propriedades lindíssimas e rústicas, boa comida, bons vinhos. Uma vida simples no campo, à poucos minutos da cidade mais bela do mundo, Florença. Você acha interessante? Pois eu acho que não há aposentadoria melhor do que isso, meus caros.



http://www.palagioproducts.com/

Vamos aos vinhos?



 Vinho 1) Wen We Dance 2012.
 Produzido com as castas Sangiovese, Canaiolo e Colorino. Álcool a 13%. Vinho de cor rubi, corpo médio, aromas de média intensidade de cereja madura e ameixa. Em boca é macio, harmônico. Típico. Harmonizou muito bem com as massas servidas.
Preço: 90,00 reais (preço promocional)









Vinho 2) Casino Delle Vie - IGT 2009 .
Produzido com as mesmas castas acima: Sangiovese, Canaiolo, Colorino e outras variedades não mencionadas pelo autor. Envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho de segundo uso. Álcool a 13,5%. Um vinho de cor rubi, com grande intensidade aromática, muita cereja madura e alcaçuz. O aroma permanece na taça vazia. Final de boca com um dulçor agradável. Um grande vinho, sem dúvida.
Preço: 160,00 reais (preço promocional)

Importados para o Brasil pela Winecontainer de Balneário Camboriú - SC. 



Uma viagem à Toscana sem sair de Jurerê.
Enjoy Tuscany! E saúde turma!





domingo, 28 de fevereiro de 2016

Santa Catarina, o Terroir da Sauvignon Blanc no Brasil? Torii Sauvignon Blanc 2014

A Sauvignon Blanc (SB) é uma cepa seca, viva, intensamente aromática e com marcada acidez. O seu lar original é o Vale do Loire, na França, onde produz vinhos de estrutura mediana e muito cítricos. Muito cultivada em Bordeaux é cada vez mais empregada como varietal, ou mais comumente como corte com a Sémillon. No Novo Mundo se destaca em Marlborough, na Nova Zelândia, onde se expressa de forma potente e aromática.



É uma cepa para ser bebida jovem, sem envelhecimento para preservar as características da fruta, mas por vezes é envelhecida em barricas de carvalho francês em Bordeaux e na Califórnia ( onde é chamada de Fumé Blanc).



Caracteristicamente o aroma desta cepa lembra a fruta fresca, o limão, maracujá, a manga, a banana, o manjericão, o tomilho, o pimentão verde, o eucalipto, a hortelã. Quando o vinho não passou por tonéis, o aroma abre-se de uma maneira muito intensa e direta. O estágio em barricas o torna mais suave, cheirando a especiarias, com notas de infusão. De muita fineza e elegância, é um vinho muito particular.

Já havia postado um Sauvignon Blanc brasileiro estupendo veja aqui, e o Torii  SB foi uma sugestão de amigos. Obrigado Val e Pati Zuco!

Segundo Eduardo Giovannini, em seu Livro Viticultura e Enologia, a SB "não pode expressar todas as suas qualidades enológicas na Serra Gaúcha. Apesar disto, produz um vinho de bom aroma."
Pois é na Serra Catarinense, com sua lenta e fria maturação de altitude, que temos belos exemplares de Sauvignon Blanc. Produzidos com consistência nesses anos, os vinhos são intensos, e com qualidade que se mantém ano a ano. Será o lar da SB no Brasil e nossa uva branca emblemática?

Como produtores de destaque da Serra Catarinenses poderia citar:
Sanjo Núbio SB, Villa Francioni SB, Villagio Bassetti SB.

O vinho de hoje é da Vinícola Hiragami. Já havia postado um outro vinho desta Vinícola relembre, e este é um branco produzido com 100% de SB, a 1427 metros de altitude.



Na taça um vinho límpido, de coloração amarelo-palha com tons esverdeados, aroma intenso de pimentão verde e cítricos, aromas mais discretos de hortelã, um vinho linear, direto como a SB sabe ser. Em boca é bastante seco e com acidez marcante. 12,8% de graduação alcoólica.

Um vinho gastronômico sem dúvida, para os que apreciam a SB.

Sirva-o na temperatura correta, entre 5 a 8°C.
Custo: Comprado na Gran Vin em Caxias do Sul, custou 60,00 reais.

Eu gostei do vinho, embora ache que há muito de melhor ainda por vir destes produtores, que estão no início de uma jornada interessante à procura do nosso terroir e vocação.
Um Brinde!



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Piattelli Capricci Torrontés 2014

E de volta ao Zucca Gastrô, após uma pausa no blog em dezembro, mas reanimado para um novo ano e novos vinhos, com a mesma paixão.

O vinho de hoje é da uva Torrontés de Salta, Argentina. Futuramente será necessário dizer Torrontés de Salta, assim como Bonarda Argentina? Pois esta uva branca tem se destacado tanto no país vizinho que já penso em escrever desta forma também.


Cepa originária da Galícia (Espanha), e difundida nos países de colonização espanhola. Sendo transplantada para a Argentina, é na Província de Salta que, reconhecidamente exprime todo o seu potencial.

Origina brancos muito aromáticos, mas bem secos de sabor.



O Capricci é produzido pela Piattelli Vineyards com 100% da cepa Torrontés.

Na taça um vinho de cor amarelo-palha, lágrimas lentas e grossas.
Aroma intenso, muito perfumado, como uma boa Torrontés sabe ser. Floral intenso, herbáceo e cítrico.

Em boca é harmônico, fresco e com boa acidez, picante no final de boca. Elegante, suave e potente. Graduação alcoólica de 14%. Sirva na temperatura ideal dos brancos frutados secos: 6 a 8 °C

Uma boa opção aos Torrontés mais simples.

Adquirido no Emporium Nostra Adega de Florianópolis, custou 65,00 reais.

Outras sugestões de rótulos: Etchart Privado Torrontés e Crios de Susana Balbo Torrontés, os dois de muito bom custo-benefício.


Importado para o Brasil pela Vinhos do Mundo.
Um brinde e um Feliz 2016 para todos nós!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Confraria 25.11.2015 Noite da Syrah / Shiraz

A uva Syrah tem sua origem no vale do Rhône, França, sendo uma das maiores presenças no mundo do vinho, capaz de surpreender os mais exigentes enófilos. Possui uma casca muito pigmentada, que origina vinhos de cor muito escura, viscosos e macios.

Apresenta característicos aromas de ameixa, violeta, frutos do bosque (groselha, cereja, amora), fumaça, terra e pimenta-do-reino. Um bouquet rico em aromas, um corpo de grande qualidade e tanicidade elevada, desprovido de amargor, (mas raramente excessivamente tânico, como pode ocorrer com a Cabernet Sauvignon).


Pode participar de blends com a branca e aromática Viognier (na França e Austrália), com Cabernet (Austrália) e mesmo com Sangiovese (Itália)

Os países produtores desta variedade que mais se destacam são: França, (atualmente é plantada por todo o Sul da França, sendo comumente usada em blends), Austrália, e também o Chile e a África do Sul.

Assim como o Pinot Grigio / Pinot Gris, é uma uva com dois nomes (Syrah na França e Shiraz na Austrália). Qual a diferença das uvas francesas e australianas? Geneticamente nenhuma, mas, na prova dos vinhos, parece tratar-se de outra variedade e representam estilos de vinhos bem diferentes.



Fora da França e Austrália, vemos tanto Syrah quanto Shiraz nos rótulos - a grafia escolhida dá uma idéia do estilo:

Syrah: vinhos mais especiados, alcatroados, ressaltando as especiarias e a pimenta. O carvalho francês dá notas tostadas.

Shiraz: são vinhos mais intensos, adocicados e frutados em termos de aroma, apresentando mais doçura e notas de chocolate preto. Os australianos a envelhecem em barricas de carvalho americano comumente.


O encontro da nossa confraria de vinhos foi no dia 25/11/2015, e, como o prato seria Paleta de Cordeiro assada, saímos da harmonização óbvia das uvas Tempranillo, Tannat ou mesmo Cabernet Sauvignon. Neste encontro provamos e harmonizamos o prato com vinhos 100% Syrah/ Shiraz.




Foi uma experiência diferente com três vinhos do Novo Mundo: 2 chilenos e 1 australiano.

Minhas impressões:

Vinho 1 ) Antuco Syrah 2010
Produzido pela Vinícola Cremaschi Furlotti, uma das 40 maiores do Chile, no Valle del Maule.
Um vinho de cor rubi com halo cor de tijolo. Vinho este  que há muito passou do auge, com pouca expressão aromática e certo amargor no final de boca. 8 meses de passagem por carvalho francês.
(As últimas garrafas da Nostra Adega de Florianópolis, já que a Importadora que o trazia para o Brasil, a Porto mediterrâneo, já não existe mais).
Álccol a 13%
Preço: 66,00 reais

Vinho 2) De Martino Gran Reserva Legado Syrah 2012
Produzido pela Vinícola De Martino no Valle de Choapa, Chile.
Um vinho de cor rubi, com aromas de cereja e amora. Frutado e com taninos finos. Boa acidez. Elegante e harmônico. Passagem de 12 meses em barricas de carvalho de segundo e terceiro uso, na tentativa mesmo de ressaltar a fruta.Álccol a 13,5%.
No site da Decanter custa 122,00 reais


Vinho 3) Kilikanoon Killerman's Run Shiraz 2010
Produzido pela Vinícola Kilikanoon  em South Australia.
Um vinho de cor vermelho-púrpura, denso, lacrimoso. Aromas de ameixa, frutos vermelhos, café, chocolate. Potente e harmônico. Passagem de 16 meses em barricas de carvalho francês e americano, novos, de segundo e terceiro uso. Álcool a 14,5%.Um belo representante da Shiraz.
Preferi este, porque achei superior e também pela experiência diferente de provar um Shiraz australiano, e porque achei que harmonizou melhor com o prato.
Comprado na Decanter, em Florianópolis, custou 136,75 reais.

Um brinde!