sábado, 1 de fevereiro de 2014

Salton Gamay 2013


A sugestão para o post da CBE (Confraria Brasileira de Enoblogs) deste mês foi do confrade Silvestre, do blog Vivendo a Vida: "Vinho da uva Gamay livre de preço e país".
Algumas considerações são válidas para esta que é a cepa que produz um dos vinhos tintos leves mais célebres do mundo.
A gamay produz um vinho tinto que é excepcionalmente frutado, fresco e pouco alcoólico. É mais conhecida como a uva que dá origem ao Beaujolais Nouveau, um vinho jovem e frutado, feito e engarrafado imediatamente após a vindima de Beaujolais, Borgonha. Nos vinhos produzidos com Gamay, o caráter da cepa predomina.
Caracteristicamente conhecido como um vinho que deva ser bebido jovem, alguns vinhos de Beaujolais, das melhores safras, podem envelhecer muito bem.



Resolvi provar um vinho nacional, muito popular, produzido pela Vinícola Salton em Bento Gonçalves com 100% de uvas Gamay.

Coloração bordô pouco intensa, límpido, lacrimoso, pernas finas e lentas.

Aroma frutado, inicialmente framboesa e morango, também banana e pêssego maduro.
Delicado, jovem, com baixa acidez e pouco tânico. Bom volume. Leve e com certo dulçor, mas não enjoativo.

Muito bem vinificado, um belo conjunto, harmônico, álcool a 12%. Bela surpresa.

Comprado no Supermercado Angeloni em Florianópolis, ao custo de 28,50 reais.

Nota=89 pontos.
Como sempre acho que uma boa apresentação é indispensável, não posso deixar de exaltar o lindo rótulo deste vinho,  A Colheita da Uva, do meu conterrâneo de Caxias do Sul, Victor Hugo Porto, cujo trabalho vale a pena ser (re)conhecido. A imagem fala por si só. Parabéns.


Um brinde!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Confraria 29.01.2014


Reunião mensal da Confraria na casa do anfitrião do mês, confrade Darley, em uma noite agradável e de muito calor.

De entrada o espumante .NERO da Domno, branco e rosé.


Churrasco caprichado assado pelo Chico aqui de Florianópolis.

A proposta era: Degustação às cegas de dois vinhos tintos, que rendeu muita e boa conversa.


O primeiro parecia ser mesmo um vinho do Novo Mundo com um blend de uvas. Taninos macios, equilibrado, aromas a frutos vermelhos, passagem por carvalho que lhe conferiu elegância, com boa acidez e perfeito para as carnes. Blend com Merlot? Malbec?


O segundo vinho se assemelhava a um Tannat nos aromas, mas adstringente e austero, e com a pouca intensidade de cor e taninos , apontava em outra direção, mas qual?

Santo exercício de humildade!


Amauta 2012
Vinho 1: Amauta 2012
 Produzido pela Adega El Porvenir, em Salta, Argentina, o Amauta 2012 é um blend com 60% de Malbec, 30% de Cabernet Sauvignon e 10% de Syrah.
Álcool à 14,5%.
Envelhecido em barricas de carvalho francês e americano de segundo uso, entre 6 a 8 meses.
Preço: 75,80 reais (Nostra Adega de Florianópolis)

http://www.elporvenirdecafayate.com/




Marqués de Tomares
 Crianza 2009
Vinho 2: Marqués de Tomares Crianza 2009
Produzido pela Bodega Marqués de Tomares em Rioja, Espanha, com a uva Tempranillo (90%) e as inusitadas Mazuelo (Carignan na França) (7%)  e Graciano (Monastel)(3%) -Já postei sobre um vinho desta casta anteriormente- relembre.
Álcool à 13%.
Envelhecido um ano em barricas de carvalho americano

Preço: 69,00 reais (Nostra Adega de Florianópolis)

http://www.marquesdetomares.com/




Embora muito diferentes, ambos os vinhos combinaram com a comida. O vinho 1, ao qual estamos mais acostumados, foi o preferido pela maioria. O vinho 2 com seu diferente aroma e caráter gastronômico foi um desafio às cegas, mas com um caráter peculiar, do Velho Mundo.
E a degustação às cegas é um bom exercício para o apreciador de vinhos, porque presta-se mais atenção à prova, e livre de preconceitos quanto à procedência ou o preço, pode-se melhor proceder à avaliação. Um brinde!


Grande reunião de amigos, em torno do vinho, algo feito mesmo para compartilhar.


Saúde e Um Abraço a todos.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Vinho Rosé Taipa Pericó e Rosé Vinha da Defesa Herdade do Esporão

Já comentei sobre vinhos rosés anteriormente relembre, e não costumo postar vinhos que provo na casa de amigos, pelo simples fato de não querer cometer alguma injustiça na avaliação, nem ficar fazendo anotações na casa dos outros, muito chato isso, mas hoje me entusiasmei com os portugueses (novamente!) e decidi escrever minhas memórias.

Pericó Taipa Rosé 2011

Vinho produzido pela Vinícola Pericó em São Joaquim, Santa Catarina, com 60% de Cabernet sauvignon e 40% de Merlot.

Bonita cor salmão, aroma delicado de frutas vermelhas com um leve toque de baunilha, passagem por carvalho discreta. Boa acidez.

Pouco volume em boca, um vinho mais ligeiro, em declínio por armazenagem ou idade? Teria que provar o 2012 para saber. Um vinho mais delicado, mas nem por isso menos interessante.

Nota= 86 pontos







Vinha da Defesa Rosé 2011
Vinho produzido pela gigante Herdade do Esporão em Reguengos de Monsaraz, Alentejo, Portugal, com as castas Aragonez e Syrah.

Bonita cor cereja, aromas de morango, cerejas, confirma no  paladar, que é intenso e muito persistente. Como a maioria dos alentejanos, potente na graduação do álcool, 13,5%, mas que não transparece à degustação, porque o conjunto é muito harmônico.

Um grande vinho, altamente recomendável.

Nota: 94 pontos



Em resumo: dois vinhos próprios para serem provados também no verão. Penso que o nacional, por ser mais leve, harmoniza com entradas frias ou como aperitivo, e o português é mais gastronômico, evolui com a comida e a exalta. Combinou de forma excelente com um salmão ao molho de laranja.

Um brinde!

Espumante Rosé Brut Cave Pericó / Espumante Rosé Brut Adolfo Lona

Talvez pouco valorizados no Brasil, os espumantes rosés têm muito prestígio na região de Champagne e, como diz Adolfo Lona, representam um desafio para o enólogo combinar harmonicamente a força da uva tinta, que deve predominar, com a leveza da uva branca.
Esses dois espumantes são feitos pelo método Charmat (fermentação em autoclaves, sendo um método mais curto e fornecendo um produto mais simples em relação àquele resultante do método tradicional), e os escolhi por achar que são belos representantes deste tipo de espumante feitos no Brasil, ao mesmo preço (35,00 reais). Um embate entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Outros espumantes rosé que fazem sucesso aqui em casa são da Vinícola catarinense Kranz (de Cabernet sauvignon), e da Vinícola Fabian de Nova Pádua, RS (Champenoise e Charmat, provem os dois!). Por coincidência, mais uma comparação entre os dois estados vizinhos. Espero postar em uma nova oportunidade, quem sabe.
Vamos aos vinhos em questão:

Brut Rosé Cave Pericó
Espumante Brut Rosé Cave Pericó.
Vinho produzido pela Vinícola Santa Augusta em Videira, Santa Catarina, com 60% de Cabernet sauvignon e 40% de Merlot.

Já de início seduz pela sua bonita tonalidade salmão, perlage fina e persistente.
Aroma de frutas do bosque, ervas e caramelo. Em boca tem boa cremosidade, é refrescante, pleno. Álcool a 12,4%.

Prove, prove, prove. Vale o investimento. Desafio melhor espumante rosé em qualidade-custo.

Comprado no Supermercado Hippo em Florianópolis, ao custo de 35,00 reais.

Nota= 90 pontos
Altamente recomendável.




Adolfo Lona Brut Rosé

Espumante Charmat Rosé Brut Adolfo Lona

Produzido por Adolfo Lona em Garibaldi, RS, com 60% de Pinot Noir e 40% de Chardonnay.

Na taça uma cor de pétala de rosa e perlage fina. Aroma discreto a frutos vermelhos.

Muito boa cremosidade em boca, amargor final discreto, não compromete. Álcool a 12,7%.

Comprado diretamente na Vinícola, ao custo de 35 reais
Nota: 87 pontos




Em resumo: dois belos representantes das borbulhas nacionais, que acompanham muito bem as entradas ou para serem servidos no calor do nosso verão.
Um brinde!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

EQ Coastal sauvignon blanc 2012




O verão escaldante no Brasil (33°C em Florianópolis pela manhã, com sensação térmica de 40°C), me impossibilita de experimentar os tintos, a não ser em festas com os amigos, o que me impede de postar no blog de forma digna. Aproveito então para provar os brancos, de preferência os refrescantes e os espumantes, que combinam bem com nosso verão.
O vinho de hoje é um Sauvignon blanc da DO de Casablanca no Chile, que segundo os apreciadores e os meus amigos da CBE é um terroir propício para grandes brancos e os tintos de Pinot Noir. É uma zona de clima mediterrânico, pois recebe influência da brisa marítima vespertina. Os baixos níveis de chuva obrigam o uso de irrigação.
Produzido pela Viña Matetic, o EQ Sauvignon blanc tem a sua maturação desenvolvida em tanques de aço inox sobre as borras (sur lie), durante 4 meses. (Vale ressaltar que o Chile é o maior produtor mundial de Sauvignon blanc, em muitos casos de ótima relação qualidade-custo).

Vinho de cor amarelo-verdoso, com lágrimas lentas e grossas.

Aroma intenso de pimentão verde, cítricos (limão), envolto em notas herbáceas intensas. Na boca é seco com um final cítrico, mineral e de leve amargor. Caloroso. Álcool a 14%!

Para quem aprecia a Sauvignon blanc.

Comprado na Grand Cru em Florianópolis, ao custo de 70,00 reais.

Nota= 88 pontos.

Acredito que harmonize muito bem com pratos de frutos do mar, pratos com camarão, ostras. De nossa parte harmonizamos com salmão ao molho de alcaparras e queijo mussarela.
Um brinde!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Zorzal Terroir Único Chardonnay 2013 / Vallontano Chardonnay 2013

A uva Chardonnay é considerada a "rainha das brancas" por fornecer vinhos encorpados, com acidez de mediana a baixa, persistentes, complexos, amendoados e longevos. Sua estrutura é propícia para passagem por barricas de carvalho. Tem papel fundamental no Champanhe e quando vinificada isoladamente dá origem aos "Blanc de blancs". Sua admirável capacidade de adaptação a diferentes climas (assim como no caso da tinta Cabernet sauvignon) garantiu a sua popularidade e versatilidade, já que responde à mais ampla variedade de técnicas de vinificação e dos estilos de cada vinho branco varietal.
Resolvi provar e aqui estão algumas dicas de brancos com a Chardonnay que vão muito bem com o nosso verão tropical. Sugiro provar os dois e fiz esta comparação pelo primeiro ser argentino da Região de Mendoza e o outro nacional, da Vallontano, do Vale dos Vinhedos, ambos quase ao mesmo custo (50,00 reais) e de mesma safra (2013).



Zorzal Terroir Único Chardonnay 2013
Vinho produzido pela Zorzal Wines. 10% do vinho fermenta em barrica nova de carvalho francês, onde se dá a fermentação malolática, no intuito de agregar elegância a um vinho que pretende ser mais frutado.
Cor amarelo palha com reflexos esverdeados, lagrimas finas e lentas.
Aromas não muito intensos, típicos, com abacaxi e pêssego sobressaindo, também aroma de baunilha.
Macio, fácil, final de boca sem amargor. Álcool a 13%.
Comprado na Grand Cru em Florianópolis.
Nota= 87 pontos







Vallontano Chardonnay 2013
Produzido pela Vinícola Vallontano no Vale dos Vinhedos.
A fermentação malolática ocorreu de forma espontânea, no sentido de permitir uma expressão natural da fruta.
Vinho de cor amarelo-verdoso, com lágrimas finas e rápidas. Aromas elegantes e típicos da casta, com abacaxi sobressaindo e com um leve toque herbáceo.
Não passa por barrica, a proposta é apresentar um vinho jovem e refrescante, para o verão.
Em boca é vivaz, delicioso, com baixa acidez, uma mineralidade e bom equilíbrio . Alcool a 12,5%. Final de boca com leve amargor. Uma excelente compra de um vinho nacional.
Comprado diretamente na Vinícola.
Nota: 88 pontos





Em resumo: dois vinhos leves, que acompanham muito bem as entradas ou para serem servidos como aperitivo, o argentino para os que apreciam evolução no carvalho e o nacional para os que apreciam a tipicidade da chardonnay, um vinho mais frutado.
Um brinde!

domingo, 22 de dezembro de 2013

Marisqueira Sintra

Para comemorar o aniversário da minha esposa, procuramos um restaurante especial. Como já tínhamos indicação de amigos, resolvemos conhecer o Marisqueira Sintra, restaurante de Florianópolis especializado em frutos do mar e na tão apreciada comida portuguesa. Como o restaurante é panorâmico, a parte externa com paredes envidraçadas, me chamava a atenção quando por lá passava de bicicleta, as boas taças alinhadas na mesa e o capricho do interior. É dividido em dois ambientes, um salão e um deque à beira-mar.
O Restaurante é daqueles bacanas lá em Santo Antônio de Lisboa, um dos recantos mais legais de Floripa:


Com uma decoração típica, o restaurante é um mimo, muito agradável.


Já vi que aquário é comum em restaurantes portugueses, esse não foge à regra.


Adega climatizada para os vinhos, muito importante!

Para iniciar os trabalhos dispensamos o couvert e pedimos de entrada bolinhos de bacalhau (vou ficar devendo a foto), muito bons, e por sugestão do garçom, um vinho Casa Ferreirinha Esteva Douro 2012. Bom vinho, com boa acidez, típico do Douro, mas acho que para o prato a harmonização ficaria melhor com um branco ou um Vinho Verde.

O prato principal foi um Bacalhau à Doce Sintra (Posta de bacalhau assado em azeite, regado com creme de natas e figos, servido com batatas ao murro e arroz de azeitonas).
Olhem só que maravilha:
O bacalhau fica com um molho leve, agridoce, o arroz é espetacular (para os muito fãs de azeitona, como eu) e as batatas ao murro foram as melhores que já comi.
De sobremesa, pastel de nata e, já que havíamos pedido vinho tinto, resolvi encerrar com pêra bêbada:

Ao fundo a Ponte Hercílio Luz iluminada à noite. Espetáculo.


Restaurante amigo do vinho: Sim. O forte são os vinhos portugueses, com uma carta bem variada e opções para todos os bolsos. Boas taças, adega climatizada. Há opções de alguns bons vinhos e espumantes nacionais também. Servem vinho em taça.
Funcionários atenciosos, bom atendimento.
Custo: 252,45 reais
Altamente recomendável
Rua XV de Novembro, 147 Santo Antônio de Lisboa, Fpolis. (48) 3234-4219
www.marisqueirasintra.com.br



5Ta Generacion Gran Reserva Malbec 2009



Hoje em dia não há nenhum restaurante que se preze no mundo que não tenha em sua carta um Malbec argentino, principalmente da região de Mendoza. Nenhum no mundo? Nenhum no mundo.
A explicação para isso é que em Mendoza esta casta atinge o seu ápice, e quando comparada com sua equivalente francesa, dá vinhos mais frutados, ricos e intensos. Ao contrário da França, na qual a produção de Malbec está em declínio, em Mendoza ela é a uva emblemática, sendo que nessa região a associação de vinhas velhas com a altitude é um dos fatores que justifica a alta qualidade dos vinhos produzidos com esta casta.
O 5Ta Generacion Gran Reserva é produzido pela vinícola Goyenechea na região de San Rafael, sul de Mendoza, com uvas 100% Malbec. Passa por 14 meses em barricas de carvalho francês de primeiro e segundo uso e 2 anos em garrafa em temperatura controlada antes de ser comercializado. Álcool a 14%.
Vinho de coloração vermelho-púrpura com halo violáceo, lágrimas grossas e lentas, límpido.
Bouquet de boa evolução com intensidade e persistência marcantes. Aromas de ameixas, cereja madura, café, baunilha, tabaco.
Fim-de-boca equilibrado, aveludado, quente, com boa persistência. Harmonioso.
Um grande vinho. Altamente recomendável.
Acompanha de forma perfeita as carnes assadas, o churrasco.
Custo: comprado no Carvalho Francês em Florianópolis em março deste ano (2013), custou 69,90 reais.



sábado, 7 de dezembro de 2013

Flor de Viseu Selection 2009

Produzido por Ares do Dão- Soc. Vitivinícola com as castas Touriga Nacional e Alfrocheiro. A Touriga Nacional é considerada a grande uva tinta portuguesa. Ela compõe, com algumas outras castas, os melhores vinhos dos DOCs Porto e Douro, e também os do vizinho Dão, sua zona de origem. Do Dão especula-se que se origina também a Alfrocheiro, casta misteriosa pois só é referenciada após a crise da filoxera (finais do séc. XIX). 
Vamos ao vinho em questão:
De coloração rubi com halo bordô, límpido, lágrimas finas e lentas. Evolução do bouquet com média intensidade, de média persistência, fruta madura. Aromas de ameixas e especiarias de média persistência, vinoso, típico, equilibrado. Seco, caloroso e tânico. Fim de boca com leve adstringência e amargor. Simples e bem equilibrado. Álcool à 13%. Para quem aprecia um vinho português típico e é um belo representante em sua faixa de preço. Tem os aromas de Portugal, sem ser esnobe ou pretensioso, um vinho simples e de bom custo- benefício. Pronto para beber, não evoluirá com a guarda.  
Mais uma vez destaco o design de um rótulo do Velho Mundo, limpo e muito bonito. A flor simboliza a flor de cardo, utilizada como coagulante do afamado Queijo Serra da Estrela.
Nota=86 pontos
Custo= 35,00 reais, comprado no site Sonoma.



domingo, 1 de dezembro de 2013

Casa Silva Reserva Cuvée Colchagua Pinot Noir 2011





Post para a Confraria Brasileira de Enoblogs, cuja sugestão foi do confrade Tiago Bulla, do Universo dos Vinhos: Pinot Noir Chileno, sem limite de preço.
Resolvi apostar em um Casa Silva, importado para o Brasil pela Vinhos do Mundo de Porto Alegre e muito conhecido dos brasileiros.
Estagia por 6 meses em barricas de carvalho.
Na taça um vinho de cor rubi com lágrimas finas e rápidas. Nariz simples com aroma de figo bem maduro e um toque herbáceo discreto muito bom.
Em boca confirma os aromas, leve, corpo médio, taninos finos, retrogosto de chocolate e boa persistência. Boa acidez, gastronômico. Um clássico ao estilo Casa Silva, mas não empolga muito.
O argentino Luigi Bosca Pinot Noir é uma escolha melhor, por ser mais frutado e vibrante, e mais complexo, na mesma faixa de preço.
Para a composição da noite (um sábado) resolvemos harmonizar com uma receita que vi no canal Bem Simples, um roast beef veja aqui
Nota= 86 pontos.
Preço= 65 reais. Comprado no Emporium Nostra Adega em Florianópolis.
Um brinde e um abraço fraterno a todos!






Les Coucherias 2011

 Os franceses da Borgonha elevaram a Chardonnay ao nível de estrela e protagonista ao elegê-la como praticamente a única uva branca para a produção de seus vinhos. Eles fazem vinho há tanto tempo que descobriram exatamente que é esta variedade que cresce melhor e que melhor expressa o terroir da região. O solo calcáreo predomina em todas as áreas, o clima é de verões quentes, invernos frios e há constante ameaça de tempestades de granizo. O clima relativamente severo resulta em um número reduzido de safras realmente boas para o Borgonha branco, além da produção ser pequena, daí seu alto preço.
Resolvi abrir esta garrafa hoje pela mesma razão que o Anonymus gourmet assiste ao filme Casablanca várias vezes por ano, todos os anos: "Para não deixar de acreditar..." 
O Les Coucherias é produzido a partir de um vinhedo premier cru, pelo método biodinâmico, pelo produtor Jean Claude Rateau, em Beaune, com 100% da casta Chardonnay. Outros vinhos do mesmo produtor foram postados veja aqui
O 2003 estagiou por 14 meses em barricas de carvalho usado. Não consegui detalhes sobre o 2011 no site, mas o carvalho está discreto, sutil e harmônico, o que me faz pensar que o estágio em carvalho é apenas para evolução do vinho, à maneira do Velho Mundo, sendo que há pouca contribuição da madeira emprestando compostos como estamos acostumados com os californianos, o que para meu gosto é um ponto a favor.
De bonita cor dourada, com lágrimas finas e rápidas, límpido. Uma explosão de aromas, em camadas, pêra, maçã, flores brancas, abacaxi, amêndoas, de média intensidade, elegante, de muito boa evolução na taça. Em boca apresenta um dulçor, mas que não é enjoativo, e é persistente, delicioso, convida a outro gole. Leve acidez, muito harmonioso. No final é amplo, longo e caloroso. Enfim, um vinhaço. Acredito que possa ser guardado tranquilamente por mais 4 ou 5 anos.
Comprado diretamente com o produtor, custou 26 euros, muito barato para um vinho desta qualidade.
Nota= 95 pontos
Harmonizou muito bem com um risoto de pêra e gorgonzola.
Um brinde!



domingo, 24 de novembro de 2013

Tapada do Fidalgo Monte dos Perdigões Branco 2011


Vinho produzido pela Vinícola Monte dos Perdigões, do Alentejo, Portugal, a partir das castas Verdelho, Arinto e Antão Vaz.
Vinificação em cubas de aço inox a que se seguiu um pequeno estágio "sur lies" - segundo Eduardo Giovannini, no livro Viticultura e Enologia: "Estágio em que se conserva o vinho sobre as borras com o intuito de permitir a "lise" das células das leveduras, promovendo a liberação de alguns compostos como aminoácidos e polissacarídeos, com o intuito de fazer um vinho com mais estrutura".
Com bonita cor amarelo palha, límpido, lágrimas finas e lentas. O nariz, muito simples, proporciona abacaxi e mel. Em boca é pleno, confirma os aromas, e com graduação alcoólica de 13,5%, a potência do álcool se faz presente, e se destaca no conjunto. Pouco frutado e com baixa acidez.
Atenção à temperatura dos brancos é essencial também. Preferível degustá-lo muito fresco, à 6-8 °C.
Presente do amigo Will, que solicitou minhas impressões.
Saudações!

Doña Dominga Cabernet Sauvignon 2012

Vinho produzido pela Viña Casa Silva, a partir de meados do ano de 1999, com uma proposta de entregar ao público vinhos leves com boa relação custo-benefício, produzidos com uvas próprias do Valle de Colchagua.
Não confundir com os Vinhos Casa Silva, da mesma vinícola, estes mais elaborados e com passagem por carvalho, importados para o Brasil pela Vinhos do Mundo.
Na taça é um vinho límpido de cor rubi com lágrimas grossas e lentas. Aroma de frutas vermelhas, groselha, pimenta. Em boca é leve, álcool sobressai um pouco, o que não é bom, e persiste um final de boca com gosto herbáceo e condimentos, amargor leve/moderado. Vinho para o dia-a-dia, sendo sua maior qualidade a leveza, com taninos macios, fácil de beber e agradar, especial para os que estão iniciando a apreciar vinhos sem precisar gastar muito. Melhora com a comida.
Comprado no Supermercado, paguei 14,98 reais. Dá para desafiar quem encontre vinho que se iguale em qualidade por esse preço?
Álcool a 14%
Nota: 84 pontos
Importado para o Brasil por FIRST SA.
www.casasilva.cl









domingo, 10 de novembro de 2013

Tarima Monastrell 2011


Produzido pela Bodegas Volver, com 100% da casta Monastrell (Mourvédre na França, ou Mataro em US e AU), na Denominação de Origem de Alicante, Espanha. Chama muito a atenção a beleza do rótulo. 
Na taça um vinho de bonita cor violácea, com lágrimas grossas e lentas. Aromas de chocolate, frutas vermelhas e mirtilo sobressaindo. De taninos macios e doces, com moderada acidez, é um vinho gastronômico. Chama a atenção os aromas e sabor da Monastrell, inusitados, diferentes. Às cegas, pensamos ser um blend com alguma uva autóctone de Portugal, porque é o que tínhamos de experiência para descrever o vinho.
Potente, com graduação alcoólica de 14,5%, difícil de ser apreciado sem acompanhamentos, penso que harmoniza bem com carnes vermelhas em geral e massas com molhos condimentados.
Vale a experiência, mas este vinho traz algo que não me agrada e que inicialmente não soube explicar, mas parece ser por conta do estilo do vinho mesmo. Precisaria provar outros exemplares com esta uva para ter uma opinião justa e não me ater somente ao meu gosto pessoal. É um bom vinho sem dúvida, mas será que por conta da modernidade os vinhos tendem a ter um padrão muito homogêneo, privando-nos da diversidade tão esperada? Fica o questionamento, mas é um vinho de bom custo-benefício.
Nota= 90 pontos.
Importado para o Brasil pela Grand Cru. Comprado no site Sonoma, custou 44,95 reais.
Um brinde!







Salton Desejo 2008



Um dos meus vinhos do coração, o Salton Desejo segue sendo um dos melhores vinhos nacionais e, sem exageros, posso dizer que é o melhor Merlot do Brasil.
A Merlot é uma casta francesa, da região de Bordeaux, de altíssima qualidade, menos tânica, produz vinhos mais macios, frutados e com menos acidez do que a Cabernet sauvignon. 
Aos que assistiram Sideways, no qual o protagonista Miles se recusa a beber Merlot, e contribui mundialmente para o aumento de consumo de Pinot noir (fato anotado por enólogos aqui no Brasil também) os defensores citam o vinho Chateau Petrus, um dos mais prestigiados do planeta, e um dos mais caros também, elaborado com  cerca de 95% de Merlot, como defesa pelo fato da Merlot ser tão desprezada no filme.
Como nossa produção de vinhos finos é recente, e ainda nos falta a uva por assim dizer, emblemática, como é a Carmenére no Chile, a Tannat no Uruguai, a Malbec na Argentina, a Sauvignon blanc na Nova Zelândia, a Pinotage na África do Sul, a Shiraz na Austrália, etc,  adotamos a Merlot como a que mais se adapta ao nosso clima, solo, enfim, terroir. Será nossa uva emblemática mesmo?
Após algumas provas de nossos vinhos, penso que não podemos chegar a uma conclusão definitiva, pois são inúmeras as experiências com outras castas, como pude conferir em minha última visita ao Vale dos Vinhedos. Mas, sim, a Merlot tem um espaço que lhe é devido, e precioso em nosso território. Grandes investimentos não apenas financeiros, mas de muito trabalho e expectativa foram dispendidos em algumas vinícolas, com bons resultados, como Pizzato, Lídio Carraro, Dom Candido, Miolo, Boscato, Santa Augusta, Kranz, mas, a meu ver, nenhum se igualou ao Desejo da Salton.
Elaborado com 100% de Merlot, com uvas da região da Campanha gaúcha.
Na taça é um vinho de cor roxa intensa, com lágrimas finas e lentas. Apresenta grande intensidade aromática de frutas negras, café, tabaco, pimenta. De taninos macios, e com boa persistência em boca, com o álcool bem integrado, e um paladar evidente de baunilha, ameixa, frutas negras. A maturação é feita em barricas de carvalho francês e americano por um ano, com mais um ano de maturação em garrafa antes da comercialização. Não fica-se indiferente a este vinho, é um vinho muito bem vinificado, harmônico e agradável, fácil de beber, mas que traz uma notável complexidade de aromas.
Safra 2008, com álcool a 13%.
Evoluiu bem, e com os seus cinco anos, acredito que tenha ganho o esperado, não vale a pena guardar por mais tempo, a não ser por um curiosidade enofílica. Não é tão complexo como o 2005, que tinha aromas mais exuberantes e com algo de animal e fumaça, mas este também infelizmente não se encontra mais.
Penso que o rótulo deveria ser mais bem elaborado, basta ver os rótulos do Velho Mundo, que chamam mais a atenção e são mais bonitos. O Salton Desejo merece.
Harmonizou de forma perfeita com bife de contra-filé ao molho pesto e batatas, memorável novamente.
Comprado na Loja do Restaurante Canta Maria em Bento Gonçalves em 01/11/2013, custou 49,50 reais, mas em outras lojas custa de 60 a 70 reais.
Nota= 94 pontos
Um brinde!