quarta-feira, 4 de março de 2015

Cabernet Sauvignon: A Rainha das Tintas

No filme Sideways Entre Umas e Outras, na parte mais importante do filme, o personagem Miles, de Paul Giamatti chama a Cabernet sauvignon de “sobrevivente”, “que pode crescer em qualquer lugar, mesmo negligenciada” fazendo uma comparação com a Pinot Noir, sua preferência declararada.

O fato é que a Cabernet Sauvignon é considerada a tinta mais nobre do mundo, justamente por adaptar-se maravilhosamente bem fora do seu habitat original! São feitos mais vinhos de qualidade com esta cepa do que com qualquer outra tinta. Respeitando as preferências de Miles, que mudou o enfoque dispensado à Pinot Noir em todo o mundo, hoje iremos falar a respeito da Rainha das Tintas: a Cabernet Sauvignon.



Descendente da Cabernet Franc e da Sauvignon Blanc, a Cabernet Sauvignon tem bagos muito escuros, pequenos e com uma casca espessa: pouca polpa e muita casca.
É de altíssima qualidade, de grande estrutura e longevidade, sendo seus vinhos escuros e particularmente tânicos quando jovens. Contudo, por ter grande afinidade com o carvalho, quando amadurecidos tornam-se mais macios, equilibrados, longevos e fabulosamente complexos, gerando o que muitos consideram o arquétipo de todos os tintos.
Seu caráter varietal inconfundível é um aroma e um sabor condimentado de groselha e pimentão, tânico, embora com boa acidez, o que lhe dá equilíbrio. Suaviza com o tempo.

Conforme o terroir, safra, clima, também apresenta aromas a frutas vermelhas, amora, pimenta, grama e baunilha.

É a variedade predominante em Bordeaux, dos grandes ícones do Médoc. Nos tintos clássicos desta região, é combinada com Merlot e Cabernet Franc. Outras zonas de cultivo importante são: Itália, Áustria, Espanha, Portugal, Estados Unidos (Califórnia), Canadá, Argentina, Chile, Uruguai, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Brasil.

No mundo dos vinhos a diversidade é bem vinda, e gostei de rever a CS porque atualmente tenho provado outros varietais e blends, assim sendo, sempre é um prazer voltar para a constância da Cabernet.


Cono Sur Bicicleta Cabernet Sauvignon 2012
Produzido pela gigante Cono Sur no Valle Central, Chile.

Escolhi por ser um CS típico, um representante da cepa.

Na taça um vinho de cor rubi brilhante, lágrimas lentas e grossas.
Aromas típicos, frutas vermelhas, groselha, em um fundo com notas de menta.
Em boca é frutado e harmônico, macio, suculento, de taninos doces. Muito bem vinificado. Elegante.
Vertical, na tentativa de exprimir a casta.

Não consegui informações sobre passagem em barricas, parece ter pequena passagem, o que lhe dá um apelo comercial. Álcool a 13% Vol.

Comprado no Supermercado Hippo em Florianópolis, no dia 04/03/2015, custou 41,56 reais.


Harmonizará muito bem com carnes vermelhas e pratos à base de molho gorgonzola.

E assim encerro minha primeira contribuição para o Zucca Gastrô.  Aguardem no próximo post “ A Rainha das Brancas” : a uva Chardonnay.

Um brinde e saúde a todos.



sábado, 28 de fevereiro de 2015

A História do Vinho


Vídeos produzidos e apresentados por Hugh Johson para o Channel 4 de Londres, em formato apropriado para serem apresentados na televisão. Como está no youtube, há a opção para a tradução das legendas em português. Para os cinéfilos e para os super amantes do vinho.

Parte 1


Parte 2

https://www.youtube.com/watch?v=3wLelD6PfEQ

Parte 3

https://www.youtube.com/watch?v=uFm6GaNTmlE

Parte 4

https://www.youtube.com/watch?v=NrNOkZ_rS6U

Parte 5

https://www.youtube.com/watch?v=yS__wxFRBuw

Parte 6

https://www.youtube.com/watch?v=sVaZFCzxx24

Parte 7

https://www.youtube.com/watch?v=89pOhQafmB4

Parte 8

https://www.youtube.com/watch?v=tL1ZRJRlp08

Parte 9

https://www.youtube.com/watch?v=xV2fdd4t0lI

Parte 10

https://www.youtube.com/watch?v=NInVmPYCECk

Parte 11

https://www.youtube.com/watch?v=l92x5Zh_FlY

Parte 12

https://www.youtube.com/watch?v=sauGtK2-tEo

Parte 13

https://www.youtube.com/watch?v=2KFu7CHhC7Q


Confraria 25.02.2015


Nosso encontro mensal desta vez foi na casa do Ivanir, e tivemos convidados muito especiais, que abrilhantaram a reunião: a Taline, jovem proprietária da Vinícola Santa Augusta, de Videira, SC e o Rogério Gomes, proprietário da Quinta da Figueira, seu projeto aqui de Florianópolis.


A Taline nos falou sobre sua Vinícola e seus vinhos.




Vinho 1) Branco Espumante Brut, produzido com Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay
Um espumante de boa perlage, aroma a frutos cítricos, de boa acidez e cremosidade. Preferi este.

Vinho 2) Rosé Espumante Brut, produzido com Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Montepulciano e Cabernet Franc.
De boa pegada, mais gastronômico, aroma de frutas vermelhas e boa persistência em boca.


Vinho 3) Santa Augusta Chardonnay 2013

Vinho 4) iMortali - Vinho tinto produzido com Cabernet Sauvignon 76,5%, Cabernet Franc 18,5% e Merlot 5%, pelo método biodinâmico no município de Água Doce-SC. O nome do vinho é uma homenagem às duas jovens proprietárias Morgana e Taline.
É um vinho com visual vermelho rubi, límpido, aromas intensos e elegantes a frutos vermelhos e com leve toque herbáceo e madeira. Equilibrado e frutado em boca. Harmônico. Evolução em barricas de carvalho francês de segundo uso (anteriormente utilizadas para vinho branco) por 4 meses. Álcool a 12,6%. Um grande vinho. Um vinho feito por mulheres, com a elegância feminina.




E o Rogério é aquele bom papo, amigo de todos da Confraria, com várias idéias e projetos revolucionários para sua pequena e artesanal vinícola, partidário de muito estudo e trabalho no ramo da Enologia. Seu vinho Quinta da Figueira Perpétua Lote II ficou em primeiro lugar, dentre 54 amostras de todo o País, na Grande Prova do Anuário Vinhos do Brasil, melhor Corte Tinto, o que só vem a enaltecer seu trabalho.





 Quinta da Figueira Moça Faceira 2014
Produção de apenas 240 garrafas

Vinho produzido e engarrafado em Florianópolis com uvas de Vacaria
-Campos de Cima da Serra. 100% Pinot Noir. Álcool a 12,5%.

De cor rubi, halo cor de tijolo.

Aromas intensos de cereja, leve em boca, mais ao estilo Novo Mundo.




Quinta da Figueira Purpurata 2011 Merlot

Álcool a 13,5%

De cor vermelho-púrpura, halo cor de tijolo, denso, concentrado.

Aroma complexo, inicialmente notas animais como couro, suor, aromas de bosque, cogumelo, especiarias, café. Após a evolução na taça um aroma e sabor característico de pitanga, como nunca havia provado antes. De bom corpo e acidez.

Acredito estar pronto, mas tem potencial para guarda, segundo o Rogério, por alguns anos ainda.

Um animal a ser apreciado, sem dúvida. Um grande vinho.

"Fazendeiro e artista, servo e sonhador, hedonista e masoquista, alquimista e contador - o viticultor é tudo isso, e assim tem sido desde o Dilúvio."
Hugh Johnson no Prefácio do Livro A História do Vinho

Para saber mais:

http://www.santaaugusta.com.br/

http://loja.quintadafigueira.com.br/

Um brinde a todos!




segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ESTRELAS DO BRASIL, INOVAÇÃO NA SERRA GAÚCHA

Muito me interessam os pequenos produtores, os que tem história para contar, os que amam o que fazem, os inconformados e os que fazem do vinho um psiquiatra de si mesmo, como diz Patrício Tapia.
Trabalhar em uma indústria poderosa como a do vinho e não render-se a apelos comerciais já é uma vitória, mas penso também que não é uma opção pensada, ela simplesmente é porque seus atores não fariam de outra forma. Não contrariar seus princípios lhes dá uma liberdade que os outros não tem e nós consumidores ganhamos com a diversidade, com o caos encantador e com a surpresa.
Visitei o projeto Estrelas do Brasil pela primeira vez em fevereiro de 2012, e conversei com o Irineo Dall' Agnol, à época cheio de projetos e idéias para seu empreendimento.


No Natal de 2014 retorno e tenho uma grata surpresa, com novos vinhos, espumantes e muitas idéias postas em prática! 
Adquiri os produtos pensando mesmo em postar no blog, algo que tenho feito pouco nos últimos tempos por absoluta falta de tempo. Vou atualizando aqui à medida que for provando os vinhos.

Vamos a eles:


Estrelas do Brasil Brut 2010 
Produzido com Pinot Noir, Chardonnay, Viognier e Riesling Itálico pelo Método Tradicional.
Visual: de cor amarelo-palha, perlage fina e persistente.
Aromas de leveduras, mel, côco e cítricos.
Em boca é cremoso, persistente, elegante.
Grad. álcool a 12,5% Vol.
Um espumante ao nível dos melhores em sua faixa de preço, belo representante nacional.
Preço: 60 reais, adquirido na Vinícola.
Provado em 16/01/2015







Estrelas do Brasil Brut 2007 
Produzido com Pinot Noir, Chardonnay, Viognier e Riesling Itálico pelo Método Tradicional.
Visual: com bonita cor amarelo dourado, denotando evolução, perlage fina e persistente.
Aromas de leveduras, pão torrado.
Em boca tem muito boa cremosidade, potente e com boa persistência.

Este 2007 pareceu-me mais um Nature do que um Brut, sendo mais gastronômico do que o 2010. O 2010, descrito acima, é mais delicado, acho que também por conta de sua jovialidade, tendo uma maior riqueza de aromas.

O 2007 também é um belo produto.
Grad. álcool a 12,5% Vol.
Preço: 60 reais, adquirido na Vinícola.
Provado em 17/01/2015


Este descrito abaixo eu comprei porque o Irineo recomendou muito, mas a lembrança de um espumante tinto de Bonarda comprado na Vinícola Família Zuccardi em Mendoza, um dos piores vinhos que já provei, ainda me atormentava.

Estrelas do Brasil Nature Negro
Produzido com Merlot pelo método Tradicional.  
De cor rubi, aromas a frutos vermelhos típicos da casta, e também algum aroma de panificação.
Em boca é caloroso, poderoso e muito potente, confirmando os aromas, com algo de especiarias e um final longo. Um tinto encorpado efervescente, pois tem taninos e densidade de um tinto encorpado, com espuma delicada.
Para ser apreciado como um vinho tinto tranquilo, inclusive na harmonização. Melhora muito com a comida, penso ser um vinho indissociável de um bom prato com o mesmo peso, carne vermelha como churrasco, e no site da vinícola sugerem feijoada e leitão assado. 
Reconheço ser um vinho instigante, diferente e desafiador, mas não é minha preferência pessoal. 
Grad. álcool a 12,5% Vol.
Preço: 40 reais, adquirido na Vinícola.
Provado em 16/01/2015 e 17/01/2015 




Estrelas do Brasil Riesling Itálico
Produzido 100% com Riesling Itálico pelo método Charmat
Visual: de cor amarelo-verdoso, perlage fina e persistente.
Aromas delicados de pêssego e melão, e também frutas cítricas, característicos da variedade.
Em boca é cremoso, delicado, muito prazeroso.
Grad. álcool a 12,5% Vol.
Um espumante leve, diferente dos pesos-pesados aí de cima, ao nível dos melhores em sua faixa de preço. Excelente custo-benefício. Muito bom como entrada e para esses nossos dias de calor extremo.
Preço: 30 reais, adquirido na Vinícola.
Provado em 10/01/2015







Edição Especial Fume Blanc 2014
Produzido 100% com Sauvignon Blanc
Estagia por 6 meses em barricas de carvalho americano de segundo e terceiro uso. Álcool a 13%
Visual: de cor amarelo-palha, límpido, pernas finas e rápidas.
Aromas minerais, suaves, com notas de infusão e delicado floral.
Em boca é elegante, suavizado pelo carvalho na medida, com uma nota mineral intensa que preenche o palato. Muito bom.
Um vinho que é perfeito para nosso verão, possivelmente harmonize muito bem com frutos do mar e comida asiática e é ridiculamente barato para um vinho dessa qualidade. Uma alternativa aos caríssimos Riesling alemães e aos com excessiva passagem por carvalho do Novo Mundo.
Preço: 35 reais, adquirido na Vinícola.
Provado em 21/02/2015




Dall' Agnol DMD 2005
Produzido 100% com Cabernet Sauvignon
Um vinho para ser decantado por no mínimo 10 horas? Tive que provar.
Álcool a 13%
Visual: rubi com halo cor de tijolo, lágrimas lentas e grossas.
Aromas terrosos, de chá preto, tabaco e couro, vinoso.
Em boca é gordo, generoso, com sapidez e dulçor concomitantes, rico, prazeroso, que realmente lembra o Amarone. Muito boa persistência.
Um vinho diferente e que melhora muito com o decanter. Imprescindível decantá-lo para a apreciação correta do vinho e de suas qualidades.
Uma das melhores expressões que a Cabernet Sauvignon pode ter no terroir da Serra Gaúcha, a meu ver, e em minha experiência. Tudo o que se espera de um bom tinto estruturado.
De pequena produção, apenas 2.800 garrafas (me arrependi por não ter adquirido mais do que uma).
Preço: 45 reais, adquirido na Vinícola.
Provado em 21/02/2015




Estrelas do Brasil Nature 2007 
Produzido com Pinot Noir, Chardonnay, Viognier e Riesling Itálico pelo Método Tradicional.
Estrela do Estrelas, seu vinho mais premiado.
Visual: de cor amarelo dourado, perlage fina e pouco persistente.
Aroma de amêndoas, mel, lima, e torrefação.
Em boca é que está o diferencial deste espumante, pela cremosidade e grande persistência de sabores. Belo produto, também ao nível dos melhores em sua faixa de preço. Seco e gastronômico, mas preferi degustá-lo sem acompanhamentos. Um vôo solo.
Grad. álcool a 12,5% Vol.
Preço: 80 reais, adquirido na Vinícola.
Provado em 22/02/2015





Como o próprio Irineo mesmo diz, aprende-se com os vinhos e com a sua evolução. Não tenho dúvidas que eles estão aprendendo, assim como nós que provamos e que os acertos são muito maiores do que os erros. Que venham muito mais Estrelas do Brasil nos próximos anos.
E assim encerra a minha incursão pelo Estrelas, viva a diversidade e a coragem de experimentar!
Saúde!

Para saber mais:
http://www.estrelasdobrasil.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=4&Itemid=106






quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Workshop com Martino Biscardo - Diamond


A família italiana Biscardo tem mais de 150 anos de experiência na produção de vinhos. Tive a oportunidade de ouvir a palestra de Martino Biscardo no Importador exclusivo de seus vinhos para o Brasil, o Carvalho Francês, aqui de Florianópolis. Ele e seu irmão Maurizio são proprietários de uma vinícola que está em sua sexta geração,e, claro, foram muitas as histórias.

Martino nos contou, em inglês, italiano e espanhol sobre a idéia de incrustar cristais Swarowski nas garrafas da linha Diamond após vê-las num calçado feminino, enquanto ele e seu irmão esperavam as mulheres fazerem compras para as filhas na loja. Sobre como, para ele, o vinho é feito com 99% de trabalho árduo, e que o vinho já está em sua mente antes de ser produzido. "O vinho não está nas videiras, o vinho está em minha mente". "I am not a winemaker. I am the wine", e fez uma alusão à Pietá estar na mente de Michelangelo antes de surgir do bloco de mármore para nos fazer chorar de emoção, e por aí vai. Nos contou também como o Amarone deu um salto de qualidade quando foram instalados ventiladores para a secagem das uvas. Uma aula sobre vinho e sobre a paixão de fazê-lo.






Vinho 1: Diamond Corvina / Canbernet Sauvignon 2009

Um IGT da região do Vêneto (Verona), este tinto é elaborado com 80% de Corvina e 20% de Cabernet Sauvignon, do mesmo vinhedo, já que as videiras, com idade de 35 a 40 anos se situam uma ao lado da outra (onde termina uma começa a outra). A corvina é uma das castas mais antigas do Vêneto, de difícil manejo fora de sua região de origem, e a Cabernet dá o toque de modernidade ao vinho, além de ser uma casta que se adapta a diferentes terroirs.
O resultado desse blend é um vinho de cor rubi intenso, com um bouquet vinoso e característico. Seco no palato , mas com a maciez proveniente do cabernet e com discreta sapidez. De muito boa persistência em boca.
Um vinho no seu auge. 
Álcool a 13,5%.
Preço: 97,90 reais.




Vinho 2: Diamond Amarone della Valpolicella 2009
DOC Valpolicella Clássico, este Amarone é produzido com Rondinella e Corvina Veronese.
As uvas são armazenadas numa câmara por 4 meses com controle de temperatura, sendo depois prensadas em Janeiro. Posteriormente são submetidas a um processo de fermentação em baixas temperaturas e ambiente seco por 50 a 60 dias, sendo o vinho posteriormente envelhecido em barricas.
Na taça um vinho de cor vermelho-púrpura, muito denso. Bouquet amplo, complexo, aberto e muito persistente. Confirma em boca, um vinho pronunciado e elegante, com muita fruta vermelha, especiarias e um dulçor prazeroso. Macio, harmônico e equilibrado. Um vinho pronto, mas acredito que com estofo para a guarda por muitos anos ainda. Vinhaço.
Álcool a 15% Vol.
Preço: 179,90 reais






Saúde a todos e um brinde com os melhores, se possível.




segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Linda Flor Petite Fleur 10 años Malbec

"Tenho (bem mais do que) 25 anos de sonho e de sangue e de América do Sul, por força deste destino, um tango argentino me vai bem melhor que o blues". Foi no embalo de A Palo Seco, do Belchior, que provei o Linda Flor Petite Fleur Malbec.

Há muito tempo não ouvia essa música, e parece que veio a calhar, já que pela proximidade com a Argentina me ponho a provar mais Malbecs do que Zinfandéis e Chardonnays barricados da Califórnia.



O Petite Fleur faz parte da primeira linha de vinhos da Bodega Monteviejo (mais um projeto de franceses que se estabeleceram em Mendoza para produzir vinhos. Também fazem parte do projeto Clos de Los Siete, sendo proprietários de vários chateaux na França, inclusive do famoso e conceituado Chateaux Le Gay em Pomerol).
Produzido no Valle do Uco, Mendoza, Argentina. Passa por 12 meses em barricas de carvalho francês e repousa em garrafa por 6 meses antes da comercialização. Álcool a 14,5%.

De coloração rubi com halo violáceo, límpido, lacrimoso. Bouquet com média intensidade de corpo, amplo, refinado, com aroma de ameixa madura, chocolate, mas também herbáceo e floral. Em boca é harmônico, tânico, com boa acidez e discreta sapidez e mineralidade. Eu apreciei muito principalmente por ser incomum, sem tantos aparos de arestas como seus pares, e respeitando o terroir. Altamente recomendável.

Preço não disponível atualmente. No momento sem importação para o Brasil, pelo que pude apurar.
Nota= 90 pontos

A Tamarutaca Restaurante

Tamarutaca é esse crustáceo da foto, chamado pelos pescadores de "mãe do camarão" e foi ele que deu origem ao nome de um dos restaurantes mais conceituados em frutos do mar da Lagoa da Conceição.


Após um passeio na Barra da Lagoa, resolvi escolher um restaurante para a família (tenho 2 fãs de camarão comigo, então rumamos para lá).
Obrigado Ana, pela dica.


O restaurante está localizado na rua que acompanha o canal da Barra da Lagoa, um dos locais mais incríveis de Floripa. Não tem vista para o canal, como alguns outros no caminho, mas diziam que compensa pela qualidade da comida. Fomos lá conferir.


De entrada: espetinhos de provolone e camarão (quase não consegui tirar a foto) + sucos + água.


Para mudar a minha pedida clássica para um dia quente (peixe e vinho branco) resolvemos escolher como prato principal camarão na moranga e... vinho tinto.


Acompanhamentos de arroz e batata palha.


Estava muito saboroso, o molho muito suave e o camarão era fresquinho de muito boa qualidade.


Para acompanhar essa beleza, um Pinot Noir Casillero del Diablo. Como outros restaurantes em Floripa, não há muitas opções, uma pena, porque me parece que uma excelente refeição merece um bom vinho para acompanhar, sempre.





Restaurante amigo do vinho: Não. Não há uma boa oferta, nem mesmo uma carta de vinhos, mas, pelo menos o preço é justo. Éramos a única mesa consumindo vinho em um momento em que o restaurante estava relativamente cheio. Acho que falta incentivo, vender vinho em taça, uma boa carta, etc, (estou sempre batendo na mesma tecla).

Resumindo: um restaurante recomendável, ao nível dos melhores, muito bom atendimento, muito boa comida, vale muito a pena conhecer.


Valor pago: 232,10 reais (com o vinho que custou 55,00 reais)

https://www.facebook.com/tamarutacarestaurante

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Final de Ano 2014



A festa de final de ano do nosso grupo de amigos foi em São Joaquim, uma pequena cidade conhecida no Brasil inteiro pelo clima que atinge baixas temperaturas no inverno, pelas excelentes maçãs aí produzidas e agora também impulsionada pelo vinho, claro. 

"A serra catarinense é uma região de muita altitude, variando entre 900 e 1.400 m. Nesta região estão os vinhedos mais altos e em clima mais frio do país. Isto propicia a produção de uva com características próprias. Os solos são rasos, pedregosos e com alto teor de matéria orgânica e argila."
Para se ter uma idéia de como a altitude é importante na produção de vinhos, temos que: " A cada aumento de 100 m de altitude corresponde um atraso na brotação de 1 a 2 dias e atraso na maturação de 1 a 4 dias. A temperatura decresce, em média 0,6 C para cada 100 m de altura, causando atraso de um dia para cada 30 m de altura ( até os primeiros 1.000 m) e, após, um dia a cada 20 m."

Fonte: Eduardo Giovannini no Livro Viticultura e Enologia- Elaboração de Grandes Vinhos nos terroirs brasileiros.



Isto explica porque a colheita ocorre mais cedo no Rio Grande do Sul, nos meses de Janeiro/ Fevereiro e mais tarde em São Joaquim, nos meses de Abril/Maio, meses esses em que a quantidade de chuvas diminui na região, permitindo que as uvas amadureçam melhor.

"Em São Joaquim, as uvas amadurecem lenta e plenamente por conta de verões amenos com noites frias. O tempo da colheita ocorre mais tarde, podendo chegar até maio no caso das uvas mais tardias. Estas condições geram frutos com bom teor de açúcar, e álcool em torno de 12 graus para brancos e 14 para tintos. O lento amadurecimento permite a preservação dos ácidos naturais e a formação plena de polifenóis, permitindo longa guarda a estes vinhos."
Fonte: Sônia Denicol em laboratório de sommelier







Mas, antes de contar-lhes a aventura em São Joaquim, iniciamos nossa viagem com uma parada na Vinicola Mazon, em Urussanga, uma das cidades que fazem parte do projeto " Vales da Uva Goethe".







As crianças foram explorar os vinhedos! 












No final do dia, início da noite, fomos recepcionados por esse lindo pôr-do-sol na Vinicola Monte agudo.



Belíssima propriedade.




Estavam esperando a gente prontos...



Aí foi só rechear a casa com esse pessoal maravilhoso.




Fomos recebidos com o espumante rosé Sinfonia e com o chardonnay Monte Agudo. Eu sou fã do Chardonnay da vinicola, já tendo postado sobre ele antes. Veja aqui.

Como estava o menú? Olha só!



E os tintos no decanter...




E, como em toda grande viagem é importante fazer novos amigos, tratamos de seguir o lema à risca, sejam bem vindos Carolina e seu pai, um dos proprietários da Vinícola, o médico Leônidas Ferraz.




No outro dia tínhamos um compromisso muito importante: conhecer  a Casa do Vinho, uma loja no centro da cidade de São Joaquim, imperdível pela variedade de vinhos nacionais incrível, e também pelo atendimento do proprietário, uma pessoa ímpar e carismática. Sr Vilson, obrigado!

Sala de Degustação na Casa do Vinho de São Joaquim (comentamos que está faltando uma dessas em Florianópolis)



Tivemos oportunidade de provar alguns bons representantes de SC:



Minhas impressões:

Vinho 1: Sanjo Núbio Sauvignon blanc 2013. Típico, um vinho muito fresco, com uma exuberância de aromas cítricos e 13,9%Vol.! Boa acidez em boca. Um bom vinho que vale muito a pena experimentar. Gastronômico.

Vinho 2:Villa Francioni Chardonnay 2013 - Seguindo a grande linhagem do Lote I, um dos melhores brancos que já provei, este 2013 passa por doze meses em barricas de carvalho francês novas e tem 13% Vol. Aromas típicos da casta, com muita fruta e muito harmônico, um vinho classudo e elegante. Já pensei em um prato de salmão para ele.

Vinho 3: Rosé Villa Francioni - Já postei sobre esse vinho também, Veja aqui.

Vinho 4:Pericó Basalto 2008 Produzido com Cabernet sauvignon 60% e Merlot 40%. Aromas de café, frutos vermelhos e chocolate. Em boca é um vinho leve e fácil de beber, com taninos macios e muito bom custo-benefício. Um belo representante catarinense em sua faixa de preço (por volta de 50,00 reais)

Vinho 5:Suzin Cabernet sauvignon 2009 Um vinho de boa estrutura em boca, com certa adstringência. Estagia por 9 meses em barricas de carvalho francês. 13% Vol.

Vinho 6:Comendador Villa Francioni 2009 Produzido com Malbec, Cabernet franc e Cabernet sauvignon, em homenagem ao Sr Vilson pela Villa Francioni como um agradecimento por ser o maior distribuidor dos vinhos da Vinícola. 16 meses de barrica

Vinho 7:Orgalindo Bettú Cabernet Franc 2008. O melhor vinho da prova. Exuberante, com riqueza de aromas e muito persistente em boca. Traz o DNA da família Bettú e do terroir de São Joaquim, pelas mãos de um dos melhores enólogos brasileiros. Rico, complexo e elegante. Custo de 150,00 reais. Belo produto.

Sr Vilson, grande pessoa, nos recebeu como um legítimo Comendador do Vinho. Grande figura do setor, conhecido e respeitado por todos.
Para conhecer mais: http://casadovinho.net/




Após o almoço, estava na hora de fazer uma visita à Villa Francionni:


Uma das mais belas vinícolas do Brasil, a Villa Francioni vale muito a visita, um projeto grandioso ao nível das melhores vinícolas européias, idealizada e construída pelo empresário Sr Manoel Dilor de Freitas, já falecido. 






Para quem quiser mais informações sobre a vinícola e os vinhos: 
http://villafrancioni.com/vf/


Provamos o espumante rosé, o Rosé Villa Francioni (de novo) e o Joaquim tinto. Tive a oportunidade de provar um dos vinhos top da vinícola, o Michelli, e gostei muito.




Ao final rumamos de volta à Florianopolis, após uma grande confraternização com os amigos e família deixando as altitudes para trás mas com vontade de voltar em breve. Difícil descrever em palavras a grande confraternização e alegria de ter os amigos e familiares juntos, por isso já estamos a programar outras. Um abraço a todos!