A Sauvignon Blanc (SB) é uma cepa seca, viva, intensamente aromática e com marcada acidez. O seu lar original é o Vale do Loire, na França, onde produz vinhos de estrutura mediana e muito cítricos. Muito cultivada em Bordeaux é cada vez mais empregada como varietal, ou mais comumente como corte com a Sémillon. No Novo Mundo se destaca em Marlborough, na Nova Zelândia, onde se expressa de forma potente e aromática.
É uma cepa para ser bebida jovem, sem envelhecimento para preservar as características da fruta, mas por vezes é envelhecida em barricas de carvalho francês em Bordeaux e na Califórnia ( onde é chamada de Fumé Blanc).
Caracteristicamente o aroma desta cepa lembra a fruta fresca, o limão, maracujá, a manga, a banana, o manjericão, o tomilho, o pimentão verde, o eucalipto, a hortelã. Quando o vinho não passou por tonéis, o aroma abre-se de uma maneira muito intensa e direta. O estágio em barricas o torna mais suave, cheirando a especiarias, com notas de infusão. De muita fineza e elegância, é um vinho muito particular.
Já havia postado um Sauvignon Blanc brasileiro estupendo veja aqui, e o Torii SB foi uma sugestão de amigos. Obrigado Val e Pati Zuco!
Segundo Eduardo Giovannini, em seu Livro Viticultura e Enologia, a SB "não pode expressar todas as suas qualidades enológicas na Serra Gaúcha. Apesar disto, produz um vinho de bom aroma."
Pois é na Serra Catarinense, com sua lenta e fria maturação de altitude, que temos belos exemplares de Sauvignon Blanc. Produzidos com consistência nesses anos, os vinhos são intensos, e com qualidade que se mantém ano a ano. Será o lar da SB no Brasil e nossa uva branca emblemática?
Como produtores de destaque da Serra Catarinenses poderia citar:
Sanjo Núbio SB, Villa Francioni SB, Villagio Bassetti SB.
O vinho de hoje é da Vinícola Hiragami. Já havia postado um outro vinho desta Vinícola relembre, e este é um branco produzido com 100% de SB, a 1427 metros de altitude.
Na taça um vinho límpido, de coloração amarelo-palha com tons esverdeados, aroma intenso de pimentão verde e cítricos, aromas mais discretos de hortelã, um vinho linear, direto como a SB sabe ser. Em boca é bastante seco e com acidez marcante. 12,8% de graduação alcoólica.
Um vinho gastronômico sem dúvida, para os que apreciam a SB.
Sirva-o na temperatura correta, entre 5 a 8°C.
Custo: Comprado na Gran Vin em Caxias do Sul, custou 60,00 reais.
Eu gostei do vinho, embora ache que há muito de melhor ainda por vir destes produtores, que estão no início de uma jornada interessante à procura do nosso terroir e vocação.
Um Brinde!
Blog onde compartilho minhas experiências sobre vinhos, viagens e gastronomia. Avaliação de vinhos. Penso que é importante, além de ser um arquivo pessoal, que o blog informe de forma correta os aspectos a que se propõe, como viagens e degustações de vinhos. Procuro ser sempre o mais preciso possível, pois já me servi de informações de outros blogs para viajar, conhecer pessoas e lugares. Não há a pretensão de esgotar os assuntos. Aproveite! E sejas sempre bem-vindo. Instagram: vinhosqueprovo
domingo, 28 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Piattelli Capricci Torrontés 2014
E de volta ao Zucca Gastrô, após uma pausa no blog em dezembro, mas reanimado para um novo ano e novos vinhos, com a mesma paixão.
O vinho de hoje é da uva Torrontés de Salta, Argentina. Futuramente será necessário dizer Torrontés de Salta, assim como Bonarda Argentina? Pois esta uva branca tem se destacado tanto no país vizinho que já penso em escrever desta forma também.
Cepa originária da Galícia (Espanha), e difundida nos países de colonização espanhola. Sendo transplantada para a Argentina, é na Província de Salta que, reconhecidamente exprime todo o seu potencial.
Origina brancos muito aromáticos, mas bem secos de sabor.
O Capricci é produzido pela Piattelli Vineyards com 100% da cepa Torrontés.
Na taça um vinho de cor amarelo-palha, lágrimas lentas e grossas.
Aroma intenso, muito perfumado, como uma boa Torrontés sabe ser. Floral intenso, herbáceo e cítrico.
Em boca é harmônico, fresco e com boa acidez, picante no final de boca. Elegante, suave e potente. Graduação alcoólica de 14%. Sirva na temperatura ideal dos brancos frutados secos: 6 a 8 °C
Uma boa opção aos Torrontés mais simples.
Adquirido no Emporium Nostra Adega de Florianópolis, custou 65,00 reais.
Outras sugestões de rótulos: Etchart Privado Torrontés e Crios de Susana Balbo Torrontés, os dois de muito bom custo-benefício.
Importado para o Brasil pela Vinhos do Mundo.
Um brinde e um Feliz 2016 para todos nós!
O vinho de hoje é da uva Torrontés de Salta, Argentina. Futuramente será necessário dizer Torrontés de Salta, assim como Bonarda Argentina? Pois esta uva branca tem se destacado tanto no país vizinho que já penso em escrever desta forma também.
Origina brancos muito aromáticos, mas bem secos de sabor.
O Capricci é produzido pela Piattelli Vineyards com 100% da cepa Torrontés.
Na taça um vinho de cor amarelo-palha, lágrimas lentas e grossas.
Aroma intenso, muito perfumado, como uma boa Torrontés sabe ser. Floral intenso, herbáceo e cítrico.
Em boca é harmônico, fresco e com boa acidez, picante no final de boca. Elegante, suave e potente. Graduação alcoólica de 14%. Sirva na temperatura ideal dos brancos frutados secos: 6 a 8 °C
Uma boa opção aos Torrontés mais simples.
Adquirido no Emporium Nostra Adega de Florianópolis, custou 65,00 reais.
Outras sugestões de rótulos: Etchart Privado Torrontés e Crios de Susana Balbo Torrontés, os dois de muito bom custo-benefício.
Importado para o Brasil pela Vinhos do Mundo.
Um brinde e um Feliz 2016 para todos nós!
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terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Confraria 25.11.2015 Noite da Syrah / Shiraz
A uva Syrah tem sua origem no vale do Rhône, França, sendo uma das maiores presenças no mundo do vinho, capaz de surpreender os mais exigentes enófilos. Possui uma casca muito pigmentada, que origina vinhos de cor muito escura, viscosos e macios.
Apresenta característicos aromas de ameixa, violeta, frutos do bosque (groselha, cereja, amora), fumaça, terra e pimenta-do-reino. Um bouquet rico em aromas, um corpo de grande qualidade e tanicidade elevada, desprovido de amargor, (mas raramente excessivamente tânico, como pode ocorrer com a Cabernet Sauvignon).
Pode participar de blends com a branca e aromática Viognier (na França e Austrália), com Cabernet (Austrália) e mesmo com Sangiovese (Itália)
Os países produtores desta variedade que mais se destacam são: França, (atualmente é plantada por todo o Sul da França, sendo comumente usada em blends), Austrália, e também o Chile e a África do Sul.
Assim como o Pinot Grigio / Pinot Gris, é uma uva com dois nomes (Syrah na França e Shiraz na Austrália). Qual a diferença das uvas francesas e australianas? Geneticamente nenhuma, mas, na prova dos vinhos, parece tratar-se de outra variedade e representam estilos de vinhos bem diferentes.
Fora da França e Austrália, vemos tanto Syrah quanto Shiraz nos rótulos - a grafia escolhida dá uma idéia do estilo:
Syrah: vinhos mais especiados, alcatroados, ressaltando as especiarias e a pimenta. O carvalho francês dá notas tostadas.
Shiraz: são vinhos mais intensos, adocicados e frutados em termos de aroma, apresentando mais doçura e notas de chocolate preto. Os australianos a envelhecem em barricas de carvalho americano comumente.
O encontro da nossa confraria de vinhos foi no dia 25/11/2015, e, como o prato seria Paleta de Cordeiro assada, saímos da harmonização óbvia das uvas Tempranillo, Tannat ou mesmo Cabernet Sauvignon. Neste encontro provamos e harmonizamos o prato com vinhos 100% Syrah/ Shiraz.
Foi uma experiência diferente com três vinhos do Novo Mundo: 2 chilenos e 1 australiano.
Minhas impressões:
Vinho 1 ) Antuco Syrah 2010
Produzido pela Vinícola Cremaschi Furlotti, uma das 40 maiores do Chile, no Valle del Maule.
Um vinho de cor rubi com halo cor de tijolo. Vinho este que há muito passou do auge, com pouca expressão aromática e certo amargor no final de boca. 8 meses de passagem por carvalho francês.
(As últimas garrafas da Nostra Adega de Florianópolis, já que a Importadora que o trazia para o Brasil, a Porto mediterrâneo, já não existe mais).
Álccol a 13%
Preço: 66,00 reais
Vinho 2) De Martino Gran Reserva Legado Syrah 2012
Produzido pela Vinícola De Martino no Valle de Choapa, Chile.
Um vinho de cor rubi, com aromas de cereja e amora. Frutado e com taninos finos. Boa acidez. Elegante e harmônico. Passagem de 12 meses em barricas de carvalho de segundo e terceiro uso, na tentativa mesmo de ressaltar a fruta.Álccol a 13,5%.
No site da Decanter custa 122,00 reais
Vinho 3) Kilikanoon Killerman's Run Shiraz 2010
Produzido pela Vinícola Kilikanoon em South Australia.
Um vinho de cor vermelho-púrpura, denso, lacrimoso. Aromas de ameixa, frutos vermelhos, café, chocolate. Potente e harmônico. Passagem de 16 meses em barricas de carvalho francês e americano, novos, de segundo e terceiro uso. Álcool a 14,5%.Um belo representante da Shiraz.
Preferi este, porque achei superior e também pela experiência diferente de provar um Shiraz australiano, e porque achei que harmonizou melhor com o prato.
Comprado na Decanter, em Florianópolis, custou 136,75 reais.
Um brinde!
Apresenta característicos aromas de ameixa, violeta, frutos do bosque (groselha, cereja, amora), fumaça, terra e pimenta-do-reino. Um bouquet rico em aromas, um corpo de grande qualidade e tanicidade elevada, desprovido de amargor, (mas raramente excessivamente tânico, como pode ocorrer com a Cabernet Sauvignon).
Pode participar de blends com a branca e aromática Viognier (na França e Austrália), com Cabernet (Austrália) e mesmo com Sangiovese (Itália)
Os países produtores desta variedade que mais se destacam são: França, (atualmente é plantada por todo o Sul da França, sendo comumente usada em blends), Austrália, e também o Chile e a África do Sul.
Assim como o Pinot Grigio / Pinot Gris, é uma uva com dois nomes (Syrah na França e Shiraz na Austrália). Qual a diferença das uvas francesas e australianas? Geneticamente nenhuma, mas, na prova dos vinhos, parece tratar-se de outra variedade e representam estilos de vinhos bem diferentes.
Fora da França e Austrália, vemos tanto Syrah quanto Shiraz nos rótulos - a grafia escolhida dá uma idéia do estilo:
Syrah: vinhos mais especiados, alcatroados, ressaltando as especiarias e a pimenta. O carvalho francês dá notas tostadas.
Shiraz: são vinhos mais intensos, adocicados e frutados em termos de aroma, apresentando mais doçura e notas de chocolate preto. Os australianos a envelhecem em barricas de carvalho americano comumente.
O encontro da nossa confraria de vinhos foi no dia 25/11/2015, e, como o prato seria Paleta de Cordeiro assada, saímos da harmonização óbvia das uvas Tempranillo, Tannat ou mesmo Cabernet Sauvignon. Neste encontro provamos e harmonizamos o prato com vinhos 100% Syrah/ Shiraz.
Foi uma experiência diferente com três vinhos do Novo Mundo: 2 chilenos e 1 australiano.
Minhas impressões:
Vinho 1 ) Antuco Syrah 2010
Produzido pela Vinícola Cremaschi Furlotti, uma das 40 maiores do Chile, no Valle del Maule.
Um vinho de cor rubi com halo cor de tijolo. Vinho este que há muito passou do auge, com pouca expressão aromática e certo amargor no final de boca. 8 meses de passagem por carvalho francês.
(As últimas garrafas da Nostra Adega de Florianópolis, já que a Importadora que o trazia para o Brasil, a Porto mediterrâneo, já não existe mais).
Álccol a 13%
Preço: 66,00 reais
Vinho 2) De Martino Gran Reserva Legado Syrah 2012
Produzido pela Vinícola De Martino no Valle de Choapa, Chile.
Um vinho de cor rubi, com aromas de cereja e amora. Frutado e com taninos finos. Boa acidez. Elegante e harmônico. Passagem de 12 meses em barricas de carvalho de segundo e terceiro uso, na tentativa mesmo de ressaltar a fruta.Álccol a 13,5%.
No site da Decanter custa 122,00 reais
Vinho 3) Kilikanoon Killerman's Run Shiraz 2010
Produzido pela Vinícola Kilikanoon em South Australia.
Um vinho de cor vermelho-púrpura, denso, lacrimoso. Aromas de ameixa, frutos vermelhos, café, chocolate. Potente e harmônico. Passagem de 16 meses em barricas de carvalho francês e americano, novos, de segundo e terceiro uso. Álcool a 14,5%.Um belo representante da Shiraz.
Preferi este, porque achei superior e também pela experiência diferente de provar um Shiraz australiano, e porque achei que harmonizou melhor com o prato.
Comprado na Decanter, em Florianópolis, custou 136,75 reais.
Um brinde!
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Quinta da Aveleda 2014 - Vinhos Verdes
Contribuição para o Zucca Gastrô, e hoje o post é sobre os Vinhos Verdes. Chega de chuva gente! Eu sei que os tintos fizeram sucesso nesses dias de ficar em casa, mas pensemos que o verão está a chegar.
A região dos Vinhos Verdes é a maior região demarcada de Portugal. Localiza-se no extremo norte do País, na fronteira com a Espanha, nas províncias do Minho e do Douro Litoral.
A região dos Vinhos Verdes é a maior região demarcada de Portugal. Localiza-se no extremo norte do País, na fronteira com a Espanha, nas províncias do Minho e do Douro Litoral.
O Vinho Verde é um tipo de vinho absolutamente singular de Portugal.
O nome verde , tanto para tintos como para brancos, em linhas gerais, é uma descrição do seu estilo fresco, às vezes submaturado, e não sua cor, que é vermelha ou quase branco-água. É, como o nome diz, uma bebida de acidez elevada e para ser consumida jovem.
Há duas versões para o nome Verde:
1) a "oficial", que credita o nome ao verde exuberante da paisagem da região do Minho
2) A verdadeira, de que eram vinhos feitos efetivamente a partir de uvas verdes, devido à conjugação de clima e das antigas técnicas de viticultura locais (vinhas exuberantes e regadas em profusão pela águas das hortas).
Luis Lopes (Revista de Vinhos de Portugal), no artigo "Vinho Verde a Origem de um nome"
De qualquer forma, isso não tem importância nos dias de hoje, já que a região se modernizou e apresenta uvas que atingem o ponto de maturação ideal.
| Região do Minho- portugal |
A região dos Vinhos Verdes é uma DOC (Denominação de Origem Controlada), das mais antigas de Portugal, na qual são produzidas aproximadamente 75 milhões de litros /ano, de vinhos verdes brancos e tintos, rosés e espumantes.
Neste clima úmido, as vinhas são extremamente vigorosas, o ácido málico extraordinariamente alto, e os níveis de açúcar natural da uva relativamente baixos, o que resulta em tintos e brancos com baixo teor alcoólico e definitivamente ácidos, um sabor local.
Apesar de a maioria do branco Vinho Verde ser feito de uma mistura de uvas, que normalmente inclui Azal, Loureiro, Trajadura, Avesso e Pedernã (Arinto), alguns dos melhores são feitos exclusivamente de uva Alvarinho, cultivadas ao redor de Monção.
Apesar de a maioria do branco Vinho Verde ser feito de uma mistura de uvas, que normalmente inclui Azal, Loureiro, Trajadura, Avesso e Pedernã (Arinto), alguns dos melhores são feitos exclusivamente de uva Alvarinho, cultivadas ao redor de Monção.
Algumas dicas para os Vinhos Verdes:
O melhor é prová-los enquanto jovens, mesmo.
Sirva gelado, a uma temperatura ideal de 8 a 10 °C.
Melhoram muito com a comida, e harmonizam muito bem com a cozinha portuguesa, claro. Prove-os com pratos leves, peixes, ou um Bacalhau à Gomes de Sá, por exemplo, ou como aperitivo, na conversa com os amigos em um belo dia de calor.
Sirva gelado, a uma temperatura ideal de 8 a 10 °C.
Melhoram muito com a comida, e harmonizam muito bem com a cozinha portuguesa, claro. Prove-os com pratos leves, peixes, ou um Bacalhau à Gomes de Sá, por exemplo, ou como aperitivo, na conversa com os amigos em um belo dia de calor.
Trouxe um Vinho Verde bem típico:
Quinta da Aveleda Vinho Verde 2014
De uma das casas mais tradicionais produtoras de Vinho Verde.
De uma das casas mais tradicionais produtoras de Vinho Verde.
Visual amarelo palha.
Aroma média intensidade, típico, flores brancas e cítricos.
Em boca confirma os aromas, com média persistência.
Prazeroso e gastronômico.
Me parece ser a pedida certa para iniciar no mundo dos Verdes, pela tipicidade e pelo prazer que proporciona.
Álcool a 11%
Comprado no Emporium Bocaiúva no dia 21/10/2015, custou 63,20 reais.
Recomendável.
Na prova para este post provei outros dois vinhos que não estavam bons, o Muros Antigos 2014 e o Muralhas de Monção. (Já se diz que não existem grandes vinhos, mas apenas grandes garrafas, para diminuir o viés - mesmo vinho, diferentes garrafas, ok?).
Então, muito cuidado na compra dos Verdes. Além de serem vedados com pequenas rolhas de cortiça, não foram feitos para durar, evoluir, nem suportam maus tratos, como mau acondicionamento, problemas no transporte e calor em excesso. São, como os alguns brancos, vinhos mais delicados. Mas quando prová-los de jovens e boas garrafas, ah! são uma beleza. (Boa escolha é o Casal Garcia também, esse mesmo que está em todas as gôndolas de supermercados pelo Brasil afora, simples e bom).
Recomendável.
Na prova para este post provei outros dois vinhos que não estavam bons, o Muros Antigos 2014 e o Muralhas de Monção. (Já se diz que não existem grandes vinhos, mas apenas grandes garrafas, para diminuir o viés - mesmo vinho, diferentes garrafas, ok?).
Então, muito cuidado na compra dos Verdes. Além de serem vedados com pequenas rolhas de cortiça, não foram feitos para durar, evoluir, nem suportam maus tratos, como mau acondicionamento, problemas no transporte e calor em excesso. São, como os alguns brancos, vinhos mais delicados. Mas quando prová-los de jovens e boas garrafas, ah! são uma beleza. (Boa escolha é o Casal Garcia também, esse mesmo que está em todas as gôndolas de supermercados pelo Brasil afora, simples e bom).
Lembrando, também com bom humor, um Provérbio português:
O bom vinho arruína a bolsa; o mau, o estômago.
Um brinde a todos!
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quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Um Português do Alentejo: Plansel Selecta Homenagem ao Thomas 2012
A casta Trincadeira (ou Tinta Amarela) gera vinhos tintos de cor carregada, exalando frutas pretas, flores (violeta) e especiarias, mais vegetais quando a maturação é deficiente. No palato são encorpados, ricos em taninos finos, com boa acidez, e complexos. São ligeiramente alcoólicos e com boas condições para envelhecer bem em garrafa. É uma casta difícil, especialmente vigorosa, necessitando de refreio permanente e cuidados extremos no controle da produção.
O vinho de hoje é produzido com 100% da casta em questão, em Montemor-o-Novo, Alentejo, Portugal, sob os cuidados da enóloga alemã Dorina Lindemann.
Plansel Selecta 2012:
Um vinho de coloração rubi, límpido, lágrimas grossas e lentas.Aroma de frutos vermelhos, ameixa madura, cassis, especiarias e tabaco. Evolui bem na taça, algo raro para um vinho mais simples.
Em boca confirma os aromas, bem presente o cassis, com corpo médio, taninos firmes, boa acidez. De média persistência. Um vinho moderno, fácil de beber e prazeroso.
Potente e elegante.
Muito bom, aliás, como é comum com os portugueses, eleitos pelas revistas e críticos internacionais como tendo alguns dos vinhos de melhor custo-benefício do mundo.
Estagia por 8 meses em barricas de carvalho francês.
Álcool a 15%
Importado para o Brasil pela Decanter, custa 92,95 reais no site da importadora.
Nota: 90 pontos
Vale a pena? Eu achei que sim, prove Portugal e o Alentejo!
Um Brinde.
sábado, 10 de outubro de 2015
Um Uruguaio de Respeito: Bouza Tannat A8 Parcela Única 2012
Estava faltando um bom Tannat no Vinhosqueprovo.
O uruguaios estão entre os maiores consumidores de vinhos da América do Sul.
A sua uva emblemática, a Tannat, é mais gorda e aveludada do que a da sua terra natal na região de Madiran, na França.
Produz vinhos tânicos (como bem expressa o seu nome), escuros, concentrados, que podem ser bebidos com poucos anos de envelhecimento, diferentemente do original francês.
Muito frequentemente é cortada com outras cepas como Merlot ou Cabernet Sauvignon, para moderar a sua adstringência ou dar maior estrutura ao conjunto.
Vamos ao vinho?
Produzido pela Bodega Bouza do Uruguai em Melilla, Montevideo, com 100% Tannat.
Na taça um vermelho-púrpura com halo violáceo, denso, lágrimas grossas e lentas. Aroma vinoso, de compota de frutas vermelhas e especiarias. No palato é equilibrado, um vinho tânico, mas macio, de boa persistência. Vertical, típico, mostra firmeza e potência, como um bom Tannat. Não é um vinho para o dia-a-dia, é o que os italianos chamam de "vinho de pensar", meditativo, um vinho para ser apreciado aos poucos. Muito prazeroso.
Afinado por 18 meses em barricas novas de carvalho americano. Álcool a 15%
Produzido pela Bodega Bouza do Uruguai em Melilla, Montevideo, com 100% Tannat.
Na taça um vermelho-púrpura com halo violáceo, denso, lágrimas grossas e lentas. Aroma vinoso, de compota de frutas vermelhas e especiarias. No palato é equilibrado, um vinho tânico, mas macio, de boa persistência. Vertical, típico, mostra firmeza e potência, como um bom Tannat. Não é um vinho para o dia-a-dia, é o que os italianos chamam de "vinho de pensar", meditativo, um vinho para ser apreciado aos poucos. Muito prazeroso.
Afinado por 18 meses em barricas novas de carvalho americano. Álcool a 15%
Esta garrafa é a de número 1493, de um total de 4314.
Não sei o preço. Sorry guys, mas essa ganhei por ocasião do meu aniversário.
Quem importa para o Brasil é a Decanter, de Blumenau.
Um Brinde!
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
O Carvalho
A madeira tem muitos mistérios!
Mais um post para o Zucca Gastrô. Desta vez o assunto é o uso de carvalho para a maturação dos vinhos. O assunto é extenso, mas nem por isso deixa de ser importante e prazeroso falar sobre ele. Acredito que, ao final, você poderá melhor perceber a importância do que foi exposto aqui, e também poder melhor apreciar uma taça com os amigos.
O hábitat
natural do carvalho é o hemisfério norte temperado e subtropical. Estas árvores vivem vários séculos –
algumas até mil anos, e atingem até 30
a 50
metros . São cortadas para fazer barris quando tem de 150 a 250 anos (30 m altura e 80 cm diâmetro).
O maior produtor mundial de carvalho é a América do Norte, com mais de 700 milhões de metros cúbicos. A França produz mais de 400 milhões de metros cúbicos.
Localização das principais florestas:
Localização das principais florestas:
EUA: Oregon, Missouri,
Minnesota, Pensilvânia e Virgínia
FRANÇA: Limousin, Allier,
Vosges, Never e Tronçais
EUROPA DO LESTE: Hungria,
Lituânia, Rússia, Eslováquia e Ucrânia
O carvalho utilizado na produção de vinho pertence
ao gênero Quercus, de diferentes espécies: Súber,
Alba, Petrae e Robur.
Quercus súber, conhecido como
carvalho corticeiro ou sobreiro, é a árvore da qual se extrai a casca para
fazer rolhas.
Quercus alba é o carvalho branco originário da América, inicialmente
utilizado para envelhecer wisky e bourbons, e na atualidade muito utilizado para
maturar vinhos.
Quercus petrae e robur são os carvalhos vermelhos, originários da
França e sempre utilizados para maturar vinhos de qualidade.
O
Q. Alba possui uma maior porosidade (grão mais aberto) devido a sua maior
velocidade de crescimento e os petrae e robur são mais fechados. Por conta
disso, a barrica de carvalho americana é mais barata que a de carvalho francês.
A barrica é feita a partir de duelas que são idealmente fabricadas pela prática de “hendidura” ou rachadura, o que permite abrir a madeira acompanhando as nervuras naturais. (evita a comunicação entre o interno e o externo das duelas). As fibras da duela partida ficam intactas.
É
necessária uma secagem da madeira de 2 a
3 anos, no mínimo, para uma barrica de qualidade.
A
madeira sofre então 2 queimadas: Queima de Aquecimento,
que dura cerca de 25 a
30 min, para curvar as duelas, e a segunda chamada Queima
de Tostadura para liberar os componentes gustativos e aromáticos da
madeira:
São 4 os níveis de intensidade: Ligeira,
Média (M), Média Escura (M+) e Forte.
Mais usadas: M para os tintos e M+ para os brancos
Há interferência do gosto do vinhateiro e sua concepção para a escolha do tipo de barrica e sua tostadura? Claro! O famoso produtor Ângelo Gaja acha que o equilíbrio está com 40% do vinho em barrica nova e 60% em barrica de 1 ano, para os seus melhores vinhos.
Há que se destacar também que a profissão de Tanoeiro demanda sensibilidade e experiência, sendo muitíssimo valorizada pelas grandes vinícolas.
Muitos vídeos sobre Tanoaria estão disponíveis no youtube, mas quis destacar este, que dirige um outro olhar a esta antiga profissão:
Muitos vídeos sobre Tanoaria estão disponíveis no youtube, mas quis destacar este, que dirige um outro olhar a esta antiga profissão:
Outros pontos importantes:
- A vida útil de um barril, do ponto de vista da extração de aromas e aporte de taninos é de cerca de 3 anos.
- Barris de carvalho têm alto custo e impacto direto no preço final de uma garrafa de vinho.
- Foram identificadas mais de 60 substâncias que a madeira libera no vinho.
- Compostos odoríferos mais importantes do carvalho não-tostado:
Lactona: madeira, côco e folhagem úmida de bosque (francês)
Eugenol: cravo e especiarias (francês e americano do Oregon)
Vanilina: baunilha (americano)
Observação: No carvalho Americano, os compostos de metiloctolactona e vanilina são quase iguais, determinando uma característica mais açucarada, com notas de côco e baunilha, menos complexas e delicadas.
Com o carvalho, o vinho sofre profundas modificações, ganha intensidade de cor, de taninos da madeira e compostos responsáveis pela complexidade aromática, (chamado de élevage em francês e crianza, em espanhol), pois é um meio de estabilização e de melhoramento da bebida.
Pois bem, mas como isso ocorre?
A porosidade da madeira determina intercâmbio entre o vinho e o oxigênio. O carvalho é levemente poroso, impermeável à líquidos, mas permeável a uma microoxigenação
controlada. Assim, podemos concluir que os vinhos
maturam em ambiente aeróbico e envelhecem na garrafa em ambiente anaeróbico, ok?
Esta microoxigenação leva à polimerização dos taninos, e, como consequência à uma diminuição da adstringência, produzindo vinhos mais aveludados. O que se quer com a oxigenação
controlada é diminuir o teor de CO2, levando a uma lenta evolução de compostos fenólicos para a
formação de aromas terciários.
A conclusão de tudo isso é que o armazenamento do vinho em barricas de carvalho determina a crucial relação do vinho com o oxigênio.
Mas, além disso, há uma modificação e estabilização da cor dos vinhos tintos, através da formação de copolímeros entre os antocianos
(pigmentos coloridos da casca da uva) com taninos da madeira
e com os taninos do vinho. Importante, não?
E quanto ao uso de "chips"? (lascas de carvalho misturados com o vinho). Isso existe também, claro. Eles funcionam para vinhos muito simples, de consumo imediato, que podem ganhar com esse aporte de aroma e sabor. Porém tendem a se perder depois de alguns meses do vinho engarrafado e não proporcionam a mesma qualidade das barricas, nem a microoxigenação.
Isto merece uma consideração. Uso de chips? Tudo bem, mas isso deveria ser descrito no rótulo do vinho, não? Os consumidores tem o direito de saber. É algo que precisa ser regulamentado sim.
Por fim, já passamos pela Era do Carvalho na produção de vinhos. Hoje o que se vê e o que se espera é que a essência da uva prevaleça, com vinhos com identidade e com diversidade.
Citando experts:
“A
madeira pode violentar o vinho; mas, como qualquer tempero, pode dar mais
qualidade a certos vinhos caso venha a combinar-se com eles harmoniosamente, em
vez de chamar toda a atenção para si mesma”.
Guido Rivella
“Num
bom vinho, tudo deve ser harmonioso; a qualidade sempre está vinculada a um
jogo sutil de equilíbrios de sabores e aromas.”
Émile Peynaud
Espero que este texto possa , de alguma forma, ajudar no prazer de degustar o vinho, nosso principal objetivo. Saúde!!!
sábado, 26 de setembro de 2015
Riesling Peter Lauer
Mais 2 Rieslings para a conta: Desta vez o produtor é Peter Lauer, do Vale do Mosel, Alemanha.
Acredito que é preciso provar um certo tipo de vinho muitas vezes para entendê-lo, ou entender realmente a sua beleza. Digo isto porque considero uma experiência muito diferente provar vinhos brancos alemães da uva Riesling.
Dos secos aos doces, dos muito minerais aos ácidos, dos de baixo a médio teor alcoólico, não tenha preconceito, nem aos Rieslings, nem aos brancos. Apenas prove e perceba. Vamos nessa?
1) Kabinett Peter Lauer 2014
Na taça um vinho de cor amarelo-verdoso, brilhante, pouco fluido.
Aromas de flores brancas e cítricos, pouco intensos. Em boca é que se sobressai, um conjunto cítrico (maçã verde e limão), intenso, mineral e doce. Muito boa persistência no final de boca. Harmônico e linear.
Álcool a 8% v.v.
Um grande vinho, de um grande terroir. Para uma reunião informal, um fim de tarde ou harmonizado com cozinha oriental. Como a própria classificação informa, os Kabinett são vinhos leves e refrescantes, ideais como aperitivos. Muito Especial!
Comprado Na Viniculture, em Berlim, custou 16,50 euros.
Um vinho muito diferente do anterior, austero. Aromas de média intensidade, pouco frutado (pêssego) e muito mineral. Confirma em boca, um vinho caloroso, sente-se a presença do álcool, que, neste vinho tem o teor de 11,5 v.v. Linear como os Rieslings costumam ser, vai direto ao ponto.
Um vinho mais gastronômico.
Comprado Na Viniculture, em Berlim, custou 15 euros.
Um Brinde!
Acredito que é preciso provar um certo tipo de vinho muitas vezes para entendê-lo, ou entender realmente a sua beleza. Digo isto porque considero uma experiência muito diferente provar vinhos brancos alemães da uva Riesling.
Dos secos aos doces, dos muito minerais aos ácidos, dos de baixo a médio teor alcoólico, não tenha preconceito, nem aos Rieslings, nem aos brancos. Apenas prove e perceba. Vamos nessa?
1) Kabinett Peter Lauer 2014
Aromas de flores brancas e cítricos, pouco intensos. Em boca é que se sobressai, um conjunto cítrico (maçã verde e limão), intenso, mineral e doce. Muito boa persistência no final de boca. Harmônico e linear.
Álcool a 8% v.v.
Um grande vinho, de um grande terroir. Para uma reunião informal, um fim de tarde ou harmonizado com cozinha oriental. Como a própria classificação informa, os Kabinett são vinhos leves e refrescantes, ideais como aperitivos. Muito Especial!
Comprado Na Viniculture, em Berlim, custou 16,50 euros.
2) Senior Peter Lauer 2014
Na taça um vinho de cor amarelo palha, pouco fluido.Um vinho muito diferente do anterior, austero. Aromas de média intensidade, pouco frutado (pêssego) e muito mineral. Confirma em boca, um vinho caloroso, sente-se a presença do álcool, que, neste vinho tem o teor de 11,5 v.v. Linear como os Rieslings costumam ser, vai direto ao ponto.
Um vinho mais gastronômico.
Comprado Na Viniculture, em Berlim, custou 15 euros.
Enfim, dividi mais uma experiência com brancos, espero que percamos o preconceito com esses vinhos, porque rendem experiências fantásticas e não merecem ser desprezados, mas sim, exaltados. (Espero postar alguns bons brancos produzidos em território nacional em breve, eles existem!).
Um Brinde!
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Terroir
É com grande alegria e prazer que escrevo novamente um post para o Zucca Gastrô, e desta vez abordaremos o termo terroir.
Se você é apreciador de vinhos, já deve ter ouvido a palavra terroir. Mas que diacho é isso? Tão complicando meu vinho...
Na verdade, saber e aprender sobre o terroir é importante mesmo, porque diferencia o vinho de todas as outras bebidas do mundo.
Em todo vinhedo, uma combinação única de clima, topografia, e solo modela o caráter das vinhas que ali crescem e das uvas que elas produzem. Por sua vez, o vinho feito dessas uvas reflete o aspecto deste lugar.
Terroir é uma palavra de origem francesa que compreende todas as várias e únicas combinações de geografia, clima, viticultura que influenciam as uvas em cada particular área vinícola, tanto um único vinhedo como uma região inteira, incluindo solo, chuvas, sol, ventos, inclinação do solo, irrigação e drenagem.
O conceito que está por trás de terroir é que dois vinhedos não são exatamente os mesmos. Simples? Pois é isso mesmo.
Até uvas exatamente da mesma cepa criarão vinhos diferentes no gosto, devido à unicidade do terroir sobre o qual cada uma foi cultivada.
Por isso que não é difícil ouvir, de forma romântica, que o vinhateiro expressa o terroir, o solo, através do seu cultivar (no caso, a uva).
Essa diversidade de terroir (uma combinação de solo, clima e indefinível "senso do lugar") é altamente valorizada entre os produtores de vinho e especialmente entre os colecionadores.
Por isso os produtores criam regras específicas para ter a denominação DOC (Denominação de Origem Controlada), porque isso equivaleria a ter um "produto de terroir", um produto único, próprio de uma área delimitada.
No Brasil temos a DO do Vale dos Vinhedos ( a D.O. possui regras de cultivo e processamento mais restritas do que as estabelecidas para a Indicação de Procedência -I.P.), o que traz valor agregado ao produto, garantindo que o mesmo é produzido dentro dos limites do território, sob regras restritas. Bacana não é?
Veja aqui toda a lista de vinhos brasileiros com a D.O. do Vale dos Vinhedos:
http://www.valedosvinhedos.com.br/vale/conteudo.php?view=97&idpai=132
Na foto abaixo, uma garrafa de 6 litros ( chamada de Mathusalem ou Impériale) de Lote 43 Safra 2011 que tive o prazer de compartilhar com amigos em uma confraternização muito especial.
Um blend de Cabernet Sauvignon e Merlot, complexo e potente, com 14% v.v.
Enfim, o Lote 43 da Miolo é um dos vinhos que trazem no rótulo o selo da D.O. Vale dos Vinhedos, e é um dos vinhos nacionais obrigatórios na adega de qualquer um.
Adquirido em 20/04/2015, em Caxias do Sul, na Boccati Vinhos, e custou 486,00 reais. (Na Vinícola Miolo não encontrei).
Um Brinde!
No próximo post: O Uso de Carvalho no Vinho.
Aguardem!
| Vinhedo na Provence |
Se você é apreciador de vinhos, já deve ter ouvido a palavra terroir. Mas que diacho é isso? Tão complicando meu vinho...
Na verdade, saber e aprender sobre o terroir é importante mesmo, porque diferencia o vinho de todas as outras bebidas do mundo.
| Vale do Rio Douro - Portugal |
Em todo vinhedo, uma combinação única de clima, topografia, e solo modela o caráter das vinhas que ali crescem e das uvas que elas produzem. Por sua vez, o vinho feito dessas uvas reflete o aspecto deste lugar.
Terroir é uma palavra de origem francesa que compreende todas as várias e únicas combinações de geografia, clima, viticultura que influenciam as uvas em cada particular área vinícola, tanto um único vinhedo como uma região inteira, incluindo solo, chuvas, sol, ventos, inclinação do solo, irrigação e drenagem.
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| Piemonte - Itália |
Até uvas exatamente da mesma cepa criarão vinhos diferentes no gosto, devido à unicidade do terroir sobre o qual cada uma foi cultivada.
Por isso que não é difícil ouvir, de forma romântica, que o vinhateiro expressa o terroir, o solo, através do seu cultivar (no caso, a uva).
| Marlborough - Nova Zelândia |
Essa diversidade de terroir (uma combinação de solo, clima e indefinível "senso do lugar") é altamente valorizada entre os produtores de vinho e especialmente entre os colecionadores.
Por isso os produtores criam regras específicas para ter a denominação DOC (Denominação de Origem Controlada), porque isso equivaleria a ter um "produto de terroir", um produto único, próprio de uma área delimitada.
No Brasil temos a DO do Vale dos Vinhedos ( a D.O. possui regras de cultivo e processamento mais restritas do que as estabelecidas para a Indicação de Procedência -I.P.), o que traz valor agregado ao produto, garantindo que o mesmo é produzido dentro dos limites do território, sob regras restritas. Bacana não é?
Veja aqui toda a lista de vinhos brasileiros com a D.O. do Vale dos Vinhedos:
http://www.valedosvinhedos.com.br/vale/conteudo.php?view=97&idpai=132
Na foto abaixo, uma garrafa de 6 litros ( chamada de Mathusalem ou Impériale) de Lote 43 Safra 2011 que tive o prazer de compartilhar com amigos em uma confraternização muito especial.
Um blend de Cabernet Sauvignon e Merlot, complexo e potente, com 14% v.v.
Adquirido em 20/04/2015, em Caxias do Sul, na Boccati Vinhos, e custou 486,00 reais. (Na Vinícola Miolo não encontrei).
Um Brinde!
No próximo post: O Uso de Carvalho no Vinho.
Aguardem!
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quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Curatolo Arini Paccamora Nero d'Avola 2013
Na Sicília se produz vinhos tão típicos quanto em outras regiões da Itália. Assim, provemos um Barolo do Piemonte, um Amarone do Vêneto, ou um Chianti da Toscana, e imediatamente o vinho nos reporta ao terroir, ao clima, aos vinhedos. A Itália é um país que expressa, em suas uvas, o seu País, a sua gente, a sua cultura, a sua mesa, o seu estilo e o seu bem viver. Escrevo isso admitindo a minha paixão por seus vinhos e por sua diversidade de estilos. Viva a Itália!
O vinho de hoje é um siciliano IGT produzido 100% com a casta Nero d'Avola. Não passa por carvalho, na tentativa de expressar somente a fruta.
De cor rubi, com pouca fluidez. Aroma frutado e característico, com muita cereja e algo de especiarias.
Em boca tem corpo médio, em equilíbrio com um corpo tornado caloroso pelo álcool, fino, ainda que exprimindo uma certa juventude, tânico e pouco sápido. Gastronômico como um bom italiano.
Um vinho do Mediterrâneo, de clima muito quente, sem dúvida.
Álcool a 13%
Comprado na Decanter em Florianópolis, custou 78,80 reais.
Nota= 88 pontos
Um Brinde!
P.S. Veja mais sobre outro Nero d'Avola neste link
O vinho de hoje é um siciliano IGT produzido 100% com a casta Nero d'Avola. Não passa por carvalho, na tentativa de expressar somente a fruta.
De cor rubi, com pouca fluidez. Aroma frutado e característico, com muita cereja e algo de especiarias.
Em boca tem corpo médio, em equilíbrio com um corpo tornado caloroso pelo álcool, fino, ainda que exprimindo uma certa juventude, tânico e pouco sápido. Gastronômico como um bom italiano.
Um vinho do Mediterrâneo, de clima muito quente, sem dúvida.
Álcool a 13%
Comprado na Decanter em Florianópolis, custou 78,80 reais.
Nota= 88 pontos
Um Brinde!
P.S. Veja mais sobre outro Nero d'Avola neste link
Torii Cabernet Sauvignon 2008 - Mais um Belo Representante Catarinense
Hoje trouxe uma boa dica de um vinho catarinense, garimpado na última viagem a São Joaquim.
Torii Cabernet Sauvignon 2008
Produzido pela Vinícola Hiragami a 1427 m de altitude, portanto, dos parreirais mais altos do estado, em São Joaquim - SC com as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot.
(Há um outro Cabernet Sauvignon da Hiragami, que passa mais tempo em carvalho, e que foi premiado, mas hoje vamos falar deste, que achei excelente custo-benefício)
12 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês. Álcool a 13,6%.
Um vinho de cor rubi com reflexos de cor tijolo.
Aroma vinoso, característico das cepas, com café torrado, ameixa e herbáceo em um conjunto homogêneo e harmônico.
De corpo médio, em boca os taninos estão redondos e macios. Elegante e evoluído. Boa persistência em boca.
Um vinho pronto, não evoluirá com mais tempo de guarda. Portanto desfrutem-no se acharem para compra!
Adquirido na Casa do Vinho, custou 60,00 reais.
Nota= 87 pontos.
Fiquei curioso para provar os outros vinhos desta Vinícola.
Um brinde!
https://www.facebook.com/pages/Vinhos-Hiragami/1719858111573856
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domingo, 30 de agosto de 2015
São Joaquim Agosto de 2015 - Vinhos e Amizade
E, novamente a nossa turma de Floripa foi à São Joaquim, porque fomos muito bem recebidos anteriormente, veja aqui porque somos apaixonados por vinho e pela nossa amizade e também porque queremos conhecer mais as coisas da nossa terra e da nossa gente.
Fomos na Vinhedos do Monte Agudo. Nos receberam muito bem da última vez, e voltamos.
Nesta foto, o time completo.
1) Sinfonia Brut Rosé
2) Vinhedos do Monte Agudo Chardonnay 2013
3) Sublime Rosé Merlot
4) Vinhedos do Monte Agudo Cabernet Sauvignon / Merlot 2010
O dono e idealizador da Vinícola Vinhedos do Monte Agudo, Sr Leônidas Ferraz, nos falando de sua paixão pela terra, pelo vinho e pelo seu projeto.
O pôr-do-sol em São Joaquim é muito típico e belo também.
Hora de conhecer a Vinícola D'Alture, projeto apresentado pelo Enólogo Adão Cardoso, um jovem cheio de paixão pelo trabalho que faz, um grande profissional à frente dos trabalhos de cuidado com os vinhedos e com a Vinícola, e elaboração dos vinhos.
Após a visita, fomos ao Vinópolis, um wine bar que a vinícola tem no centro da cidade,
No domingo, fomos pela manhã na Casa do Vinho, uma loja de vinhos no centro da cidade, falar com o Sr Vilson e para comprar vinhos e queijos. Eu levei para casa esses, que espero postar em breve:
Villaggio Bassetti Rosé 2013
Pericó Basaltino Pinot Noir 2013
Torii Cabernet Sauvignon 2008
Na volta um almoço maravilhoso em Urubici, no Restaurante Paradouro Santo Antônio, especializado em carnes, parrilla e peixe (truta).
Eu provei a truta com cobertura de manteiga de amêndoas, mas hove quem escolhesse a defumada, a com alcaparras e champignon (da foto), além de cordeiro e entrecot.
Ou seja, um espetacular final de passeio.
http://estalagemsantoantonio.com.br/homepage/a-pousada/o-restaurante/
Hora de voltar a Florianópolis.
As vinícolas de São Joaquim estão crescendo com a força de pessoas engajadas, corajosas, sonhadoras e com um grande futuro. Os vinhos? Espelham essa energia e força, estão a melhorar a passos largos e temos e teremos muitas e excelentes novidades em solo catarinense, sem dúvida.
Um Abraço a Todos.
Tivemos algumas boas surpresas com produtos novos e com pessoas que estão iniciando seus negócios no mundo do vinho, com pioneirismo, coragem e paixão.
Fomos na Vinhedos do Monte Agudo. Nos receberam muito bem da última vez, e voltamos.
Nesta foto, o time completo.
E os vinhos que pudemos apreciar naquele almoço:
1) Sinfonia Brut Rosé
2) Vinhedos do Monte Agudo Chardonnay 2013
3) Sublime Rosé Merlot
4) Vinhedos do Monte Agudo Cabernet Sauvignon / Merlot 2010
O dono e idealizador da Vinícola Vinhedos do Monte Agudo, Sr Leônidas Ferraz, nos falando de sua paixão pela terra, pelo vinho e pelo seu projeto.
O pôr-do-sol em São Joaquim é muito típico e belo também.
Hora de conhecer a Vinícola D'Alture, projeto apresentado pelo Enólogo Adão Cardoso, um jovem cheio de paixão pelo trabalho que faz, um grande profissional à frente dos trabalhos de cuidado com os vinhedos e com a Vinícola, e elaboração dos vinhos.
Após a visita, fomos ao Vinópolis, um wine bar que a vinícola tem no centro da cidade,
Fomos recebidos pelo Sr. Roberto Chaves, proprietário da Vinícola, e, pela mão do seu criador, pudemos ouvir sobre os vinhos e futuros projetos.
Vinhos da noite:
1) Chardonnay Dalture Lounge 2013
2) Sauvignon Blanc Lounge 2015
3) Rosé Dalture Lounge 2012
4) Trio Dalture 2013 (um blend de Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec)
5) Cabernet Sauvignon Reserva 2012
http://www.dalture.com/
No domingo, fomos pela manhã na Casa do Vinho, uma loja de vinhos no centro da cidade, falar com o Sr Vilson e para comprar vinhos e queijos. Eu levei para casa esses, que espero postar em breve:
Villaggio Bassetti Rosé 2013
Pericó Basaltino Pinot Noir 2013
Torii Cabernet Sauvignon 2008
Na volta um almoço maravilhoso em Urubici, no Restaurante Paradouro Santo Antônio, especializado em carnes, parrilla e peixe (truta).
Eu provei a truta com cobertura de manteiga de amêndoas, mas hove quem escolhesse a defumada, a com alcaparras e champignon (da foto), além de cordeiro e entrecot.
Ou seja, um espetacular final de passeio.
http://estalagemsantoantonio.com.br/homepage/a-pousada/o-restaurante/
Hora de voltar a Florianópolis.
As vinícolas de São Joaquim estão crescendo com a força de pessoas engajadas, corajosas, sonhadoras e com um grande futuro. Os vinhos? Espelham essa energia e força, estão a melhorar a passos largos e temos e teremos muitas e excelentes novidades em solo catarinense, sem dúvida.
Um Abraço a Todos.
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